“Eu faço tudo para o seu bem”

A intenção pode ser boa, mas muita interferência das mães prejudica a vida dos filhos. Mas dá para melhorar!

Ana Bardella

Olhando de fora a vida dos filhos, as mães podem até achar que enxergam as melhores soluções para os problemas deles... mas não é bem assim.. | <i>Crédito: Divulgação
Olhando de fora a vida dos filhos, as mães podem até achar que enxergam as melhores soluções para os problemas deles... mas não é bem assim.. | Crédito: Divulgação

Em Malhação, a personagem Estela (Nicette Bruno) apareceu há pouco tempo, mas desde o início da trama teve um papel essencial para a história de Gabriela (Camila Morgado) e Rafael (Carmo Dalla Vecchia). Isso porque a mãe da professora tomou decisões no passado que interferem na vida da filha até hoje. Na adolescência da garota, ela escondeu as cartas mandadas pelo namorado (que estava viajando) a fim de afastar os dois. Por causa disso, sua filha foi impedida de viver um grande amor. Muitos anos depois, ao descobrir a verdade, a professora confronta a mãe, que alega ter tomado a decisão que lhe pareceu ser a mais correta – e garante que não se arrepende! O caso é extremo, mas o que não faltam são exemplos de mães que enfiam os pés pelas mãos por jurarem saber o que é melhor para os filhos. E quando o problema atinge a vida adulta, a situação pode ser ainda mais incômoda. No entanto, de acordo com Cristina da Fonseca, psicóloga, psicopedagoga e especialista em transtornos de ansiedade, é possível virar o jogo e curar esse relacionamento a qualquer hora.

O que está por trás do comportamento?

Quando existe a tentativa de controlar o filho e a falta de confiança nas suas escolhas, algo está errado. “O relacionamento se torna tóxico”, explica a profissional. Isso costuma acontecer porque a mãe passa a projetar suas próprias frustrações, expectativas, ansiedades e medos na outra pessoa. Tudo isso sob a justificativa da proteção maternal. O problema pode acontecer com os pais também!

Impactos negativos

Geralmente, o relacionamento é assim desde a infância (quando é mais fácil exercer esse poder), depois passa para a adolescência (o que costuma gerar conflitos) e por fim deixa seus resquícios na vida adulta. “Nessa fase, a pessoa tem autonomia para agir da maneira como lhe parece mais adequada, mas continua sofrendo as influências do passado”, ressalta Cristina. Uma das possibilidades é que a falta de confiança da mãe faça com que o filho tenha uma baixa autoestima e, por isso, esteja sempre cedendo às vontades dos demais, em uma atitude de submissão. A submissão pode ser tanto com relação às vontades da família quanto dos parceiros afetivos, amigos e colegas de trabalho.

A solução é possível

O passar dos anos nos traz maturidade e clareza para questionar aquilo que não nos agrada. Logo, é mais fácil se perceber desconfortável diante das interferências e também se posicionar de maneira contrária a elas. O problema pode ser colocar tudo isso para fora, uma vez que essas reclamações costumam magoar o outro lado. Para a psicóloga, o segredo para cortar o mal pela raiz está no diálogo. “É preciso expressar o descontentamento com respeito, deixando claro o quanto a situação está sendo sufocante. Em seguida, dizer que essa atitude não está mais compatível com o momento da vida e que a mãe não pode continuar invadindo sua privacidade ou passando por cima da sua autonomia”, orienta. Por mais que pareça difícil no começo, a mudança de atitude tende a tornar a relação mais saudável em diversos aspectos. Vale a pena tentar!

Novos ares, amor fortalecido

De acordo com a psicóloga, a tendência é que depois disso a mãe passe a questionar suas atitudes, perguntando a si mesma se não está sendo demasiadamente invasiva nos seus palpites e ações. Muitas vezes, elas não se dão conta do problema até serem alertadas pelos próprios filhos, uma vez que trazem o hábito antigo da preocupação (que pode acabar camuflando o medo de perder o controle sobre o outro). Afinal, que mãe nunca deixou de dormir uma noite quando o filho estava em uma festa, teve medo de que ele andasse em más companhias ou de que sofresse algum tipo de violência? A memória desse sentimento permanece. Mas, uma vez que elas liberam espaço para que os filhos tomem suas próprias decisões, tudo se torna mais leve para os dois lados! Para eles, que perdoam os erros do passado e se sentem confiantes diante dos problemas da vida, e para elas mesmas, que adquirem uma postura mais relaxada e passam a dar mais atenção a si.

05/07/2018 - 13:19

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Revista Ana Maria