Cirurgia de enxaqueca no SUS!

Seu organismo não responde mais aos medicamentos para dor de cabeça? Conheça o tratamento minimamente invasivo que promete mandar embora todos os sintomas desagradáveis da doença

Júlia Arbex

Cirurgia de enxaqueca no SUS! | <i>Crédito: iStock
Cirurgia de enxaqueca no SUS! | Crédito: iStock

Quem sofre com o problema sabe, enxaqueca não é uma simples dor de cabeça. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), trata-se da décima doença mais incapacitante que existe. No Brasil, cerca de 30 milhões de pessoas são afetadas por ela. As causas? Estresse, jejum prolongado, alimentação desequilibrada, sono inadequado, obesidade, luzes fortes, sons intensos, cheiros acentuados... Felizmente, há tratamentos e até uma cirurgia, inclusive, bancada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Entenda a doença e descubra se você precisa de ajuda.

Afinal, o que é esse mal?
Existem vários tipos de dor de cabeça (cefaleia) e a enxaqueca é uma delas. Caracterizada por uma dor pulsátil em um dos lados da cabeça, de intensidade moderada a forte, costuma vir acompanhada de vômito e sensibilidade à luz e cheiros fortes. Normalmente, a duração da crise varia de quatro a 72 horas. Além disso, pode ser episódica ou crônica e é dividida em dois tipos: com aura e sem aura. “A manifestação mais comum da enxaqueca com aura é a chamada aura visual, que pode se apresentar como flashes de luz, manchas escuras em forma de mosaico ou imagens brilhantes. Mas também pode se revelar em dormências ou formigamentos em um só lado do corpo. Com relação ao período de duração, a episódica ocorre por, pelo menos, 15 dias ao mês. Já a versão crônica ultrapassa essa quantidade”, explica o cirurgião plástico Paolo Rubez.

Soluções: “Antes de iniciar o tratamento, é necessário fazer o diagnóstico para saber qual é o fator desencadeante. Em geral, o mais indicado é: tomar o medicamento prescrito pelo médico quando uma crise surgir. O paciente diagnosticado com a versão crônica pode recorrer à aplicação da toxina botulínica, conhecida popularmente como botox. Nesse caso, a substância interfere na comunicação dos nervos entre si, melhorando o incômodo”, esclarece o médico.

Sobre a oepração de enxaqueca: Ela foi desenvolvida pelo cirurgião plástico Bahman Guyuron, nos Estados Unidos, em 2000. Desde então, diversos especialistas ao redor do mundo realizam este tipo de procedimento. Entre 2014 e 2017, o médico Paolo Rubez aprendeu as técnicas da cirurgia e iniciou a prática no Brasil. “Trata-se de uma cirurgia pouco invasiva, sob anestesia geral, que tem como objetivo descomprimir e liberar os nervos que causam a dor”, diz ele. O procedimento demora cerca de duas horas para ser realizado.

Há algum risco?
Assim como qualquer procedimento cirúrgico, apresenta, sim, alguns riscos. Porém, raros. Entre eles, sangramentos, infecções, abertura dos pontos e perda da sensibilidade local.

Quem pode fazer?
Todo paciente diagnosticado com enxaqueca e que sofre com duas ou mais crises por mês não controladas por medicações.

E a recuperação?
“O pós-operatório não é doloroso. No entanto, o paciente pode apresentar um pouco de inchaço na região em que a cirurgia for realizada. De maneira geral, exige-se repouso durante cerca de dez dias após o procedimento. O aconselhado é realizar atividades físicas após um mês”, diz Rubez. Quando a dor de cabeça desaparece? Dependendo dos locais tratados, a melhora pode ser imediata ou levar até três meses para ser percebida.

Os gatilhos mais comuns

Estresse
Jejum prolongado
Dormir mais ou menos do que o de costume
Cheiros muito fortes
Consumo de alimentos como frutas cítricas, queijo amarelo, chocolate, chá-preto, café e vinho
Luzes e sons intensos

Depoimento
"Minhas crises de enxaqueca começaram ainda na adolescência. Porém, aos 18 anos, elas ficaram mais intensas. Quando entrei na faculdade, fui a um neurologista que me diagnosticou com a doença. A partir daí, comecei a investigar qualquer coisa que podia estar
desencadeando o problema: anotava a data e a hora da enxaqueca, todos os alimentos que comia e fiquei atenta aos gatilhos psicológicos, como estresse. Nada adiantou! Lembro que, em 2016, ia ao hospital tomar remédio na veia toda semana. Isso começou a afetar toda minha vida. Então, no ano passado, ouvi falar sobre a cirurgia de enxaqueca e, em outubro, fiz a primeira nos pontos da nuca e das têmporas. O problema foi resolvido cem por cento nessas regiões. Em dezembro, realizei o procedimento na região acima dos olhos. Desde então só tive quatro crises de dor de cabeça, mas foram tão fracas que um analgésico resolveu. Minha vida mudou muito! Agora, posso dizer que estou 98% curada".

Teresa Cristina dos Santos Dias, 38 anos, empresária (SP)

07/08/2018 - 10:00

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