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Como ajudar alguém com depressão? Aprenda como acolher o próximo

Amor, empatia e respeito são essenciais no tratamento acolhedor

Lígia Menezes Publicado em 24/10/2020, às 08h00

Há de se considerar que algumas necessidades apenas um profissional poderá sanar - Free-Photos/Pixabay
Há de se considerar que algumas necessidades apenas um profissional poderá sanar - Free-Photos/Pixabay

O Brasil é o país com a maior taxa de pessoas com depressão da América Latina. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 5,8% dos brasileiros têm depressão. Estima-se ainda que entre 20% e 25% da população já teve, tem ou ainda sofrerá com ela. 

Por isso, estar bem informado sobre o tema é fundamental tanto para quem se encontra nessa situação quanto para quem tem pessoas queridas sofrendo com a doença e busca meios para ajudar. 

“O mais importante é ouvir, acolher, buscar conhecimento sobre esse mal, e não agir de acordo com o senso comum, dizendo coisas do tipo ‘vai ficar tudo bem’. Dê apoio com honestidade. Muitas vezes, a frase ‘Eu não sei o que falar, mas eu estou nessa com você’ pode ser a melhor ajuda”, explica Louise Quintella, psicóloga especialista em terapia cognitivo-comportamental (@queridapsicologa). 

Também é importante incentivar a procura por um psicólogo e fazer uso dos medicamentos quando prescrito por um psiquiatra. Confira mais dicas da especialista.

OUÇA E ACOLHA, SEM JULGAR 
Por mais que uma pessoa com depressão diga que não quer conversar, persista. Uma hora o silêncio será rompido e essa é a sua chance para ouvir, acolher e apoiar, sem julgamentos.

INCENTIVE A PROCURAR AJUDA PROFISSIONAL
Há de se considerar que algumas necessidades apenas um profissional poderá sanar. Inicialmente, a pessoa se recusará a procurar orientação médica, mas é preciso insistir. Sugira um bom psiquiatra, diga que irá marcar a consulta e a acompanhe para que ela tenha maior segurança. Falar sobre a depressão ajuda no processo para aceitar ajuda.

COMPREENDA A DEPRESSÃO 
Não se deixe levar pelo preconceito. A depressão é uma doença grave e é preciso compreender e respeitar quem passa por isso. Com essa informação bem estabelecida, a chance de perder a paciência ou desacreditar de quem tem a doença é menor. Entenda também que os melhores esforços não terão efeito sem ajuda médica especializada. 

INCENTIVE A PRÁTICA DE ESPORTES E ATIVIDADES PRAZEROSAS 
A prática de esportes também é uma forte aliada. Paralelo ao tratamento médico, a atividade física traz significativas melhoras para o humor e a qualidade de vida. Os esportes coletivos são uma ótima alternativa, também, para ampliar a sociabilização. Ioga, pilates e meditação ajudam com autoconhecimento e autoaceitação.

UTILIZE O REFORÇO POSITIVO 
Quem está deprimido, normalmente, questiona o motivo de merecer a preocupação de alguém ou de precisar sair da cama ou de casa. Quem se propõe a ajudar precisa aprender a oferecer um reforço positivo. Pontuar e elogiar pequenas realizações do cotidiano é uma forma de ajudar a vencer pequenas metas. 

RESPEITE O SILÊNCIO NECESSÁRIO 
Um abraço e a companhia silenciosa, algumas vezes, é o suficiente para ajudar. A solidão interior poderá ser compassada com a presença de alguém querido, ainda que o corpo e a mente não encontrem forças para conquistar algo a mais em determinado momento. Dentro dessa lógica, saber a hora de afastar-se um pouco e dar o espaço necessário para que a pessoas respire é importante, desde que não haja risco eminente.

NÃO IGNORE INDÍCIOS SUICIDAS 
Pesquisas indicam ainda que 50% das pessoas que tentam o suicídio realmente conseguem tirar a própria vida, e 35% das tentativas que não deram certo são repetidas em até um ano. Por isso, nunca ignore esse pedido de ajuda. Incentive a pessoa a buscar apoio médico urgente. Se possível, converse com o especialista antes, deixando essa possibilidade clara para ele. 

DESENCORAJE O CONSUMO DE DROGAS E ÁLCOOL 
Essas drogas funcionam como válvulas de escapa e podem piorar o quadro, principalmente, se a pessoa estiver tomando remédios. Incentive a pessoa a se distrair de outra forma.

SINTOMAS 

  • Humor instável com irritabilidade, tristeza, ansiedade e angústia oscilando entre si; Alteração de sono e/ou apetite;
  • Sensação de cansaço desde o momento em que acorda e muito desânimo; 
  • Desinteresse pelas coisas; 
  • Sensação de vazio, de falta de sentido na vida; 
  • Baixa autoestima;
  • Dificuldade de concentração e raciocínio lento;
  • Pessimismo e sentimento de culpa.