“Esse menino não consegue ir ao banheiro!”

É no intestino que ocorre a absorção de nutrientes essenciais para o crescimento. Redobre a atenção com o que prejudica o seu funcionamento

Alimentação é a palavra-chave | <i>Crédito: iStock
Alimentação é a palavra-chave | Crédito: iStock

Seu filho passa dias sem ir ao banheiro? Saiba que, infelizmente, esse é um problema comum durante a infância. De acordo com a nutricionista infantil Ariana Bomgosto, o funcionamento lento do intestino prejudica a qualidade de vida, gerando sintomas como dores abdominais ou sensação de estufamento na barriga. “Além disso, a criança pode acabar fazendo um grande esforço na hora de evacuar, ocasionando o aparecimento de sangue nas fezes”, completa. Esses são alguns dos incômodos imediatos mas, a longo prazo, todo o organismo da criança sofre as consequências, uma vez que desequilíbrios na flora intestinal podem gerar uma má absorção de nutrientes, essenciais para o desenvolvimento do pequeno.

1. O funcionamento do intestino é diretamente influenciado pelas nossas emoções. Por isso, tente fazer com que a criança ganhe mais consciência sobre o funcionamento do próprio corpo. Peça a ela que preste atenção à respiração e àquilo que está se passando na sua barriga. Diga por exemplo: “Quando a vontade de ir ao banheiro aparece, sua barriga não aumenta?” Tudo isso facilita o processo!

2. Ainda pensando na consciência corporal, tente levar o pequeno para uma atividade em que ele entre em contato com a natureza. Colocar os pés na areia ou na grama aumenta nossa percepção de espaço e, consequentemente, do corpo.

3. A hidratação é essencial para que o intestino de qualquer pessoa funcione corretamente. Ajude-o a criar o hábito de beber água de hora em hora, mesmo que sejam apenas alguns goles.

4. Reforce desde cedo a ideia de que a alimentação é uma maneira de cuidar do corpo em que habitamos. E que ela pode ser mudada a qualquer momento, mesmo pelas crianças. Basta querer!

5. A saúde do intestino pode ser melhorada com a prática de exercícios físicos regulares. Para ajudar os pequenos, incentive as brincadeiras que coloquem o corpo da criança em movimento. Pega-pega, esconde-esconde, jogar bola... O importante é não ficar parada!

6. Seu filho já passou por longos tratamentos em que precisou tomar antibióticos? Esses medicamentos prejudicam a flora intestinal. Portanto, inclua no cardápio dele alimentos capazes de fazer as bactérias boas do intestino se fixarem e proliferarem (também chamados de prebióticos), tais como lentilha, feijão e amêndoas. Também invista em fontes de ômega-3, como o salmão e a linhaça. Eles ajudam a recuperar a integridade da mucosa do órgão.

7. Não deixe que o assunto se torne uma bola de neve. Algumas vezes, os pequenos associam sentimentos ruins, como desconforto e angústia, ao momento de ir ao banheiro – o que só prejudica sua saúde. Isso acontece justamente pelas tentativas estressantes que já tiveram no passado. Explique que, mudando a alimentação, seu filho pode ficar despreocupado: da próxima vez será bem diferente!

O que vocês têm colocado no prato?

Muitas vezes, para que o problema seja resolvido, é preciso mudar a base da alimentação da criança. Culturalmente, temos o hábito de incluir farinhas brancas e refinadas em quase todas as refeições oferecidas a elas, por meio de alimentos como pães, biscoitos, bolos, pizza e macarrão. Tudo o que, em excesso, prejudica o funcionamento do intestino. Portanto, tente trocá-los por vegetais, frutas, sementes ou cereais integrais. Use a criatividade! Os sucos, por exemplo, podem ser de diferentes cores. Já o arroz integral ou as saladas podem ficar mais saborosos se forem servidos com sementes, como a de girassol ou de abóbora. O importante é tornar as preparações atrativas para a meninada!

Lembre-se!

Uma alimentação baseada nos alimentos naturais (ao contrário dos industrializados, que são ricos em aditivos químicos) é capaz de aumentar a conexão da criança com os seus sentidos, além de estimular a salivação e a sensação de limpeza do corpo. A mudança ainda melhora desconfortos, como o excesso de gases e, em alguns casos, até problemas de pele, tais como erupções e alergias. Vale a pena investir!

08/06/2018 - 16:15

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Revista Ana Maria