Os cânceres que mais atingem as mulheres

Na maioria dos casos, é possível se prevenir com hábitos saudáveis. Fique atenta aos sintomas!

Izabel Duva Rapoport

Os cânceres que mais atingem as mulheres | <i>Crédito: iStock/Shutterstock
Os cânceres que mais atingem as mulheres | Crédito: iStock/Shutterstock
Apesar de todos os avanços da medicina, o diagnóstico do câncer ainda assusta. E não é para menos. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), mais de 590 mil casos são esperados no Brasil só entre 2016 e 2017. “Com o aumento na expectativa de vida, a doença deverá se tornar a principal causa de morte no mundo”, diz Claudio Ferrari, diretor da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc). A ironia é que boa parte dessas mortes poderia ser evitada. “Tabagismo, alcoolismo, sedentarismo e exposição solar excessiva colaboram com o surgimento de tumores”, diz Andréia Melo, presidente da Sboc no Rio de Janeiro, que aponta o diagnóstico precoce como fator fundamental para aumentar a chance de cura. “Exames periódicos devem ser feitos anualmente”, orienta a médica. Confira a seguir os cinco tipos de câncer que mais atingem as mulheres brasileiras.

1º Câncer de mama
57.960 novos casos no Braisl em 2016
Principal alerta: Nódulos palpáveis

■ Atinge principalmente mulheres com mais de 50 anos, mas as mais jovens também são vítimas.
■ Fatores de risco: genéticos (parentes de primeiro grau que tiveram câncer de mama); comportamentais (sedentarismo, obesidade,
hábito de fumar e ingerir bebida alcoólica diariamente) e hormonais
■ Prevenção: ficar atenta aos fatores de risco, fazer mamografia todo ano a partir dos 40 anos e também o autoexame (veja mais abaixo). “Quando o câncer de mama é diagnosticado na fase inicial, 90% dos casos têm chance de cura”, afirma Gilberto Amorim, oncologista diretor da Sboc.
■ Sintomas: nódulos nos seios ou axilas, pele mais espessa, secreção nos mamilos ou dor nas mamas.

PASSO A PASSO DO AUTOEXAME
Faça na semana seguinte ao fim da menstruação. Se está na menopausa, faça todo mês no mesmo dia.
ATENÇÃO: O autoexame não substitui a consulta de rotina com o mastologista!

Examine seio e axila com o braço levantado em frente ao espelho

Use os dedos para vasculhar as mamas

Apalpe para cima e para baixo

Faça movimentos circulares

Examine os seios em busca de nódulos

Veja se a pele muda de cor ou de textura

Aperte o mamilo e veja se sai alguma secreção

2º Câncer colorretal
17.620 mulheres foram diagnosticadas no ano passado
Principal alerta: sangue nas fezes

■ O câncer colorretal abrange tumores que acometem parte do intestino grosso (o cólon) e o reto. É tratável e, na maioria dos casos, curável, ao ser detectado precocemente.
■ Fatores de risco: alto consumo de carnes vermelhas ou processadas (presunto, mortadela, salame, bacon...), pouca ingestão de frutas, legumes e verduras, obesidade e também o sedentarismo.
■ Prevenção: consumir alimentos ricos em fibras, praticar exercício físico regularmente e ficar atenta aos sintomas para possibilitar um diagnóstico precoce. A colonoscopia permite visualizar a lesão até mesmo antes de virar um câncer.
■ Sintomas: alteração do hábito intestinal (dor abdominal, diarreia ou prisão de ventre por período prolongado) e sangramento pelo reto.

3º Câncer de colo do útero
16 mil brasileiras são diagnosticadas por ano
Principal alerta: sangramento pela vagina

■ É a 4ª causa de morte de mulheres com câncer. Porém, ele é evitável com a vacina contra o HPV, vírus transmitido por relações
sexuais sem proteção e principal causa desse tipo de tumor. “A melhor idade para a vacinação é entre 9 e 13 anos, mas muitos pais acreditam que vacinar meninas nessa idade pode levar ao início da vida sexual. Precisamos tirar esse estigma, afirma Gustavo Fernandes, presidente da Sboc.
■ Fatores de risco: relação sexual sem camisinha.
■ Prevenção: sexo seguro, exame papanicolau e vacina quadrivalente contra HPV, oferecida pelo SUS desde 2014.
■ Sintomas: na fase inicial, a mulher pode não sentir nada, por isso o exame ginecológico é tão importante. Se o câncer estiver avançado, pode haver sangramento vaginal e dor abdominal.

4º Câncer de pulmão
10.890 casos de câncer de traqueia, brônquios e pulmões em mulheres brasileiras no ano passado
Principal alerta: tosse que não passa nunca

■ O tabagismo é responsável por 6 milhões de mortes por ano no mundo e 147 mil no Brasil, incluindo as decorrentes de câncer.
“O câncer de pulmão é um dos mais agressivos e, ironicamente, um dos mais fáceis de ser evitado, já que o principal fator de risco é o tabagismo”, enfatiza a oncologista diretora da Sboc, Clarissa Matias.
■ Fatores de risco: em geral, os fumantes têm cerca de 20 a 30 vezes mais chances de ter câncer quando comparados a quem não fuma.
■ Prevenção: não fumar.
■ Sintomas: tosse, que pode vir com sangue, dores no peito, espirros e perda de peso. O pior é que a tosse vem quando o câncer já está avançado.

5º Câncer de estômago
7.600 novos casos em mulheres brasileiras em 2016
Principal alerta: Alteração do hábito intestinal

■ Com a melhor conservação dos alimentos (uso de geladeira e redução do consumo de conservas e alimentos muito salgados), a
incidência desse tumor caiu nas últimas décadas.
■ Fatores de risco: infecção pela bactéria Helicobacter pylori, responsável por boa parte das gastrites. Há indícios de que se pode pegá-la ingerindo água e alimentos que tiveram contato com fezes contaminadas. No entanto, essa transmissão ainda não foi confirmada
■ Prevenção: caprichar nos cuidados com higiene e adotar dieta saudável, evitando excesso de molhos, condimentos e alimentos industrializados. O diagnóstico precoce é essencial, pois a bactéria pode ser eliminada com o uso de antibióticos antes de virar um tumor.
■ Sintomas: azia constante, alteração do hábito intestinal (dor abdominal, diarreia ou prisão de ventre por um período prolongado), vômito e fezes com sangue.

Diminua os ricos
Não fumar.
Moderar no consumo de bebidas alcoólicas.
Evitar alimentos gordurosos e industrializados.
Comer mais frutas, grãos e vegetais.
Praticar exercícios físicos regularmente.
Usar protetor solar todos os dias.
Ir ao médico com frequência.
Ficar atenta aos primeiros sinais.

“O CÂNCER DE MAMA POSSUI CAMPANHAS DE CONSCIENTIZAÇÃO DURANTE O MÊS DE OUTUBRO (OUTUBRO ROSA), FUNDAMENTAIS PARA DISCUTIR O PROBLEMA E ORIENTAR SOBRE A DETECÇÃO DA DOENÇA. PORÉM, É IMPORTANTE RESSALTAR QUE HÁ OUTROS TUMORES COMUNS ENTRE A POPULAÇÃO FEMININA QUE TAMBÉM PODEM SER EVITADOS OU TRATADOS COM SUCESSO QUANDO DIAGNOSTICADOS PRECOCEMENTE, MAS NEM SEMPRE RECEBEM TANTA ATENÇÃO DOS ÓRGÃOS PÚBLICOS E DA SOCIEDADE”, CLAUDIO FERRARI, DA SBOC.

12/10/2017 - 14:00

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