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Bem-estar e Saúde / Outubro Rosa

Após mastectomia, ela relata importância da reconstrução mamária: “Como um ponto final”

Alessandra Rigo Rinaldi compartilha sua luta contra o câncer de mama e fala sobre reconstrução mamária

Médicas consideram a cirurgia reconstrutora como etapa inerente ao tratamento clínico - Arquivo Pessoal
Médicas consideram a cirurgia reconstrutora como etapa inerente ao tratamento clínico - Arquivo Pessoal

“Meu marido estava na sala de espera. Depois que eu fiz a coleta, ele chegou e contei o que era. Nos emocionamos. Pensei: Como é que eu vou falar para a minha mãe? Eu vou ver meus filhos crescerem? Não sabia o que iria fazer. Sabe quando você fica sem reação?”, relata Alessandra Rigo Rinaldi sobre os momentos posteriores à descoberta do câncer de mama.

Moradora de São Bernardo do Campo (SP), a professora foi diagnosticada com o tumor em 2020, no auge da pandemia da covid-19. Aos 47 anos, precisou ser submetida à mastectomia e recorreu a uma cirurgiã plástica para a realização de uma reconstrução mamária.

Cada vez mais comum, o procedimento cirúrgico consiste na implantação de silicone e/ou pele com o objetivo principal de reconstruir a mama de vítimas do câncer. Para muitas delas, a operação é um caminho para recuperar a autoestima e a conexão com o próprio corpo.

"A reconstrução é considerada hoje parte do tratamento do câncer de mama. A mulher saber que vai passar pela cirurgia, e terá que ficar por um período sem mama ou sem volume, traz muito desconforto dentro de um momento de vida dolorido", explica a cirurgiã Larissa Sumodjo. “Por isso, temos tanta empatia por mulheres que estão passando por um câncer de mama, pois o contexto já é muito difícil. Poder sair com a mama reconstruída e simetrizada é de extrema importância.”

MASTECTOMIA

O diagnóstico de câncer de mama de Alessandra veio à tona meses após ela observar uma depressão em seu seio esquerdo. Desconfiada, a professora insistiu em diferentes opiniões médicas até que foi orientada a fazer uma biópsia das mamas - dando preferência à agulha grossa para resultados mais precisos.

A resposta foi quase imediata e Alessandra descobriu estar com câncer de mama em estágio avançado. O próximo passo seria avaliar se a doença havia se espalhado para outros órgãos. Nesse caso, o tratamento adotado pelos médicos seria apenas paliativo. “A oncologista foi bem sincera. Perguntei: ‘Eu vou viver?’ Ela disse ‘não sei’. Agradeço a sinceridade, é o que te bota na real”, relembra.

“De segunda até quinta [esperando o resultado do exame], não dormi pensando: Vou ver meus filhos crescerem? Aí você começa a pensar em tudo… Todo mundo sabe que vai morrer, mas saber que você vai ter um prazo é difícil”, completa.

Para o alívio da família, não haviam sinais de metástase e Alessandra pôde dar início à luta contra o câncer já no dia seguinte - um prazo recorde! O tratamento consistia em sessões de quimioterapia e radioterapia. Além disso, a realização da mastectomia era fundamental para garantir que a doença não se espalhasse para outras células.

“Eu teria que fazer a mastectomia, independentemente do resultado da químio. Como atingiu os linfonodos (órgãos de defesa das mamas), teria que tirar a mama, mesmo o tumor tendo reduzido, por segurança minha”, conta.

RECONSTRUÇÃO DE MAMAS

O processo de reconstrução das mamas de Alessandra Rigo especificamente precisou de duas etapas, a primeira delas junto à mastectomia. Isso porque, na época, a professora havia acabado a quimioterapia, mas ainda tinha 25 sessões de radioterapia pela frente.

O tratamento radioterápico traz efeitos negativos à pele e, principalmente, ao implante mamário, o que afetaria o resultado da reconstrução - por isso a necessidade de um segundo procedimento.

“A médica falou como ficaria o pós-cirúrgico da primeira operação, que seria prejudicado pela radioterapia, mas de qualquer forma, faria eu não me sentir constrangida ou mutilada. A segunda cirurgia é que ficaria ótima. Foi bom ela ter me explicado todos os detalhes, e já ter me falado o que iria acontecer. Não me abalou”, contou a professora.”, contou a professora.

Foi apenas em junho de 2022 que Alessandra completou o processo de reconstrução das mamas. Dessa vez, a cirurgiã plástica implantou uma prótese de silicone definitiva, removendo um pedaço de pele das costas da paciente e utilizando como enxerto no seio esquerdo - o que garantiu o resultado tão esperado. Em alguns casos também podem ser utilizados retalhos do abdômen.

“O índice de 29% de novos casos de tumores anuais faz com que a cirurgia reconstrutora de mama seja bastante frequente. A técnica empregada depende de diferentes fatores, como localização do tumor, tipo de ressecção tumoral, etc”, explica a cirurgiã plástica Tatiana Moura, a exemplo da implantação de próteses e/ou expansores.

Por sua vez, Sumodjo acrescenta que a reconstrução da mama não prejudica o tratamento, o prognóstico da doença ou o processo de cura. A única exceção a essa regra seriam mulheres em idade avançada, que poderiam não suportar uma cirurgia mais longa, por exemplo.

AUTOESTIMA

A recuperação física após a reconstrução das mamas pode até não ser imediata, mas a autoestima das mulheres submetidas ao procedimento é resgatada rapidamente. “Não tenho problema nenhum com o meu corpo, muito pelo contrário. Está tudo bonitinho, mais bonitinho do que antes de descobrir a doença”, conta Alessandra, fazendo referência à amamentação dos dois filhos.

Ela completa: "É engraçado que fiquei mais ansiosa na segunda cirurgia. A primeira, que era para tirar um câncer, eu fiquei mais tranquila do que na segunda. Acho que é porque mexe com um pouco da nossa autoestima, com a curiosidade de como vai ficar o resultado. Senti como um ponto final da doença. Eu esperei dois anos, então, para mim, trouxe a sensação de ‘terminei’". 

Isso porque os seios não estão relacionados apenas à anatomia feminina, como também à identidade e a sexualidade. “Diversos trabalhos mostram os benefícios da reconstrução imediata para a autoestima, contribuindo muito na resposta do tratamento na totalidade”, reforça Tatiana.

QUANTO CUSTA?

O direito à reconstrução mamária é previsto por lei na Constituição Brasileira. Sendo assim, é possível realizar o procedimento em hospitais públicos habilitados por meio do Sistema Único de Saúde (SUS)  - desde que existam condições clínicas, independentemente da idade.

Convênios médicos com segmentação hospitalar também são obrigados a oferecerem a operação cirúrgica às contratantes, conforme o rol da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). A cobertura deverá incluir até mesmo a implantação de próteses, se necessário.

Por último, quem realizar a reconstrução em clínicas particulares, sem a utilização de convênio médico, deverá gastar cerca de R$ 25 mil. O valor é uma média entre os valores cobrados pelos anunciantes do site Cirurgia.net.

MENSAGEM DE ESPERANÇA

Curada, e com a autoestima lá em cima, Alessandra deixa um recado final às pacientes de câncer de mama: “Se apoie em informações médicas e lembre que é só uma fase, vai passar. Viva o processo com tranquilidade, sabendo que o nome ‘câncer’ é mais assustador que o tratamento em si. A medicina está avançada! Eu sei que não é fácil, mas busque manter a calma e contar com o apoio da família. Tendo saúde, o resto não é nada!”.