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Consumo de álcool: por que é melhor você ingerir menos bebidas alcoólicas?

Precisamos reconsiderar o nosso entendimento de beber socialmente

*Bianca Vilela, colunista de AnaMaria Publicado em 10/03/2021, às 16h21 - Atualizado às 16h33

Você realmente precisa do álcool para se divertir? - Pixabay
Você realmente precisa do álcool para se divertir? - Pixabay

Me conta uma coisa: em um exame admissional ou naquela entrevista antes de doar sangue, quando perguntam sobre consumo de álcool, você diz que “bebe socialmente”?

Se respondeu “sim”, o que é “beber socialmente” para você? É ingerir uma latinha ou uma caixa de cerveja? Uma taça ou uma garrafa de vinho? E com qual frequência, em um evento especial, como um casamento, ou em todos os finais de semana?

Em minhas palestras, a questão do álcool está sempre presente, já que ele pode afetar sua vida, sua produtividade e seu convívio social.

Outro dia fui impactada por uma iniciativa nas redes sociais, que propunha como uma das metas de bem-estar para 2021 a redução no consumo de álcool. Achei o tema extremamente pertinente, pois já é hora de revermos esse hábito!

CONSUMO EM ALTA EM 2020
Uma pesquisa realizada pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em 33 países, mostrou que 42% dos entrevistados no Brasil relataram alto consumo de álcool em 2020, durante a pandemia da COVID-19.

Um outro estudo, desta vez realizado nos Estados Unidos e publicado no International American Journal of Drug and Alcohol Abuse, revelou que a ingestão de bebidas alcoólicas aumentava a cada semana de lockdown. A pesquisa concluiu que as chances de consumo excessivo de álcool entre os “bebedores compulsivos” (homens que consomem 5 bebidas ou mais em 2 horas e mulheres que ingerem 4 bebidas ou mais no mesmo período) aumentaram em 19% a cada sete dias de isolamento.

Detalhe: em tempo de isolamento social, beber em casa não se enquadra como “beber socialmente”, certo? Então, se essa é a sua justificativa, vale a reflexão! 

EFEITOS NO CORPO
Veja que a questão não é tomar um chopinho ou um pouco de vinho enquanto bate papo, mas sim o excesso desse consumo. Da mesma forma que devemos ter atenção ao que comemos, precisamos cuidar do que bebemos. E não estou falando apenas em consumo calórico, com aquele papo de que uma cerveja equivale a um pãozinho, mas de efeitos nocivos à sua saúde.

De acordo com a OPAS, o consumo excessivo de álcool é responsável por aproximadamente 3 milhões de mortes em todo o mundo, colaborando para mais de 200 doenças e lesões, além de transtornos mentais e comportamentais.

PARECE, MAS NÃO É
Por mais que possa ser relaxante no momento, a bebida ataca brutalmente o nosso corpo. A tal ressaca, que pode até parecer um motivo de brincadeira entre os amigos, na verdade é uma batalha do seu organismo contra as toxinas que você colocou dentro dele. 

Nesse processo, seu fígado e pâncreas são sobrecarregados. Além disso, enquanto dedicam mais esforços para eliminar o álcool do organismo, acabam deixando outras áreas do corpo de lado, o que pode resultar em quadros de hipoglicemia (aquela sensação de fraqueza, sabe?!), por exemplo.

A longo prazo, podemos falar ainda em malefícios não apenas para a saúde desses órgãos, como também do estômago e coração, além de prejudicar o sistema imunológico como um todo.

ÁLCOOL E A QUALIDADE DO SONO
Tem mais uma coisa: se você faz parte do grupo de pessoas que consome álcool achando que vai dormir melhor, saia dessa! Não me canso de falar da importância de dormir bem para garantir o bom funcionamento do nosso organismo, mas ingerir bebidas alcóolicas está longe de ser indicado para isso.

Um estudo americano apontou que a alta ingestão de álcool é capaz de diminuir a recuperação fisiológica que o sono normalmente proporciona em 39,2%, enquanto o consumo moderado da bebida reduz em 24%.

Mas não precisa de muito para sofrer os impactos negativos do álcool na hora de dormir. Uma pequena dose já é suficiente para diminuir o potencial restaurador do sono em 9,3%.

PERDA DE RENDIMENTO
Se esses fatores não forem suficientes, lembre-se ainda que a bebida vai afetar diretamente no rendimento do seu treino. Com certeza, se você já sentiu a moleza do dia seguinte após uma boa festa, e a sensação de estrago generalizado, imagina como ficará o seu treino? Claro, se o corpo não está funcionando em harmonia, como o rendimento será o mesmo?

Sem contar que o consumo de álcool compromete o desenvolvimento de músculos e auxilia no ganho de peso. Então, não importa o seu objetivo (ganho de força muscular, emagrecimento ou performance), o consumo de bebidas alcoólicas em excesso vai prejudicar os seus resultados.

CONCLUSÃO
Curtir um drink ou uma chope é uma coisa, mas o consumo de álcool em excesso pode ser extremamente prejudicial. Pense bem: você bebe por qual motivo? Da mesma forma que cuidamos e refletimos sobre nossa fome e o que comemos, é preciso entender os gatilhos que nos levam a beber e até onde isso é saudável para nós. Então, que tal adiantar um pouquinho a saideira e entender o que, de fato, o seu corpo está pedindo?

Não deixe de assistir ao vídeo que está disponível nas redes sociais da AnaMaria, hein? Nos vemos lá!!

*BIANCA VILELA é mestre em fisiologia do exercício pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), palestrante e produtora de conteúdo. Desenvolve programas de saúde in company em grandes empresas por todo o país há mais de 15 anos. Na AnaMaria fala sobre saúde no trabalho, produtividade e mudança de hábitos. Instagram: @biancavilelaoficial

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