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Bem-estar e Saúde / Sinta & liga

Conselho de amiga: entenda quando o amor sair à francesa

Entenda quando o acontece quando o amor sai à francesa

Da Redação Publicado em 14/12/2019, às 14h00

E vamos levando a vida, achando que tudo bem se não há mais beijo de boa noite, se esquecemos a marca de chocolate preferido ou não reparamos num olhar triste, que lacrimeja meio sem explicação - Banco de Imagem/Getty Images
E vamos levando a vida, achando que tudo bem se não há mais beijo de boa noite, se esquecemos a marca de chocolate preferido ou não reparamos num olhar triste, que lacrimeja meio sem explicação - Banco de Imagem/Getty Images

Os sinais são sutis e aparecem aos poucos. Vão se acomodando tão devagar que é normal não notarmos nos primeiros tempos. Mas quando nos damos conta, o amor já escapou pela janela. Porque amor é um bichinho meio difícil de se adaptar. 

Ele gosta de começos, de conquistas e declarações. Gosta um pouco de altos e baixos, de meia-luz e meias-palavras. É louco por novidades e vai ficando meio adoentado quando tem que se conformar com a calmaria de uma rotina. Com a gaiola. 

A gente nem faz por mal, mas é tanta conta para pagar, tanto assunto roubando nossa atenção, filhos e coisa e tal, que já fazemos do amor favas contadas. Está lá no currículo: fiz faculdade, comprei uma casa e me apaixonei. 

E vamos levando a vida, achando que tudo bem se não há mais beijo de boa noite, se esquecemos a marca de chocolate preferido ou não reparamos num olhar triste, que lacrimeja meio sem explicação. 

É quando o ronco do outro já não parece mais uma canção de ninar, quando você percebe que ouviu o discurso inteiro assentindo com a cabeça, mas não escutou uma palavra porque estava tentando ver a novela, ou quando sobram críticas e rareiam os elogios, que vamos ganhando a certeza de que o amor já não mora mais ali. 

Ele pegou a estrada e levou na bagagem a admiração, o respeito e a vontade de compartilhar. Na maioria das vezes, não volta mais: dificilmente o amor revisita os mesmos corações, a menos que tenha deixado por lá alguma semente. 

Às vezes, ele sai à francesa, sem muito alarde. Não tem briga, discussão e nem uma terceira pessoa para ser declarada culpada. Também não há apenas uma vítima, mas duas. Igualmente negligentes e negligenciadas. 

Justamente a falta dessa materialidade que confunde a gente. E vamos travestindo o desamor com companheirismo, com respeito, com “é assim mesmo”. Fingindo acreditar que amor é sentimento que vai ficando domesticado com o passar dos anos, quando, na verdade, ele já tomou outro rumo e só deixou saudade.

WAL REIS é jornalista e profissional de comunicação corporativa. Escreve sobre comportamento e coisas da vida: www.walreisemoutraspalavras.com.br/blog/