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Câncer de mama: é seguro congelar os óvulos durante o tratamento?

Especialista em infertilidade de alta complexidade, Paula Fettback alerta, ainda, para a importância do autoexame e da avaliação periódica preventiva

Da Redação Publicado em 09/10/2021, às 15h30

O tratamento pode afetar a fertilidade da mulher? - Pixabay
O tratamento pode afetar a fertilidade da mulher? - Pixabay

Com exceção dos tumores de pele não melanoma, o câncer de mama em mulheres é o mais frequente em todas as regiões brasileiras, conforme apontam os dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca). É importante destacar que a patologia pode se desenvolver em mulheres de todas as idades. Há, porém, alguns mitos relacionados ao tema quando associado à fertilidade que precisam ser esclarecidos.

Para a ginecologista Paula Fettback, um dos pontos mais importantes sobre o câncer de mama em si é o histórico familiar. “Quando há histórico de câncer de mama na família, principalmente em parentes de primeiro grau, é muito importante que a paciente compartilhe essa informação com seu ginecologista para, em conjunto, decidirem a data de início de uma avaliação periódica preventiva”, diz ela à AnaMaria Digital.

Paula se vê diante de mitos que chegam ao consultório em forma de preocupação das pacientes. Algumas das afirmações ela esclarece a seguir:

É possível realizar o sonho de engravidar mesmo após o tratamento de câncer de mama
VERDADE
. Não dá para negar que, em muitas pacientes, o tratamento de quimioterapia pode resultar em menopausa precoce, com a consequente falência ovariana. Muitas mulheres, porém, têm encontrado no congelamento de óvulos a solução para não desistirem do sonho de engravidar. É muito importante, inclusive que, diante de um diagnóstico de câncer de mama, o mastologista ou o oncologista apresentem à paciente a opção do congelamento.

Congelar os óvulos atrasa o tratamento
MITO
. Hoje, é possível induzir a ovulação - momento em que é feita a coleta de óvulos - em qualquer fase do ciclo menstrual de uma mulher. Isso quer dizer que, tão logo ela receba o diagnóstico, é possível iniciar o procedimento, que dura entre 10 e 15 dias. Existem, inclusive, protocolos com métodos e medicamentos específicos para pacientes oncológicas.

É preciso esperar o período de remissão do câncer para engravidar
MITO. Essa não é uma regra. A situação varia de mulher para mulher. Já acompanhei pacientes que engravidaram após um ano de tratamento contra o câncer de mama. Outras, por desejo, necessidade ou precaução, esperam os cinco anos de remissão. Vale destacar, porém, que os óvulos podem ficar congelados por tempo indeterminado, o que alivia bastante a pressão sobre a mulher por uma decisão imediata sobre engravidar ou não.

Os hormônios para o tratamento de congelamento podem agravar o câncer de mama
MITO. Isso, quando se utiliza um inibidor de aromatase, que é uma medicação que mantém baixos os níveis hormonais do estradiol, que é o mais perigoso durante toda a indução. Para fazer a maturação do óvulo, também utiliza-se uma medicação bastante específica, reduzindo o estímulo hormonal prolongado. Além disso, mesmo sendo feito com uma dose elevada de medicamentos, o tratamento de congelamento de óvulos não oferece risco às pacientes oncológicas por ser realizado em um curto espaço de tempo.

Com relação ao câncer de mama, Fettback alerta para a importância do autoexame. “Quanto antes se descobre um câncer de mama, maiores são as chances de a paciente ser submetida a um tratamento menos agressivo. Por isso, é tão importante o autoexame”, explica. “A mulher precisa conhecer o próprio corpo. A hora do banho é um bom momento para isso. É preciso se olhar no espelho, observar e apalpar as mamas e a axila para identificar possíveis alterações na pele ou a presença de algum nódulo ou secreções no bico do seio. Qualquer aspecto anormal deve ser imediatamente reportado a um médico”, completa.