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Chip da beleza ou implante hormonal para tratamento de doenças? Veja as principais respostas

Veja quais são as indicações adequadas do implante de gestrinona, conhecido como chip da beleza

Redação Publicado em 03/06/2023, às 14h30

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Drew Dizzy/Unsplash
Drew Dizzy/Unsplash

AnaMaria Digital procurou o ginecologista e obstetra Igor Padovesi, com forte atuação na área dos implantes hormonais e vasta experiência em cirurgias de endometriose, para responder as principais dúvidas e detalhar as corretas indicações do implante, diante da recente proibição do Conselho Federal de Medicina (CFM) da prescrição de esteroides androgênicos e anabolizantes com finalidade estética, ganho de massa muscular e melhora de desempenho esportivo. Entenda!

O que é a gestrinona e para que ela serve?

A gestrinona não é um “chip da beleza”. Ela é um hormônio esteroide sintético, que serve como alternativa de tratamento ginecológico para condições como endometriose, miomas, problemas menstruais (cólica e fluxo intenso) e TPM, especialmente pra mulheres que não se adaptaram aos tratamentos convencionais.

Ela é cercada de polêmicas justamente por ser desenvolvida em farmácias de manipulação e não na indústria farmacêutica convencional, além de não ter estudos controlados de longo prazo e com o devido rigor científico que garanta sua segurança. De maneira geral, os produtos manipulados não são recomendados pelas sociedades médicas tradicionais, por não seguirem o mesmo rigor de controle de produção, não terem bula, etc.

Qual é o atrativo estético que seduz as consumidoras?

O apelo de “chip da beleza” se deve ao fato de que a gestrinona tem um efeito colateral de aumentar a ação da testosterona natural da mulher, provocando um efeito anabólico que leva a ganho de massa magra e perda de gordura. Esse aumento da testosterona também causa maior disposição, desempenho físico e melhora da libido.

O grande apelo da gestrinona, que a torna única, é o efeito exatamente oposto ao dos anticoncepcionais orais: em mulheres tomando pílulas, ocorre aumento de uma proteína no sangue chamada SHBG, que se liga à testosterona reduzindo a fração livre do hormônio. Essa redução da testosterona causa melhora da pele (oleosidade e acne), mas, por outro lado, pode causar piora significativa da libido e dificuldade para ganho de massa magra.

Já com a gestrinona, as menstruações são bloqueadas de forma semelhante, mas ocorre o contrário com a SHBG (que é reduzida expressivamente), aumentando, então, a fração livre da testosterona natural.

E quais são os malefícios que estimulam as polêmicas no uso?

Se, por um lado a gestrinona promove os efeitos que acabo de citar, que podem ser vistos como positivos, por outro, ela também pode trazer consigo os efeitos negativos naturais do aumento da testosterona na mulher, como piora da oleosidade da pele, acne, queda de cabelo, piora do perfil de colesterol e menos frequentemente, aumento do clitóris e mudança da voz.

O apelo do emagrecimento também chama consumidoras. Isso é real?

Não. Inclusive, pode até gerar elevação de peso, pois, por acelerar o metabolismo corporal, a fome pode aumentar e, em mulheres sedentárias e com hábitos alimentares ruins, essa combinação pode, sim, levar ao ganho de peso e à retenção de líquido. A promessa de melhora na relação músculo/gordura da gestrinona depende totalmente da prática constante de atividade física e de uma alimentação adequada.

Os implantes de gestrinona são famosos. Mas quais outros implantes hormonais existem?

Existem três diferentes tipos de implante hormonal: de gestrinona, estradiol e testosterona. Os implantes de estradiol e testosterona são usados principalmente para tratamento da menopausa, principalmente nos EUA na última década, com excelentes resultados.

Em que situações o implante hormonal é medicamente recomendável?

Os implantes são essencialmente uma via de tratamento hormonal, utilizados principalmente para mulheres na menopausa. Os hormônios administrados na forma de implantes também podem ser utilizados por outras vias, como na forma oral ou transdérmica. Porém, por serem implantáveis, sem depender de uso diário, tendem a levar a melhores resultados.

E já se sabe que na reposição hormonal da menopausa, quando os hormônios são administrados por via oral, o risco de trombose é maior (embora ainda baixo de modo geral). Por isso é sempre preferível administrar os hormônios por alguma via não-oral (ex: por via transdérmica, vaginal, ou na forma de implantes).

Nos tratamentos com finalidade médica, qual o prazo para que resultados apareçam?

No caso da reposição hormonal da menopausa com implantes de estradiol + testosterona, os principais sintomas (calorões, insônia, alterações do humor, piora da libido, fadiga, alterações da memória, ressecamento da pele) tendem a desaparecer já nas primeiras semanas. No caso do implante de gestrinona, a suspensão das menstruações e melhora dos sintomas de cólicas menstruais e TPM pode demorar um pouco mais, de 1 a 2 meses.

Já o efeito estético, que não deve ser a indicação primária, mas é fato que muitas pessoas também buscam, acontece um pouco mais lentamente. Recomendamos dar um prazo mínimo de 3 a 4 meses para repetir o exame de bioimpedância, que sempre documenta a melhora da composição corporal.