Paparicar demais é arriscado!

Que delícia ver a satisfação de uma criança ao receber elogios... Só tome cuidado para não exagerar e ela acabar se achando melhor que os outros

Júlia Arbex

Paparicar demais é arriscado! | <i>Crédito: Shutterstock
Paparicar demais é arriscado! | Crédito: Shutterstock
É fato: nós criticamos muito mais quando algo dá errado do que elogiamos quando dá certo. Porém, às vezes, acabamos exaltando à toa, ainda mais tratando-se dos nossos filhos. Normal, não? Mais ou menos. Segundo o jornal científico Proceedings of the National Academy of Sciences, o equilíbrio é importante, pois exaltar demais as qualidades dos pequenos pode acarretar em adultos fúteis, vaidosos e inseguros, que têm medo de arriscar e se frustram facilmente. “Por outro lado, se recebidos na hora certa, os elogios ajudam a pessoa a crescer com autoestima elevada, sabendo valorizar seus pontos fortes e reconhecendo aqueles em que precisa melhorar”, diz Karin Kenzler, psicóloga educacional do Colégio Humboldt (SP).


Os perigos da supervalorização
Embora muitos pais acreditem que é seu dever elogiar o filho e fazê-lo sentir-se especial, há que ter cautela. Para a especialista,
frases como “você é o mais maravilhoso”, “seu cabelo é perfeito” e “você é o queridinho da mamãe” podem inflar o ego da criança. “Esse tipo de colocação faz com que ela se sinta melhor que os outros, podendo torná-la um adulto arrogante, presunçoso
e narcisista”, explica. Elogios do tipo “meu filho é o mais inteligente” e “ele tira nota boa em todas as matérias” também devem ser evitados, pois os pais acabarão mais prejudicando do que colocando a criança pra cima. “O pequeno que é elogiado excessivamente pela inteligência entende que precisa saber de tudo e ser o máximo sempre. Por isso, quando mais velho, evita participar de
competições ou até mesmo prestar provas e cursos mais complicados. Tudo para não se arriscar a sair da zona de conforto e desapontar os pais”, alerta.


Nossas crianças sob pressão
Alguns pais projetam seus sonhos no filho. Por exemplo, aqueles que queriam ter sido atletas e não conseguiram. Frustrados, colocam a criança para praticar vários esportes ao mesmo tempo. A título de motivá-la, elogiam sem parar – mesmo quando
ela não leva o menor jeito. “Tal comportamento pode frustrar o pequeno, que acaba acreditando que não deve falhar perto dos pais”, diz Karin.


Na hora e na medida certa
Devemos elogiar nossos filhos enquanto estiverem se esforçando, como quando estudam todos os dias para ir bem nas provas ou se
dedicam para melhorar em algum esporte. “Ao exaltar a dedicação, você vai incentivá-lo a batalhar pelo que deseja. Tornando, assim, enormes as chances de se tornar um adulto autoconfiante e consciente de que nada vem de graça”, diz a psicóloga.


Pequenos com baixa autoestima
Suponhamos que seu filho esteja com dificuldade na escola e, na hora da lição de casa, você fale: “Essa matéria é muito fácil, amor! Você vai conseguir resolver os problemas, porque todo mundo consegue!” Tais palavras soaram animadoras? De acordo com Karin, não. A criança que escuta isso se sente insegura. Afinal, caso não consiga fazer, provará que é menos inteligente do que todo mundo. “Em função disso, talvez passe a se recusar a fazer a lição perto dos pais e deixe de pedir ajuda para não mostrar que tem dificuldade, chegando a esconder as notas”, revela a especialista. Por isso, se o seu filho não acredita nele mesmo, mude a forma de falar. “Diga que as lições não são fáceis e que até você tem um pouco de dificuldade, mas que estudando tudo vai se ajeitar”, sugere Karin. Dessa maneira, irá estimulá-lo a estudar para conseguir superar todas as dificuldades. Tirou nota baixa
mesmo estudando? Tudo bem, contratempos acontecem! Conversem e intensifiquem o treino. De qualquer maneira, elogie o esforço. Ele deu o máximo e isso é o que importa na verdade!


 
O resultado do excesso de elogios na infância são adultos fúteis, vaidosos e inseguros, que têm medo de arriscar e se frustram facilmente!

17/11/2016 - 16:00

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