Entrevista Ronnnie Von

Aos 72 anos, Ronnie Von fala sobre rotina, filhos, casamento... E confessa: se pudesse, teria, sim, feito muita coisa diferente!

terça 25 outubro, 2016
Entrevista Ronnnie Von
Entrevista Ronnnie Von Foto:Rogerio Palatta
"Jamais deixaria uma mulher abrir a porta do carro sozinha.” Foi esbanjando simpatia e gentileza que o apresentador mais “bonitinho” da televisão nos recebeu em seu casarão, em São Paulo. À frente do programa Todo Seu, da TV Gazeta, há mais de 12 anos, Ronnie Von conversou com AnaMaria de maneira sincera e sem receio de transparecer seus sentimentos – principalmente
quando o assunto é Maria Cristina, a Kika, sua companheira há 31 anos. Veja o romantismo do príncipe da década de 60.


Por que você faz tanto sucesso com o público feminino?
Porque a minha cabeça é feminina. Vejo o mundo com olhos de mulher. Fui levado de uma forma compulsória a conviver com esse universo porque eu fui “mãe” de uma menina e de um menino pequenos ainda [Ronnie ficou com a guarda dos filhos quando se separou de sua primeira esposa]. Tive que tocar uma casa e tudo... O assunto com meus amigos homens se esgotava rapidamente.
Na verdade, isso me enriqueceu emocionalmente, eu passei a valorizar infinitamente mais o trabalho feminino. Mulheres não têm carteira assinada, não ganham salário e só são lembradas quando alguém vê poeira no móvel ou quando o bife queima. Mas ainda não aprendi a ser plural como elas, que são ao mesmo tempo pedagogas, enfermeiras, motoristas, cozinheiras, professoras... Homem, não. Se mascar chiclete e andar, cai. Elas são mais determinadas, difíceis de se corromper e assumem os erros.


Que dificuldades você encontrou quando ficou com os filhos?
Imagina um cara de cabelo grande, artista, comprando lingerie para a filha em uma loja [risos]. Cheguei para a vendedora e disse: quero calcinhas de algodão. Quando olhamos para fora, estava uma algazarra, uma gritaria, pessoas mexendo comigo, me xingando. Entrei em desespero e disse: “Meu Deus, nem calcinhas para a minha filha eu posso comprar?” Foi aí que a moça entendeu e me levou para o estoque até as coisas acalmarem. A vida era assim naquela época.


E hoje em dia, você continua em contato com esse universo?
Sim, até porque eu tomei gosto por esse tipo de coisa. A Kika, minha mulher, não compra uma peça de roupa. Eu a visto dos pés à cabeça, da lingerie ao sapato. Quer dizer, a lingerie eu compro para mim, porque sou eu que tiro [risos]. As lojas de que ela gosta são as de que eu gosto também. Entulho ela de bolsa, de sapato...


Faria algo de diferente na educação dos filhos?
No começo eu achava que ia acertar tudo pelos livros. Era uma estupidez! Primeiro, comecei a deixar fazerem tudo o que queriam. Depois, radicalizei e não deixava nada. E a coisa é tão simples: amor e bom senso. Além disso, tinha a imposição da minha
vontade. Eu tinha aquela sensação arrogante de “eu sei o caminho das pedras, vou passar para eles”. E o maior equívoco: ouvir pouco os meus filhos. Se os tivesse escutado, teria errado menos. Eu achava, por exemplo, que a Alessandra [filha mais velha]
tinha ciúme. Certa vez ela me disse: “Eu tinha mesmo! Assim como você tinha de mim. Mas eu queria que nós pudéssemos refazer nossa família. E você aparecia em casa com cada traste que dava medo”. Mas o sonho deles foi realizado com relação a uma
companheira para mim. E hoje eu tenho dois seres humanos de primeira grandeza. Acho que acertei.


E a sua relação com os netos?
Eu não tenho responsabilidade alguma. E não cobro nada! Minha cobrança para com os meus filhos também é mínima. Porque eu não gostava quando me vinham com opiniões sobre como eu estava cuidando deles. Errei, aprendi com os meus erros. Ninguém quer errar. Não aceitava muito conselho.


Se não fosse pelos seus filhos, você e a Kika teriam ficado juntos?
Eles desejavam essa união muito antes de mim, então forçaram bastante a barra. Nós temos mais de dez anos de diferença, e ela me conheceu quando tinha ainda 11 anos, pois nossas famílias eram amigas. E desde essa idade já era apaixonada por mim! Mas só ficamos juntos depois de uma viagem para a Argentina. Eu já estava lá, e a convenci a ir me encontrar. Quando a vi chegar ao aeroporto, baixinha e gordinha que sempre foi, pensei: “Será que a minha família, os meus filhos... Todos veem algo que eu não vejo?” Fiquei tão feliz por ela estar ali. Depois descobri que ela pensava que eu nunca a olharia, porque as mulheres de artistas
deveriam ser loiras e altas... Imagina se eu ia querer isso! Eu queria uma pessoa, não um estereótipo de beleza. No final do dia, a levei para o seu quarto no hotel, que ficava no final do corredor. Fui me despedir: no Rio nós sempre damos dois beijinhos. O primeiro pegou no canto da boca. O segundo, eu mandei bem no meio! Podia ter perdido minha melhor amiga. Mas passamos a noite em claro.


E como a notícia foi recebida?
Nossas famílias são conservadoras. Mas tinha festa, banda de música! Meu pai, um homem superocupado, era o primeiro, nos esperando no aeroporto. Ele me abraçou, começou a chorar e disse: “A partir de hoje eu sou o homem mais feliz do mundo”. Mas ele foi obrigado a guardar segredo. Depois disso, fui levá-la em casa. E sabe o que meus filhos disseram? “Daqui você não sai nunca mais!” E ela acreditou [risos].


E como vocês chegaram a 31 anos de casados?
Para mim são 31 dias. Nós somos como uma quadrilha de duas pessoas. Não sei explicar, mas é uma conquista diária. Hoje, por exemplo, estamos passando por problemas de saúde na família, confusões comerciais... Eu subi no ipê, peguei um buquê e coloquei ao lado do café da manhã dela com um bilhete. Ela faz o mesmo comigo. Talvez esse seja o segredo. E se o amor é suficientemente forte, ele vence dificuldades. Ah, e o principal: se não tem sexo, não dá certo. Mas o nosso é de absoluta qualidade. Ela tem 61 anos, eu tenho 72. Se você tem afetividade e sabe que o sexo é maravilhoso como o nosso, não tem erro. Parecemos dois adolescentes.


Você, quando era mais jovem, teve uma doença muito rara. Isso o transformou?
Sim, tive uma polirradiculaneurite viral, um vírus atípico. Segundo os neurologistas, consegui pegar essa virose por um momento de absoluto estresse emocional. Tinha acabado de me separar da minha primeira esposa, e o melhor sentimento que tive na época foi de morrer. Ela foi uma grande companheira. Hoje é minha amiga, assim como é da Kika. Fiz muita bobagem durante o casamento e acho que nunca é demais pedir perdão para alguém. Mas comecei a me deprimir, não comia, fui definhando. Na somatização, minha laringe adoeceu. Depois aquilo passou para a minha perna esquerda. Sentia dores horríveis, que iam passando
para o corpo inteiro. Fiquei paralítico, em uma situação absolutamente irreversível segundo os médicos. Eles achavam que eu ia morrer.


Isso mudou seu jeito de encarar a vida?
Claro. O principal quando você está perto da morte é que passa a imaginar que a vida é um prêmio. Todo mundo tem problemas. Alguns são mais sérios, como a morte do meu pai, que foi embora no final do ano passado com 99 anos e completamente lúcido.
Ele era meu grande amigo – aliás, foi ele que me ensinou que, por pior que seja o que o mundo te faça, pior vai ser o que você a si próprio fizer. Esse tipo de problema é irreversível. Agora, coisas do trabalho a gente resolve. Tenho uma família maravilhosa e isso
é o que mais importa. Naquela época, aprendi a tirar proveito da adversidade, passei do ceticismo para a credulidade. Ainda tenho cicatrizes emocionais que não fecharam, mas a doença me melhorou como ser humano.


O que as pessoas que te assistem nem imaginam sobre o Ronnie?
Tem coisas inconfessáveis! [risos]. Putz, numa hora dessas preciso da Kika para me ajudar. Porque é ela quem diz: “Você ficou louco? O que está fazendo?” Bom, eu tenho um pomar aqui. Subi no último galho de uma goiabeira e despenquei em cima do galinheiro. Me quebrei todo, de ir para o hospital. Estou sempre envolvido com o galinheiro [que fica na área externa da casa], pegando os pintinhos para chocar. Mas eu faço besteiras maiores. Vou ligar para a Kika para ela te contar. “Alô, Kika? O que eu
faço que as pessoas nem imaginam?” [Sua esposa responde pelo telefone] “Reboque, fiação elétrica... Você é encanador, mecânico, ajuda a podar árvore, escorrega, se estoura todo!” [risos]. “Obrigada, meu amor. I love you. Beijo na sua boca.”



"Tenho uma família maravilhosa e isso é o que mais importa. Tiro proveito da adversidade”

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Ana Bardella
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