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Amor de vó não tem igual!

Por que é tão importante que as famílias contem com a força e o afeto de figuras como Geppina, a simpática nonna italiana da novela Sol Nascente

Ana Bardella Publicado em 14/12/2016, às 14h00 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h45

Amor de vó não tem igual! - Globo/Mauricio Figalgo
Amor de vó não tem igual! - Globo/Mauricio Figalgo
Apesar de aparentar, a Geppina (Aracy Balabanian), da novela global Sol Nascente, não é assim tão tradicional. Afinal, abandonar
um noivo mafioso na Itália para formar família no Brasil com outro rapaz não é história de vida das mais comuns! Mas, no geral, Geppina é, sim, a típica vovó italiana: cozinheira de mão-cheia, sangue quente de vez em quando e muito, muuuito apegada à família. Impossível assistir às cenas sem se enternecer com o carinho da nonna por seus netos, em especial pelo desajuizado Mario (Bruno Gagliasso). Assim como na ficção, os netos da vida real que contam com essa presença ativa desde pequenos são profundamente beneficiados! Domitila Gonzaga, especialista da plataforma de orientação psicológica on-line Zenklub, explica o porquê disso.


CONVIVER É TUDO DE BOM
Os avanços da medicina estão permitindo às pessoas viverem mais. Isso leva o contato entre as duas gerações a se estender por mais tempo, “trazendo inúmeros benefícios”, garante a profissional. A começar pela disponibilidade dos avós: em geral, eles
possuem mais tempo livre do que os pais. Daí poderem dar mais atenção aos pequenos no dia a dia”, diz. O acesso ao histórico familiar é outro “trunfo” do vovô e da vovó. Assim como Geppina costuma fazer com seus netos, avós podem resgatar com mais
propriedade o passado e as tradições da família. Por último, “a convivência estimula a criança a respeitar a 3ª idade e a desmistificar a ideia de que passar o tempo com um idoso é chato ou cansativo”, completa.


CONFLITOS ACONTECEM...
Sabe aquela impressão de que os avós “estragam” a criança? Ela é comum porque, muitas vezes, eles são maleáveis em relação às regras que os pais impõem. “O importante é compartilhar as ideias e debater sobre o que é melhor para o desenvolvimento dos pequenos”, defende Domitila. Deixá-los participar desse processo é fundamental – afinal, a experiência de vida pode render muitos conselhos positivos. “Mas o ideal é ter essa conversa longe das crianças, pois elas podem ficar perdidas com as diferentes regras que estão sendo propostas, e acabar apelando para o lado que é mais permissivo. Algo sempre ruim para o seu desenvolvimento”, explica.


QUANDO OS PAPÉIS SE INVERTEM
De acordo com pesquisa do IBGE, 3,5 milhões de crianças são criadas pelos avós no Brasil. Por diferentes motivos, essa troca de papéis às vezes se faz necessária. E, nesses casos, outras relações devem ser estabelecidas. “Quando os avós assumem a função de pais, devem agir como pais”, alerta a psicóloga. Isso quer dizer que será função deles ensinar os valores básicos para a educação da criança e, principalmente, reforçar os limites do que pode e do que não pode ser feito. “Imprescindível considerar o pequeno como um ser pensante e participativo, explicando o porquê dos nãos que recebe”, orienta.


O que faz de Geppina uma avó tão especial:

1 O amor pelo esposo. Casada com o mesmo homem há 50 anos, a italiana não deixa o fogo da paixão morrer. Ameaçou até ir embora de casa, por causa de uma bonitona que estava conversando com seu amado, Gaetano (Francisco Cuoco).

2 Conselheira preferida. A diferença de idade não a afasta dos seus netos. Pelo contrário: sempre que Mario tem um problema, é a ela que recorre para conversar.

3 Procura preservar as tradições. Faz questão de sentar com cada um dos netos e mostrar álbuns de fotos antigas. E de passar as receitas de família para Milena (Giovanna Lancellotti)!