Idade é relativo! A importância do tratamento

Quando algo novo é imposto a qualquer pessoa, ocorre uma reação contrária (consciente ou não) quase imediata

Dr. Paulo Camiz

Idade é relativo! A importância do tratamento | <i>Crédito: iStock
Idade é relativo! A importância do tratamento | Crédito: iStock
"Meu vizinho idoso mora sozinho e é teimoso. Muitas vezes, ele não faz o que o médico manda, não toma os remédios. Como convencê-lo da importância dos tratamentos?”

P.P., por e-mail


A personalidade, a dificuldade de transformar os hábitos, a teimosia... Tudo isso dificulta a adesão aos tratamentos. Mas, embora esse comportamento não seja exclusivo do idoso, quanto mais a idade avança, mais difícil fica mudar. Para transpor essa barreira, implemente as alterações de forma sutil. Assim, o impacto não será tão grande a ponto de gerar agressividade. Quando algo novo
é imposto a qualquer pessoa, ocorre uma reação contrária (consciente ou não) quase imediata. A pouca qualidade da relação médico-paciente também dificulta o tratamento. Essa falta de intimidade entre os dois é ocasionada por consultas rápidas, com pouco tempo para explicações dos motivos pelos quais é fundamental seguir a orientação corretamente. Quando o paciente entende isso, aceita os medicamentos mais facilmente. Há tratamentos que, por si só, são bem mais difíceis de convencer a colocá-los em prática, principalmente quando envolvem efeitos colaterais e mudanças no estilo de vida. De qualquer forma, o médico deve fazer de tudo para convencer o idoso a cumprir as orientações à risca. Por isso, um diálogo com qualidade é a grande chave para que todas as dúvidas sejam sempre solucionadas.


Consultórios mais acolhedores

Estabelecer uma relação médico-paciente mais próxima é o primeiro passo para convencer o idoso a seguir as orientações dadas
no consultório. A ligação mais estreita com o especialista ajudará – e muito! – o homem a se sentir seguro e entender a importância da adesão ao tratamento.



60% dos homens não costumam ir ao médico. As desculpas mais comuns são “falta de tempo” e “necessidade de trabalhar para ajudar a família”


Dr. Paulo Camiz é geriatra e professor da Faculdade de Medicina da USP. É também idealizador do projeto “Mente Turbinada”, que desenvolve exercícios para o cérebro. Para ler outros artigos escritos por ele, acesse ogeriatra.com.br

10/05/2017 - 10:00

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