Papai por perto

Mesmo que você seja uma ótima mãe, incluir o companheiro na rotina é imprescindível para garantir a autoconfiança e o desenvolvimento social dos pequenos

Papai por perto | <i>Crédito: Shutterstock
Papai por perto | Crédito: Shutterstock
A conexão entre mãe e filho durante a gestação e amamentação transforma a mulher num porto seguro. “A figura masculina, em contrapartida, provoca uma ruptura nesse relacionamento, e isso não é nada ruim”, diz a psicóloga Melina Blanco Amarins (SP). O pai é a primeira pessoa que mostra à criança que ela pode confiar em mais alguém, além da mãe. Assim, a relação de total dependência materna é amenizada e os pequenos começam a encarar o mundo e a se entrosar na sociedade. Anos atrás, o pai estava
ali para prover o sustento da família e para impor limites, enquanto a mãe era responsável por todo o resto. Hoje, muitos homens fazem questão de participar mais ativamente do processo. E é assim que deve ser! Quanto mais próxima essa relação, mais seguro
e feliz seu filho será!


Pai ausente
Quando o convívio com o pai não acontece, largar a barra da saia da mãe pode ficar difícil. “Cada criança reagirá de um modo
diferente, no entanto é comum identificar traços de introspecção e dependência naquelas que não tiveram um modelo masculino”, diz Melina. A tendência é a criança se tornar mais fechada e medrosa. Isso também reflete na adolescência e na vida adulta. Muitas vezes intempestivos, os jovens, além de buscar o acolhimento materno, desejam deparar com os limites impostos pelo pai, que os direciona e os ajuda a formar valores.


Atitude masculina
No caso dos meninos, a presença do pai é ainda mais importante. “O ser humano precisa de alguém pra se espelhar e, no caso dos garotos, a figura paterna mostra que a mãe não é a única referência”, diz o psicanalista Paulo Giraldes (SP). O homem contribui
para a introdução da criança no mundo das diferenças, nos âmbitos social e sexual, o que favorece a construção de relacionamentos.


Novas famílias
Nem sempre pai e mãe criam juntos os filhos. Mas isso não é um problema. O importante é fazer a criança se sentir segura nas mais variadas situações


1 Quando o casamento acaba, o pai deve continuar presente na rotina do filho. Lembre-se de que não ter sido a pessoa certa para você não significa que ele não seja essencial para a criança. O afastamento gera dificuldades para se relacionar em sociedade.

2 Na ausência do pai, é saudável que as crianças adotem outro modelo masculino. Pode ser o avô, o tio, o irmão, o padrinho, um amigo chegado... No entanto, deixe claro para o seu filho quem é essa pessoa na dinâmica familiar para evitar confusões na cabeça do pequeno.

3 Em caso de morte, mudança de cidade, adoção independente ou qualquer situação em que o convívio com o pai não é possível, a mãe não pode ceder demais e tentar compensar essa ausência. É preciso fazer o papel de pai e mãe. Dar carinho e também
estabelecer limites.


Empurrãozinho

Dicas práticas que vão ajudar você a harmonizar a relação entre pai e filho

✔ DÊ ESPAÇO
É importante permitir que a figura masculina participe da rotina, assumindo tarefas, como ninar, contar histórias, passear, buscar na escola...

✔ CONCEDA O PODER DE DECISÃO
Não é só a mãe que sabe o que é melhor para a criança. O homem da casa também deve colaborar nas escolhas.

✔ TENHA PULSO FIRME
Não vale deixar o pai bancar o chato enquanto você oferece colo. Mãe também dá bronca.

✔ CONFIE
Quando o pai leva a criança para passear, evite ficar ligando a toda hora para checar se está tudo bem. Já que você liberou, precisa mesmo confiar, ok?

✔ DELEGUE
Peça para o pai dar colo e mamadeira, trocar as fraldas... Cuidados que envolvem contato físico criam laços. Aproveite a
participação dele para retomar a sua vida de mulher. Faça as unhas, vá ao cinema, reúna as amigas, leia um livro!

02/12/2016 - 10:00

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