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Crônica de Xênia: Quem ama à moda antiga?

Em tempos de amores passageiros, um encontro verdadeiro de almas emociona

Redação Publicado em 12/11/2015, às 10h00 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h44

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Estava sentada, esperando para ser atendida, quando ele entrou: um homem que aparentava ter 60 e poucos anos, magro, cabelo totalmente branco, comprido, preso por um rabo de cavalo jogado nas costas. Tinha a fisionomia severa, um tanto ansioso. O que me chamou a atenção foi seu cabelo comprido, já que, normalmente, homens nessa faixa etária são mais conservadores. 
Como eu gosto de saber das pessoas, como desculpa, perguntei que horas seriam. Ele me olhou sério, como quem diz “não me incomode”. Mas respondeu não saber e saiu da sala. Voltou logo em seguida para me dizer que eram 12h45. E, de repente, parou na minha frente, rígido, e me perguntou: “Para a senhora, qual é a maior dor na vida?”. Pega de surpresa, fiquei sem resposta. Disse: “Sei lá, são tantas as dores da vida...”. Com o rosto crispado, parecendo ter envelhecido décadas em minutos, o homem disse: “Senhora, a dor maior do mundo eu estou vivendo há quatro meses. Não existe dor pior do que perder a companheira que caminhou comigo por 40 anos. Ela foi minha amada, minha amiga, minha amante, minha vida. Agora ela se foi. Senhora, até um insignificante docinho nós repartíamos. Tinha saudades dela durante o dia. Então, eu telefonava três ou quatro vezes só para ouvir a sua voz. Isso por 40 anos!”. 
Fiquei parada com os olhos cheios de lágrimas. Ele me lançou um olhar indescritível, e eu me calei diante daquele homem raro, que devotou a vida a amar uma mulher. Como ele entrou, ele saiu: carregando consigo a imensa dor. E me fez acreditar ainda no amor. 







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