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Câncer de intestino: entenda o diagnóstico de Simony e saiba como evitar a doença

Especialista no aparelho digestivo explica como lidar com o câncer de intestino

Isabella Placeres, com supervisão de Vivian Ortiz Publicado em 04/08/2022, às 14h23

A especialista destaca a importância de realizar o exame preventivo - Instagram/@simonycantora
A especialista destaca a importância de realizar o exame preventivo - Instagram/@simonycantora

A cantora Simonyinformou, na última quarta-feira (3), que foi diagnosticada com câncer de cólon, o segundo tipo mais frequente entre as mulheres e o terceiro em homens no Brasil, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), em 2018.

Mas onde ele se desenvolve? E quais as principais causas? Para responder essas e outras perguntas, AnaMaria Digital entrevistou a médica Vanessa Prado, do Centro de Especialidades do Aparelho Digestivo do Hospital Nove de Julho e membro da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBC).

COMO SE DESENVOLVE?

Esse tipo de câncer se desenvolve no intestino grosso, sendo a maneira mais comum através de pólipos, que podem ser decorrentes de genética, alimentação, tabagismo ou doença inflamatória intestinal. Os pólipos são proliferações das células do intestino, que se multiplicam de forma “errada”, podendo virar um tumor.

Dentro da classificação de “câncer de intestino”, de acordo com a especialista, existem dois tipos: o de cólon e o de borda anal. Por meio da colonoscopia, o principal exame para reconhecer o tumor, é possível identificar de qual dos tipos se trata para, então, iniciar o melhor tratamento.

O caso da cantora Simony se enquadra no segundo, o de ânus e reto. “Ele começa localmente e pode dar íngua na virilha, gânglio ou causar sangramento na região anorretal”, explica Vanessa.

Segundo ela, o diagnóstico acontece através da colonoscopia e da biópsia local, além do toque no exame de consultório médico. “É uma lesão bem característica, como se fosse uma feridinha no ânus. Às vezes até confunde com hemorroida, mas é um tumor específico dessa região”, ressalta.

QUAIS OS SINTOMAS?

Longe do consultório médico, existem indícios desta doença que podem ser identificados em casa. São eles:
1. Anemia e fraqueza
2. Sangue nas fezes
3. Dor ao evacuar

"Às vezes, a pessoa vê sangue nas fezes e acha que vem de uma hemorroida, mas não é. Assim, sempre é importante investigar, pois pode ser algo mais simples do canal anal, como uma fissura, mas também indicar um problema mais sério”, ressalta a médica.

Aqui, um detalhe da arquitetura de seu banheiro pode fazer toda a diferença: a cor do vaso sanitário. Caso seja em tom escuro, a pessoa acaba não conseguindo ver direito a cor das fezes. “E isso é importante hoje em dia, justamente para ver se você está sangrando. Não menospreze essa questão: sangramento nas fezes é super importante”, recomenda.

TRATAMENTO E TAXA DE CURA

Diferentemente de outros cânceres, a cirurgia não é a melhor opção em um primeiro momento, quando o tratamento com radioterapia e quimioterapia costumam ser os mais indicados.

“Em alguns quimioterápicos específicos, se faz uma radioterapia que queima e diminui o tumor, o que, muitas vezes, acaba curando o paciente. Já para tumores mais avançados, o tratamento inicial costuma ser esse, mas depois se opera”, explica Vanessa.

A boa notícia é que a taxa de cura da doença é alta. Segundo a médica, a junção de um diagnóstico precoce, tumor apenas local e sem metástase - quando a doença se espalha para outras partes do corpo - tornam as chances de recuperação consideráveis.

COMO ME PREVENIR?

As mesmas medidas recomendadas para evitar a maioria das doenças também se encaixam aqui: ter uma alimentação adequada e evitar o tabagismo, o sedentarismo e a obesidade.

No entanto, a genética também é um fator muito importante quando se trata do câncer de intestino, pois uma grande porcentagem da doença está relacionada a isso. “Se você tem um irmão, pai, mãe ou avô que tiveram câncer de intestino, é importante começar a se prevenir antes ”, diz Prado.

A cirurgiã, inclusive, destaca que os exames preventivos são a peça-chave no combate ao tumor: “Geralmente, o primeiro pedido de colonoscopia começa a ser feito entre os 45 e 50 anos do paciente, mas se ele tiver algum parente próximo que teve um tumor de intestino, o ideal é procurar o médico antes.”

Ela ressalta ainda que a identificação por colonoscopia é específica para o câncer de intestino e, por não ser um exame comumente pedido por médicos, é importante estar atento aos demais sinais e realizar o procedimento quando recomendado.

“A colonoscopia é um exame seguro, porém invasivo, que não costuma ser um pedido de rotina, como o ultrassom. Então, se não tiver nenhum sintoma, não se pede esse exame. Por isso, é importante ver na consulta a questão da hereditariedade”, revela.