Como saber se meu ronco é do tipo mais perigoso? Separamos algumas dicas

Quando é mais alto, pode estar causando obstrução importante a passagem do ar, podendo indicar apneia do sono

*Dra Maura Neves, colunista de AnaMaria Publicado terça 30 março, 2021

Quando é mais alto, pode estar causando obstrução importante a passagem do ar, podendo indicar apneia do sono
Acordar cansado pode ser um sintoma de que algo está errado - Pixabay

Hoje vamos falar sobre o ronco noturno e as doenças decorrentes dele. Isso porque, muito além das brincadeiras entre amigos, sobre quem ronca mais, ele pode esconder algumas doenças sérias e piorar outros problemas de saúde. Para entender melhor, vamos por etapas. 

O QUE CAUSA O RONCO?
A culpa é do estreitamento das vias aéreas superiores durante a passagem do ar. Esse estreitamento causa vibração de estruturas como o palato mole (conhecido com céu da boca), úvula, língua, amígdalas e faringe, gerando o barulho que identificamos como ronco.  

É NORMAL?
Sim, se surgir em algumas posições específicas, como deitar de costas (decúbito dorsal), quando se está mais cansado ou após uso de bebidas alcoólicas. Isso acontece porque temos um relaxamento muscular com queda da língua para trás e redução da passagem do ar, o que gera o ruído. 

Quando ele acontece todos os dias, em outras posições ou é mais alto denota obstrução importante a passagem do ar, podendo indicar a síndrome da apnéia do sono. 

E ESSA TAL APNEIA DO SONO, O QUE É?
Quando falo o diagnóstico de apneia do sono ou suspeita dela quero que o paciente entenda que o problema é maior do que o barulho gerado pelo ronco. Ele é apenas a ponta do “iceberg”

Como expliquei, o ronco é resultado da obstrução a passagem do ar, que causa uma pausa respiratória. Por definição, essa pausa respiratória gerada pela obstrução deve durar mais do que 10 segundos.

Na maioria das vezes ocorre repetidamente (o número de vezes depende da gravidade da doença) durante o sono, o que reduz a oxigenação sanguínea e impacta a qualidade do sono e função cardíaca, entre outros problemas. 

Na apneia do sono, o roncador para de respirar várias vezes durante a noite por conta da obstrução. Ou seja, o ronco não é sinal de sono reparador, muito pelo contrário, é um sinal de obstrução a passagem e ar e hipoxia. 

COMO SABER SE TENHO?
Alguns sintomas sugerem a ocorrência de mais do que apenas ronco. Entre eles: 

  • Boca seca ao acordar;
  • Pausas respiratórias presenciadas durante o sono, com ou sem sons sufocantes  e sensação de sufocamento;
  • Sonolência diurna ou fadiga;
  • Sono fragmentado;
  • Dor de cabeça matinal;
  • Nocturia (acordar durante a noite para ir ao banheiro urinar);
  • Dificuldade na concentração e perda de memória;
  • Irritabilidade.

Para ter certeza do diagnóstico, antes de mais nada, é necessária avaliação específica com médico otorrinolaringologista. O profissional vai examinar nariz, boca e garganta em busca de pontos de obstrução a passagem do ar. 
Alem disso, existe um exame específico do sono chamado de polissonografia. Ele ajuda a confirmar a presença de apneia, determinar sua gravidade, guiar o tratamento mais adequado e diferenciar a presença de outras doenças do sono.

Cada caso terá um tratamento mais adequado, que pode envolver ou não uma cirurgia, uso de aparelhos para dormir melhor e até fonoterapia para fortalecimento da musculatura da via respiratória. 

DÁ PARA PREVENIR O RONCO?
Alguns fatores funcionam como agravantes do problema. Além da posição do sono e uso de bebidas alcoólicas, obesidade, uso de remédios para dormir ou de calmantes, obstrução nasal e excessos alimentares antes de ir para a cama pioram os sintomas. 

Importante frisar que a apneia do sono é uma doença crônica que deve ser tratada e seguida pelo médico. Quando não tratada adequadamente, ela trz grandes impactos ao corpo em longo prazo. 

As apneias repetidas, hipóxia intermitente e desequilíbrio do sistema nervoso aumentam o risco de desenvolver aterosclerose, hipertensão arterial sistêmica, insuficiência coronariana, arritmias e acidente vascular encefálico, sem falar na redução da qualidade de vida e desempenho social e no trabalho. 

Portanto, se você ou seu parceiro tem esses sintomas, vale uma avaliação médica! 

*DRA. MAURA NEVES é formada na Medicina pela Faculdade de Medicina da USP. Residência em Otorrinolaringologia pelo HC- FMUSP. Fellow em Cirurgia Endoscópica pelo HC- FMUSP. Doutorado pela Faculdade de Medicina da USP. Médica Assistente do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo -SP. Aqui em AnaMaria, trará quinzenalmente um conteúdo novo sobre a saúde do ouvido, nariz e garganta. Instagram: @dra.mauraneves

Último acesso: 18 Apr 2021 - 06:42:07 (1143050).