"Me obedeça!"

A indisciplina pode ser o terror dos pais, mas está presente em todas as casas. Saiba como agir diante da desobediência do seu filho (sem se descabelar por causa dela!)

Ana Bardella

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"Me obedeça!" | Crédito: Shutterstock
Cansada de repreender a criançada e, às vezes, sentir-se como se falasse com as paredes? Tenha certeza, você não está sozinha:
testar a autoridade (e a paciência) dos pais é um comportamento natural dos pequenos. “Isso ocorre porque eles vivem em função
do próprio prazer. Se querem alguma coisa, não calculam as consequências. Cabe aos pais alertar os filhos dos perigos e ensiná-
los o que pode ou não ser feito”, esclarece Sarah Lopes, psicóloga da operadora de saúde Hapvida, que ainda explica como lidar com o problema nas diferentes faixas etárias.


Dos 2 aos 5 anos
“Mãe, compra pra mim?” é uma das frases preferidas dos pequenos nessa fase. Por isso, passear com eles no shopping pode se tornar uma tarefa complicada. Ao escutarem que não podem ter o que desejam, alguns choram, berram, se jogam no chão e armam cenas que deixam os pais de cabelo em pé. A criança também adora contrariar o adulto, dizendo “não” para o que lhe é proposto. Há ainda um terceiro tipo de desobediência: o teste. Se a mãe diz, por exemplo, “não chegue perto do fogão”, o pequeno pode andar
lentamente em direção a ele de propósito enquanto ela o observa. Tudo só para ver como a mãe reage.


O que fazer?
Evite a gritaria. “Abaixe, fique na altura da criança e explique, sem rodeios, por que ela não pode fazer aquilo”, orienta Sarah. Além disso, dê o exemplo. Você vive dizendo que é errado mentir, mas pede para falarem que não está em casa quando toca o telefone? Assim fica bem mais difícil manter a credibilidade.


E castigo, pode?
Dependendo da gravidade da situação, é uma opção. Vale, principalmente, para os dias em que seu filho está muito teimoso e não lhe dá ouvidos por diversas vezes seguidas. “Nesses casos, o ideal é deixá-lo em um cantinho, para refletir sobre essas atitudes”,
opina a psicóloga. O tempo: um minuto para cada ano de vida. Se ele tem cinco anos, deve ficar cinco minutos quietinho. Ainda que esteja chorando, tente não conversar durante o castigo nem liberá-lo antes do combinado sob o risco de o corretivo não surtar o efeito esperado. E também não vale apelar para o recurso a todo momento, ok?


Dos 6 aos 11
Nessa faixa, as crianças tendem a mentir. Pegar um objeto do colega e não admitir, dizer que cumpriu uma tarefa doméstica, mas não a fez, deixar os trabalhos escolares de lado, sabendo que é errado...

O que fazer?
Como o entendimento já é maior, dê a eles a oportunidade de se explicarem. “Pergunte o motivo daquela arte e esclareça por que aquilo foi errado”, detalha Sarah.

E castigo, pode?
A criança precisa entender que seus atos têm consequências. Por isso, se ela riscou a parede, por exemplo, deve participar do conserto. “Se necessário, venda um brinquedo dela para pagar a despesa”, sugere a especialista. Claro, não precisa cobrir o valor total, mas é importante explicar ao pequeno por que está fazendo aquilo. Ficar sem o videogame ou outra atividade também
funciona desde que a criança entenda os motivos do castigo.


Dos 12 aos 15
Chegar com um colega em casa sem avisar, voltar da rua após o horário estabelecido e até pegar algum dinheiro escondido da sua carteira: tudo isso são atitudes possíveis no início da adolescência. “É uma fase de mais rebeldia. E a questão hormonal também influencia no comportamento”, avisa a psicóloga.

Como resolver?
Eles já conhecem de cor e salteado as regras. Se fazem algo errado, sabem disso. Mesmo assim, vale ter um cuidado a mais nessa época. Bater de frente é perigoso e poderá afastá-lo. Assim, entre as soluções, castigar não funcionará tanto. O que fazer? Conversar! Se não gosta de um colega dele, exponha as razões e faça-o refletir. Tente não vê-lo como criança e fale abertamente sobre todos os assuntos. Entre no universo dele: escute seus cantores ou veja seus programas favoritos. Tudo isso favorecerá a
aproximação de vocês.


A hora de procurar ajuda
A situação está ficando fora de controle? Talvez um psicólogo possa auxiliar. Caso a escola ande fazendo muitas queixas a respeito do comportamento do seu filho, cogite também a ajuda de um especialista.

10/04/2017 - 10:00

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Revista Ana Maria