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Intolerância à lactose: por que é tão comum em mulheres após os 50 anos?

AnaMaria conversou com a gastroenterologista Julia Vieira Kuster sobre a intolerância à lactose

Leite é fonte de cálcio, mineral essencial para a formação e manutenção da saúde dos ossos, e precisa ser substituído por outros alimentos. - Freepik
Leite é fonte de cálcio, mineral essencial para a formação e manutenção da saúde dos ossos, e precisa ser substituído por outros alimentos. - Freepik

A intolerância à lactose é um problema frequentemente associado às crianças e bebês. Porém, estes estão longe de ser os únicos afetados. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o problema atinge 42% da população mundial.

Entre esses, estão muitas mulheres - principalmente as mais velhas, acima dos 50 anos. Mas por quê? Uma série de fatores explicam o desenvolvimento da condição. Para entender, AnaMaria conversou com a gastroenterologista Julia Vieira Kuster, do CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”.

A intolerância à lactose

Inicialmente, é necessário entender o problema: a intolerância à lactose é constituída pela incapacidade do organismo de digerir o açúcar presente no leite, a lactose. Alimentos derivados do leite, como manteiga, queijo e requeijão, também causam a reação adversa do corpo.

A hipolactasia, como a patologia também é conhecida, ocorre quando o corpo não produz lactase, a enzima responsável pela digestão da lactose, suficiente. A resposta do sistema imunológico causa alguns sintomas, como:

  • Dor abdominal;
  • Inchaço;
  • Gases;
  • Diarreia;
  • Náuseas.

Também vale ressaltar a diferença entre a intolerância à lactose e alergia alimentar. Apesar de sintomas em comum, os dois problemas são distintos. No Brasil, aproximadamente 8% das crianças com até dois anos de idade e 2% dos adultos sofrem com algum tipo de alergia alimentar, de acordo com pesquisa da Organização Mundial de Alergia (World Allergy Organization, a WAO).

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Tipos de intolerância à lactose

A intolerância à lactose é dividida em três classificações distintas:

  • Deficiência congênita: quando a ausência ou deficiência da lactase é genética. Nela, a criança nasce sem a capacidade de produzir a lactase - consequentemente, não digere a lactose.
  • Deficiência primária: é a redução natural da lactase no corpo ao longo da vida. À medida que o envelhecimento começa, o organismo passa a produzi-la em menor quantidade. 
  • Deficiência secundária – a produção da enzima é afetada por algum quadro prévio gastrointestinal, como parasitoses, supercrescimento bacteriano, disbiose - onde há um mau funcionamento da enzima e, assim, a má digestão da lactose. Nesses casos, a intolerância pode ser temporária e desaparecer com o controle da doença de base.

Ou seja, o desenvolvimento da intolerância à lactose no decorrer da vida é possível - e de maneira bem comum. Isso significa que, com o avanço da idade, a patologia torna-se mais comum. Porém, a queda não é padronizada: enquanto alguns não são afetados, outros sofrem após um simples copo de leite.

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E fatores genéticos também geram predisposição: de acordo com o levantamento 'O perfil do DNA do brasileiro na saúde e bem-estar', do laboratório Genera, 51% da população do Brasil pode desenvolver a intolerância à lactose. A frequência do país foi considerada intermediária.

Em populações com origem no norte da Europa e Europa Ocidental foi de 9%. Na região central da Itália,  83%. Em pessoas com origens na Nigéria e leste asiático, o dado é de 100%. A intolerância à lactose é mais comum em negros e pessoas de ascendência africana, asiática, hispânica e indígena americana. De acodo com Kuster, a ciência ainda não encontrou uma explicação exata para o fenômeno.

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Alguns grupos étnicos e raciais são mais afetados pela intolerância à lactose. - Foto: Cottonbro Studio/Pexels

E a relação entre intolerância à lactose e as mulheres?

De acordo com o DataFolha, as mulheres representam 59% das pessoas afetadas pela intolerância à lactose no Brasil. Porém, também não há uma comprovação científica que explique a maior probabilidade da patologia afetar as mulheres.

Uma das teorias aponta que as mulheres têm uma maior percepção de sintomas do corpo - ao contrário dos homens, que tendem a ser mais relapsos. Por isso, buscam ajuda médica após cólicas, indisposições digestivas e outros sintomas. Assim, são diagnosticadas com mais frequência.

Outra possível explicação é a síndrome do intestino irritável, que acomete principalmente mulheres. O problema, que provoca prisão de ventre, gases, distensão abdominal e dores de barriga, gera mais consultas aos especialistas - e consequentemente, também gera mais diagnósticos de intolerância à lactose.

"Quem tem intestino irritável (independente da idade) tende a não ter uma boa digestão da lactose, porém, por problemas da sensibilidade visceral do trato gastrointestinal", explica Julia.

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O diagnóstico da intolerância à lactose

Caso você apresente sintomas ou desconfie da intolerância à lactose, é necessário procurar o gastroenterologista. O profissional poderá confirmar ou descartar a patologia, além de investigar outras possíveis causas para os problemas.

É importante seguir o tratamento recomendado pelo médico, que também deve sugerir alternativas para suprir a necessidade de cálcio, essencial para a formação e manutenção da saúde dos ossos, principalmente durante a terceira idade. Normalmente, o leite é a principal fonte do mineral.

Segundo Julia, leites vegetais, aveia, feijão e grão de bico são boas opções: "Existem também os produtos sem lactose - leite e laticínios que têm adição da enzima lactase para digestão - e que mantêm a quantidade de cálcio".