"Ai, que dorzinha chata!"

A tendinite – que afeta mais as mulheres acima dos 35 anos – causa dores fortes e deve ser tratada de maneira correta para não piorar o quadro

Ana Bardella

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"Ai, que dorzinha chata!" | Crédito: Shutterstock
Ombros, cotovelos, punhos, joelhos e tornozelos: essas são as cinco regiões do corpo em que a tendinite mais costuma aparecer. Quem já sofreu com ela sabe que não é fácil encarar a dor. Mas você sabe o que causa o incômodo? Todo sofrimento é graças a uma inflamação que acomete o tendão, uma espécie de “corda” responsável por ligar músculos e ossos, e que tem uma função essencial na movimentação. Na maioria das vezes, a doença é provocada exatamente por movimentos repetitivos de uma mesma parte do corpo. Nesses casos, a insistência provoca o desgaste dessa fibra, gerando dor e inchaço.


As causas
❱ Digitar de maneira inadequada (o correto é manter o cotovelo na mesma linha do pulso. Evite deixar os braços inclinados).
❱ Fazer esforço intenso e repetitivo (mais comum em esportistas).
❱ Realizar atividades físicas, como a musculação, por exemplo, de forma incorreta.
❱ Fazer alongamento errado.
❱ Ter tido infecções ou doenças reumáticas


Tendinite ou bursite?
É a dúvida de muita gente. “Ambos são processos inflamatórios, mas ocorrem em locais diferentes do corpo”, explica Gustavo Borgo, ortopedista e traumatologista de São Paulo. A bursa é como uma pequena bolsa cheia de líquido, localizada entre os músculos e os ossos, e que pode gerar uma dor tão aguda quanto a tendinite. Para um diagnóstico correto, procure um especialista. No entanto, Borgo adianta que a bursite costuma se intensificar ao movimentar a região, enquanto a inflamação dos tendões piora ao fazer a força necessária para o movimento. Ou seja, se alguém levanta o seu braço, por exemplo, e doer, é mais provável que seja bursite. Já se a dor aparece quando você mesma se esforça para mexer o local, a chance maior é de ser tendinite. Lembrando que elas podem ocorrer simultaneamente.


Quem sofre mais?
Como o tendão é basicamente constituído de colágeno, as chances de sofrer com a doença aumentam para as mulheres acima de 35 anos – é que a partir dessa idade nós sofremos uma perda significativa dessa substância no organismo.


Mitos e verdades
O ortopedista diz no que acreditar quando o assunto é esse tipo de inflamação: 

❱ Tendinite não tem cura.
Mito! Essa ideia é recorrente porque, muitas vezes, as pessoas não se tratam direito. Quando a dor alivia, elas acabam voltando
para os hábitos antigos, deixando de prestar atenção à maneira como realizam os movimentos. Resultado? A inflamação volta.
Mas a verdade é que, se tratada de maneira correta, a doença pode, sim, ir embora para sempre.

❱ Massagens aliviam?
Mito! Você já deve ter escutado alguém dizer: “Faz uma massagem que a dor melhora”. Mas, durante a fase mais sofrida, somente essa medida não é eficaz para devolver o bem-estar ao paciente.

❱ Usar tala por conta própria é arriscado
Verdade! Se não usada de maneira adequada e pelo tempo indicado pelo médico, ela pode levar à rigidez e até à perda do
movimento articular. Já pensou?


As fases da doença
Após o diagnóstico, o tratamento passa por três fases. “Na primeira, as queixas costumam ser de dores, inchaço e aumento de temperatura na região”, diz o médico. Para aliviar esses sintomas, são recomendados medicamentos específicos, repouso e compressas com gelo. Na segunda e na terceira fases, o importante é realizar os alongamentos indicados pelo especialista para que haja o fortalecimento progressivo do tendão, até que ele se restaure e volte a ter as características saudáveis de antes. “Existe ainda
uma quarta fase, mas ela só ocorre com pacientes que não se cuidam de maneira adequada”, alerta. Nela, podem aparecer sequelas
internas, que em alguns casos só são corrigidas com cirurgia. Por isso é tão importante seguir as recomendações médicas durante o tratamento.


Para prevenir
Série de alongamentos ajuda a evitar o incômodo

1 Sabe aquelas bolinhas para fazer exercícios com as mãos? Elas funcionam! Durante o dia, dê uma pausa no trabalho e aperte uma
algumas vezes do lado direito e do esquerdo.

2 Estique um dos braços e deixe a palma da mão virada para fora. Com ajuda da outra mão, puxe os dedos para trás, sem forçar demais. Faça também do outro lado.

3 Ainda com o braço esticado, relaxe o punho. Use a outra mão para levar os dedos para trás, sem forçar demais. Repita do outro lado.

4 Gire o braço e deixe a palma da mão virada para dentro. Dobre os dedos, menos o polegar, e volte algumas vezes. Faça também com a outra mão.

06/01/2017 - 14:00

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