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Crianças e adolescentes têm pressão alta, sim!

É possível que crianças e adolescentes tenham pressão alta

Da Redação Publicado em 27/07/2019, às 19h00 - Atualizado em 18/08/2019, às 10h56

A hipertensão é um grave problema de saúde pública em todo o mundo - Divulgação
A hipertensão é um grave problema de saúde pública em todo o mundo - Divulgação

"Meu filho de 11 anos está acima do peso e foi diagnosticado com pressão alta. Fiquei assustada... Esse não é um mal apenas de adultos?” D. M., por e-mail

A hipertensão é um grave problema de saúde pública em todo o mundo. Nenhuma outra doença crônica é tão comum. Estima-se que entre 25 e 30% da população mundial adulta seja portadora de pressão alta. 

Muito associada pelos leigos com a velhice, na verdade, sabe-se que em um número considerável de casos ela se inicia ainda na infância ou na adolescência.  A maior parte dos hipertensos não tem uma causa única evidente para o seu aparecimento e, por isso, chamamos o problema de “primário”. 

Uma parcela pequena da população pode ter a forma “secundária”, em que uma causa única é identificada, tratada e o quadro eliminado (“curado”). É fundamental que os médicos, incluindo o pediatra, fiquem atentos para a medida frequente e adequada da pressão.

Apenas nos últimos 40 anos, a questão da hipertensão recebeu a devida atenção na população de crianças e adolescentes, com a publicação de normas e diretrizes para sua avaliação. Suspeitando-se do mal, uma investigação específica deve ser realizada, levando em conta a idade da criança e o grau de elevação da pressão. 

Só assim o tratamento adequado pode ser realizado. Além das causas, é preciso também se preocupar com as consequências da doença sobre os chamados “órgãos-alvo” (coração, cérebro, rins, retina, entre outros). 

Situações como o infarto agudo do miocárdio (IAM) e o acidente vascular cerebral (AVC) têm o problema como um importante fator de risco. Encontrar precocemente os casos de elevação persistente da pressão permite realizar adequadamente a investigação e o tratamento. 

O resultado é a diminuição de mortes e outros males graves, especialmente os cardiovasculares.

ABEL MAGALHÃES é cardiologista e clínico geral. Graduado em medicina e residência em clínica médica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro; mestrado em ciências da reabilitação pela Rede SARAH; mestrado e doutorado em cardiologia pela Faculdade de Medicina da UFRJ.