O drama do salário atrasado

Com a desaceleração da economia brasileira, as empresas têm se deparado com uma situação financeira, infelizmente, muito ruim

Marcela Kawauti

O drama do salário atrasado | <i>Crédito: iStock
O drama do salário atrasado | Crédito: iStock
"O que devo fazer se meu salário atrasar? Isso anda acontecendo frequentemente...”

H. M., por e-mail


Com a desaceleração da economia brasileira, as empresas têm se deparado com uma situação financeira, infelizmente, muito ruim. Então, para driblar esse cenário, uma das saídas encontradas é atrasar os salários, ainda que, legalmente, essa opção não seja aceita. E, para piorar, mesmo considerando a perspectiva de alguma evolução positiva em 2017, o panorama é cercado de incertezas. Ou seja, a recuperação da economia do país e das empresas não deve acontecer a curto prazo. Porém, ainda que se entenda a situação difícil dos empresários, o atraso de salários gera enormes prejuízos na vida dos trabalhadores. Sendo assim, a primeira opção do
assalariado deve ser negociar com o empregador. Uma boa conversa pode levar a algum tipo de acordo bom para ambos e capaz de amenizar a situação. Caso esse bate-papo não aconteça ou seja improdutivo, vale apelar para a lei por meio de ação judicial. Uma vez que o salário seja pago, o trabalhador tem direito à correção monetária para atualização dos valores atrasados. Além disso, se você tiver acumulado prejuízos, como dívidas ou nome sujo, por causa do adiamento, deve ser indenizada. Enquanto isso, frente
a esse momento complicado do país, aperte os cintos. Faça uma boa análise do seu orçamento e procure formas de reduzir os gastos. Podem ser cortes pequenos, como diminuir as idas a restaurantes ou encurtar o pacote de internet e TV a cabo. Somadas, essas
medidas fazem uma grande diferença no final do mês. Evite se endividar, mas se isso for inevitável, procure modalidades mais baratas de crédito pessoal e fuja do cartão de crédito e do cheque especial.


Usar as reservas ou fazer um empréstimo?
Essa dúvida é muito comum em momentos de grande aperto. Mas lembre-se de que as reservas financeiras foram acumuladas
justamente para um período de imprevistos. Então, não se acanhe em usá-las para evitar o endividamento. Outra razão para recorrer às economias? De tão onerosas, as dívidas têm taxas de juros muito maiores do que qualquer investimento.


Preciso de advogado mas não tenho grana
Além da defensoria pública, que a grande maioria das pessoas já conhece, vale se informar a respeito do atendimento que,
geralmente, as faculdades de direito da sua região costumam realizar. Muitas delas têm escritórios de treinamento que atendem gratuitamente a população local.


Marcela Kawauti é formada em economia pela USP e tem mestrado da FGV. Com mais de dez anos de experiência, é economista-chefe do SPC Brasil e colaboradora do portal de Educação Financeira Meu Bolso Feliz.


Envie suas perguntas para Marcela Kawauti pelo e-mail anamaria@maisleitor.com.br

17/05/2017 - 09:00

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