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Arritmia: quando o coração anda fora do compasso

O problema é perigoso e ainda causa muitas dúvidas (e mortes) no Brasil. Fique atenta aos sintomas!

Ana Bardella Publicado em 24/03/2018, às 10h00 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h46

A doença é perigosa! - iStock
A doença é perigosa! - iStock

Sessenta vezes: em média, esse é o tanto que nosso coração bate (ou pelo menos deveria bater) a cada minuto quando estamos em repouso. Mas é claro que o número não é rígido: para algumas pessoas, principalmente os atletas, a quantidade pode ser menor. Para outras, incluindo aquelas que ficam nervosas facilmente, maior. Logo, se os batimentos acontecem entre 50 e 100 vezes por minuto em situações calmas, o funcionamento do coração, na maior parte das vezes, é considerado normal. Mas nem sempre ele trabalha dentro desses limites. E é aí que mora o perigo! Saiba o que é a arritmia cardíaca e quando devemos nos preocupar.

Tum-tum fora do ritmo

A doença se manifesta quando a frequência dos batimentos se altera (para mais ou para menos) sem um motivo aparente. Por exemplo: se levamos um susto, ocorre uma descarga de adrenalina no corpo, que faz com que o ritmo deles acelere. Se estamos correndo ou praticando outros exercícios, o organismo precisa de mais oxigênio – por isso o coração trabalha rapidamente e a circulação aumenta. Nesses casos, é esperada a variação. “Já quandoela se dá durante atividadescotidianas, como mexer nocomputador, ver televisão ouantes de dormir, é arritmia”, explica José Moura Jorge, da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Atenção aos sinais

Os sintomas dependem do tipo de arritmia. Se a doença estiver provocando batimentos lentos, o cérebro passa a trabalhar com menos sangue. “Isso gera tontura, escurecimento da vista e pode até provocar desmaios, já que a pressão arterial também sofre uma queda”, alerta. Em compensação, se o ritmo ficar acelerado, a pessoa sentirá a famosa batedeira ou taquicardia: aquele incômodo no peito que pode passar sozinho dentro de alguns minutos e até passar despercebido, ou durar por dias, até que ela procure um atendimento médico. O importante é não vacilar com os sinais que seu coração está dando. Médico, hein!

Causas variadas

Às vezes a raiz do problema está lá atrás, quando a pessoa ainda se desenvolvia na barriga da mãe. Nesses casos, uma má-formação pode ocorrer e manifestar seus resultados ainda quando o indivíduo era uma criança ou, talvez, apenas muitos anos depois, só quando a pessoa chega à vida adulta. O descompasso também atinge quem já sofreu um infarto, nos casos em que o coração fica com sequelas que podem originar a taquicardia. Por fim, há quem sofra com batimentos que ocorrem antes da hora e por isso são considerados prematuros – estes costumam provocar incômodos leves (ou até passarem despercebidos).

Perigosas ou nem tanto?

As arritmias são classificadas entre benignas ou malignas. As primeiras podem ser assintomáticas, provocar desconfortos leves ou profundos, mas não oferecem riscos a curto prazo. Já o segundo tipo é aquele que coloca a pessoa em risco de perder a vida subitamente. Para dar o veredito, é necessário que o médico localize e analise a parte exata do coração em que a falha está ocorrendo. “Para isso, são requisitados exames de investigação, tais como eletro e ecocardiograma”, ressalta o especialista. Ou seja: não é possível fazer a diferenciação com base somente nas queixas do paciente. Portanto, qualquer que seja a anormalidade no órgão, é essencial procurar um médico. Mas não se engane: “O fato de ser benigna não quer dizer que apessoa não precisa de tratamento. Alguns tipos incomodam demais, atrapalhando a qualidade de vida”, reforça Jorge. Imagine ser atingido pelos batimentos desordenados durante uma viagem de avião, por exemplo. É muito aflitivo!

“Para que o paciente volte a se sentir seguro, buscamos solucionar a raiz do problema”, completa. Entre as opções mais comuns estão o tratamento com medicações ou procedimentos cirúrgicos.

Estilo de vida interfere?

Diretamente, a alimentação tem pouca relação com o desenvolvimento de arritmias. Apenas os casos de batimentos prematuros estão relacionados com o consumo excessivo de cafeína (presente em refrigerantes, energéticos e no próprio café) e, portanto, essas bebidas devem ser ingeridas com cautela por quem sofre com o problema. No entanto, o consumo de alimentosindustrializados ou gordurosos,que aumentam os níveis decolesterol no sangue, contribuempara o desenvolvimento de outrosmales, como o entupimentodas veias. Caso a passagem do sangue seja obstruída, pode faltar oxigenação para o coração, levando-o a um estado de sofrimento agudo. Na maior parte dos casos, esse sofrimento resulta em um descompasso grave nos batimentos e pode resultar em morte súbita. Por isso, indiretamente, manter uma alimentação saudável e evitaro sedentarismo também sãoformas de prevenção da doença.