A doença que afetou Rochelle, personagem de Giovanna Lancellotti em “Segundo Sol”

Especialistas explicam tudo sobre a síndrome de Guillain-Barré

domingo 25 novembro, 2018
A síndrome de Guillain-Barré é uma doença autoimune inflamatória dos nervos
A síndrome de Guillain-Barré é uma doença autoimune inflamatória dos nervos Foto:TV Globo/Paulo Belote BELOTE

A vilã Rochelle, personagem de Giovanna Lancellotti na finada novela das 9 Segundo Sol, tinha uma doença pouco conhecida, mas muito grave: a síndrome de Guillain-Barré.

Após cair em cima de uma mesa, ela se machucou e foi levada ao hospital. Lá, depois de ser submetida a uma série de exames, descobriu o que tem. 

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Conversamos com Fabio Porto, neurologista do Hospital das Clínicas, em São Paulo, e Marcelo Perocco, neurocirurgião especialista em coluna, para entender mais sobre a doença que leva à paralisia dos membros.

O QUE É?
É uma doença autoimune inflamatória dos nervos, caracterizada por fraqueza e dormência, que pode levar à insuficiência respiratória. 

Ela é desencadeada por infecções bacterianas ou virais e acomete mais em pessoas de 20 a 40 anos de idade. 

A doença pode evoluir de 24 a 72 horas depois do início dos sintomas e é aconselhável a hospitalização, pois a paralisia pode ter rápida evolução e tornar-se mais grave em mais ou menos três semanas.

QUAL É A CAUSA?
Embora seja uma doença autoimune, quando o próprio sistema imunológico da pessoa ataca suas células, causando os danos, algumas condições podem precipitar uma reação imunológica – e também afetar o sistema nervoso. São elas: zika vírus, pneumonia, hepatites A, B ou C e HIV.

COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO?
Não existe um teste específico para descobrir a síndrome. Por isso, é importante que o profissional da área de saúde tenha o conhecimento para reconhecer e, com isso, direcionar para o tratamento adequado.

QUAL É O TRATAMENTO? 
Tudo depende da situação clínica do paciente. Geralmente é feito com altas doses de imunoglobulinas, que são adicionadas ao sangue para bloquear os anticorpos que causam a inflamação.

Se não resolver, pode tentar a plasmaférese. Este processo consiste em retirar grandes quantidades do plasma do paciente, bombeá-lo em uma máquina que remove os anticorpos e, depois, devolvê-lo ao organismo.

Nos casos mais graves, em que o paciente pode ter paralisia da musculatura
respiratória e alterações do ritmo cardíaco, é preciso ficar internado para dar início a um tratamento mais específico.

A SÍNDROME MATA?
Se a paralisia atingir os músculos respiratórios, o paciente pode necessitar de ventilação
mecânica. Sem o suporte, existe o risco de asfixia e morte. Por isso, se você sentir os sintomas abaixo, procure ajuda médica imediata.

SINTOMAS

  • Rouquidão, dificuldade de engolir e falar;
  • Perda de reflexos e dormência nos braços;
  • Dormência no corpo, especialmente nas pernas;
  • Dormência nos pés;
  • Nos casos mais graves, pode até paralisar o corpo.
     
Com reportagem de Júlia Arbex
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