Meditação para crianças (e adultos)

Livro traz exercícios que melhoram a concentração e ajudam a controlar a agressividade dos pequenos. Os ensinamentos valem para os mais velhos também!

Ana Bardella

Meditação para crianças (e adultos) | <i>Crédito: Shutterstock
Meditação para crianças (e adultos) | Crédito: Shutterstock
O que não faltam são distrações pra garotada: vídeos na internet, jogos, redes sociais e todo tipo de recursos eletrônicos estão sempre disputando a atenção delas com outras atividades, como as tarefas escolares ou as conversas em casa. Tudo isso deixa os pais aflitos, e é inevitável a pergunta: como fazer para que elas desacelerem e se concentrem mais? A técnica chamada “Mindfulness” (que significa “atenção plena”) e que não tem só a ver com cruzar as pernas e fechar os olhos, pode ajudar!


O que é isso?
É a concentração aqui e agora, com a mente aberta e disposta a entender o que acontece em volta e dentro de você. Significa viver no presente (o que é diferente do ato de pensar no presente) sem fazer juízo, não se deixando levar pelas pressões do dia a dia. Esse estado mental muda o seu comportamento e a sua atitude. É experimentar tanto a alegria quanto a tristeza, quando e onde elas aconteçam, sem ter de fazer nada a respeito, reagir ou emitir opinião. É dirigir a atenção amorosa para o aqui e o agora, o tempo todo. Mas a prática exige algum esforço!


Para os pequenos
As crianças parecem estar ligadas na tomada o dia todo. Mas onde ficaria o botão de “pausa”? Ao praticar a concentração no
presente e a consciência, elas aprendem a fazer uma breve pausa, a tomar fôlego, percebendo o que precisam naquele instante. Isso permite que saiam do piloto automático, identifiquem seus impulsos e aprendam que nem tudo na vida é bom e legal. Elas aprendem a prestar atenção – de uma forma amorosa – a tudo o que fazem. E também a não esconder nada e a buscar o entendimento de seu mundo interior assim como o dos outros.


Exercitando o autocontrole
No site bit.ly/quietinho há exercícios em forma de áudio com diferentes finalidades: aquietar, relaxar, lidar com emoções desagradáveis, exercitar a gentileza e até pegar no sono. Esses podem ser realizados com as crianças sentadas em uma cadeira, no sofá ou deitadas na cama. Já no livro Quietinho Feito um Sapo (Ed. Rocco, R$ 29,50) há outros (como estes que mostraremos a
seguir) que são perfeitos para serem incorporados no dia a dia, para treinar a atenção, a escuta e a gentileza. Além disso:

Eles são indicados para crianças acima de 5 anos.
Os pais podem fazer junto, mas há crianças que preferem fazer sozinhas.
Faça-os com regularidade. A prática leva à perfeição!
Adote uma atitude relaxada e brincalhona. Se a criança oferecer resistência, tente em outra oportunidade.
Seja paciente. Demonstre apreço quando seu filho estiver fazendo o exercício. Seu apoio é essencial.
Pergunte o que ele achou da experiência e peça que descreva o que sentiu, assim que vocês terminarem.


O treinamento
Atenção plena exige treino. Quando aprendemos a olhar sem interferência de pensamentos, estamos vendo mais e interpretando menos. Assim, a gente também retém mais informação, pois observando com atenção, realmente, vemos as coisas.


Durante  um passeio
Este é um exercício divertido para fazer a caminho da escola: tentem se lembrar de cinco coisas que veem (uma árvore, um sinal de trânsito, uma casa amarela, a entrada da escola, a porta da sala de aula...). Em que se parecem? Vocês podem treinar para perceber mais e mais detalhes da árvore ou do sinal, como cores e formas, pontos e listras. Olhar sem julgar se alguma coisa é bonita ou feia
permite que vocês vejam mais do mundo.


A qualquer hora
Pegue um graveto e peça para seu filho desenhá-lo num papel. Diga pra ele desenhar exatamente o que está vendo e não o que acha que está vendo. Façam isso por alguns dias seguidos e você verá que a criança começa a perceber mais e mais detalhes do graveto, enquanto o desenho vai ficando cada vez mais preciso.


Na mesa do jantar
Escutar outra pessoa é um divertido exercício durante as refeições. Cada um tem dois minutos pra falar sobre seu dia ou pra
partilhar uma experiência importante, enquanto os outros ouvem sem julgar. Ouvir com interesse de escutar e entender o que o outro está dizendo é de valor incalculável. Assim como você fortalece um músculo ao trabalhá-lo, também podemos treinar seu “músculo da atenção” se usarmos todos os nossos sentidos.

10/03/2017 - 14:00

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Revista Ana Maria