Você e a garotada: "Ela só fala do Harry Potter

Na idade dela, tudo pode ser vivido de modo muito intenso

Dra. Deborah Moss

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Você e a garotada: "Ela só fala do Harry Potter | Crédito: Shutterstock
"Minha filha de 11 anos leu Harry Potter. Desde então só fala nisso. Apenas convida para ir em casa as amigas que também gostam desses livros. Isso é normal? Estou assustada.”

E. L., por e-mail


A sua preocupação é o quanto essa fixação por um personagem é saudável para sua filha. Na idade dela, tudo pode ser vivido de modo muito intenso. São muitas as mudanças físicas e emocionais que a entrada na puberdade provoca nos jovens. Desta maneira, a admiração por um personagem, artista ou até por uma história fictícia pode seguir essa mesma linha. Fã que é fã acampa no hotel, sabe tudo sobre a vida do ídolo, admira, se dedica, faz esforço, sente de verdade e não quer nada em troca. Ter um ídolo, gostar de
alguém famoso, não sendo em dose exagerada e que faça o jovem perder suas características pessoais, é bastante saudável por sinal. Lembrando que enquanto um simples interesse é vivido de forma leve, tranquila e prazerosa, a obsessão é vivenciada como fora de controle, algo que rege a vida do indivíduo, tornando-o refém dele próprio. Neste caso, isso afeta a vida em sua totalidade, trazendo prejuízos em outras áreas, como na escola, nas relações sociais e entre os familiares. Enquanto a fixação pelo Harry Potter se concentrar apenas nos jogos, nas brincadeiras, nos filmes e nas conversas com as amigas, sem trazer nenhum problema, não há o que se preocupar. Com o tempo, esse interesse provavelmente vai perder força e intensidade – o que a gente costuma chamar de “fogo de palha”. No entanto, se a situação persistir por muito tempo, tomando outros rumos e afetando outras áreas da vida de sua filha, é importante, sim, buscar ajuda profissional.


SEM NEURA
É normal que eles busquem um ídolo, uma referência fora do ambiente familiar. Se na infância os pais eram seus super-heróis,
com a idade, vão percebendo que eles são simples mortais e não tão perfeitos como imaginavam.


Enquanto um simples interesse é vivido de forma leve, tranquila e prazerosa, a obsessão rege a vida do indivíduo, tornando-o
refém dele próprio. Esse tipo de relação traz prejuízos em outras áreas da vida.


Dra. Deborah Moss: neuropsicóloga especialista em comportamento e desenvolvimento infantil e mestre em psicologia do
desenvolvimento pela Universidade de São Paulo (USP). Consultora do sono certificada pelo International Maternity and Parenting Institute, no Canadá.


Envie suas perguntas para Dra. Deborah Moss pelo e-mail anamaria@maisleitor.com.br 

07/12/2016 - 10:00

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