AnaMaria

Dormir menos pode ser um mau negócio

Boas horas de sono são fundamentais para o cérebro. Se isso não ocorre, os acontecimentos do dia não são bem consolidados

Paulo Camiz Publicado em 20/02/2018, às 16h00 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h45

Dormir menos pode ser um mau negócio - iStock
Dormir menos pode ser um mau negócio - iStock

"Ultimamente, tenho dormido poucas horas. É da idade?”
M. S., por e-mail

Ainda não está totalmente claro por parte da ciência por que com o passar da idade dormimos menos, mas é algo que ocorre naturalmente no organismo. Mas o que pode acontecer no nosso corpo se ficarmos muito tempo sem dormir? Além de uma alteração na produção de
hormônios que ocorre durante o sono, o que se vê no dia a dia é uma irritabilidade excessiva, uma deficiência de atenção, sonolência, alterações de memória. Lembre-se de que a falta de atenção e cansaço podem levar a diversos problemas, como acidentes automobilísticos e até mesmo facilitar as quedas. Boas horas de sono são fundamentais para o cérebro. Se isso não ocorre, os acontecimentos do dia não são bem consolidados. O sono é fundamental para o armazenamento de informações e para manter a atenção no dia seguinte. Se os acontecimentos não são bem fixados, obviamente a memória será prejudicada. Até a fome é alterada: o mecanismo
hormonal relacionado à produção de leptina, um hormônio que inibe o apetite e é sintetizado durante o sono, é diminuído. Há uma alta na produção de grelina, que aumenta a fome. Em geral, há uma tendência a comer alimentos mais calóricos, numa tentativa de compensar a falta de energia, ou ricos em carboidratos, que acabam engordando mais. A pessoa ficar num estado de não relaxamento pode sobrecarregar o aparelho cardiocirculatório com liberação maior de adrenalina. Isso se manifesta na forma de uma ansiedade, podendo deixar a pessoa
mais agressiva, com repercussão negativa em sua vida social. Procure identificar se algum desses sintomas listados acima estão ocorrendo e, se perceber alterações que estejam atrapalhando o rendimento no dia a dia, procure um profissional capacitado.

PAULO CAMIZ é geriatra e professor da Faculdade de Medicina da USP. É também idealizador do projeto “Mente Turbinada”, que desenvolve exercícios para o cérebro. Para ler outros artigos escritos por ele, acesse ogeriatra.com.br

Envie suas perguntas para Paulo Camiz pelo e-mail anamaria@maisleitor.com.br