Ansiedade: como lidar quando a mente não relaxa nunca

Ela traz prejuízos na vida profissional e pessoal; saiba pedir ajuda

domingo 17 março, 2019
O exagero do sentimento pode gerar estragos no cotidiano
O exagero do sentimento pode gerar estragos no cotidiano Foto:Banco de Imagem/Getty Images

É quase impossível não sentir um friozinho na barriga diante de um acontecimento marcante. Uma entrevista importante de emprego, o dia anterior à festa de casamento, uma apresentação no trabalho... A ansiedade, ao contrário do que costumamos pensar, não pode ser considerada vilã. 

Afinal, está presente no dia a dia de qualquer pessoa e ajuda a manter o raciocínio rápido e a postura alerta para resolver problemas.

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Apesar disso, o exagero do sentimento pode gerar estragos no cotidiano. “Ao atingir níveis elevados, dá margem para ideias fixas e desproporcionais de um futuro sombrio, no qual a sobrevivência própria ou de entes queridos passa a ser questionada.

É como se a pessoa andasse na rua com um terrorista constantemente apontando uma arma para sua cabeça”, compara Rodrigo de Almeida Ramos, psiquiatra e diretor do Núcleo Paulista de Especialidades Médicas.

Entenda sua origem, os limites de uma ansiedade saudável, as consequências do exagero e o que pode ajudar no controle.

É GRAÇAS À ANSIEDADE QUE ESTAMOS VIVOS
Ana Paula Carvalho, psiquiatra, explica que há milhões de anos esse sentimento foi um fator determinante para a sobrevivência da espécie humana. 

“Os homens das cavernas mais ansiosos e inquietos corriam quando viam um predador, enquanto os mais distraídos se tornavam presas fáceis”, exemplifica. 

Hoje em dia, há um consenso na área médica de que esta condição nos torna mais inteligentes e preparados para lidar com as dificuldades. Antes de uma prova, por exemplo, é o que nos faz olhar com atenção para os cadernos e anotações.

QUANDO ELA PASSA DOS LIMITES?
Ramos alerta que, em pessoas com a genética vulnerável, os quadros excessivos podem ser desencadeados a partir de situações de estresse, traumas, uso de medicamentos ou de drogas. 

Como é capaz de criar uma série de preocupações exageradas, é como se a cabeça da pessoa não desligasse.

“Ela não consegue focar o pensamento em mais nada. A concentração se prejudica, assim como o sono e a convivência com os demais. Todas as energias passam a ser reservadas para aquele foco”, detalha.

Uma vez que esse ponto é atingido, os casos tendem a se desenvolver de maneira diferente. Em todos eles podem ocorrer crises (momentos de extrema angústia) que despertam sintomas físicos, como taquicardia, falta de ar, sudorese, palidez cutânea, diarreia e idas excessivas ao banheiro. 

Elas tendem a durar de 15 a 20 minutos e desaparecer espontaneamente. No mais, ganham características próprias. 

PREJUÍZOS PARA A SAÚDE
O psiquiatra Mario Louzã alerta que, se a ansiedade for crônica, intensa e contínua, pode gerar problemas de convivência. “É como se o organismo estivesse funcionando o tempo todo com uma sobrecarga. Isso pode gerar irritabilidade.” 

Além disso, problemas de saúde também podem aparecer. “Doenças psicossomáticas, gastrite nervosa, males intestinais (como síndrome do intestino irritável) e crises dermatológicas ou urológicas (como psoríase e disfunção erétil) são algumas das possibilidades”, diz Ramos. 

O especialista ressalta ainda que a ansiedade pode contribuir também para o aparecimento de dores crônicas.

TRATAMENTO COMBINADO
Ana Paula defende que os tratamentos devem ser individualizados, pois demandam avaliação e investigação clínica da causa. “Eles podem envolver medicamentos, técnicas de psicoterapia, recomendação para prática de atividades físicas, entre outros”, diz. 

Louzã explica que nem sempre os medicamentos são necessários, mas que podem trazer um alívio para situações em que o sofrimento é intenso. 

“Há dois tipos de substâncias utilizadas para esta finalidade: ansiolíticos, para casos que requerem controle imediato, e determinados antidepressivos, que costumam trazer resultados a longo
prazo”, aponta. 

Já para os quadros mais leves, a recomendação de Ramos é aliar o tratamento terapêutico com exercícios de introspecção, como a meditação. “É importante deixar claro que, quando o uso dos medicamentos é necessário, a pessoa não deve temê-los, uma vez que não causam dependência”, garante.
 

Ana Bardella
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