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Lave a alma

Dividir com alguém a tristeza, a mágoa e a raiva evita explosões descontroladas, revela a clareza dos fatos e nos mantém longe de doenças emocionais

Redação Publicado em 22/09/2015, às 10h00 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h44

COMPORTAMENTO 987 - SHUTTERSTOCK
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Desentendimentos, injustiças, decepções, traições... Ninguém está livre desse tipo de coisa, mas o que não dá é para ficar guardando no peito a angústia ou a dor. “É importante verbalizar os sentimentos ruins. Quando não fazemos isso, há um acúmulo de raiva e frustração que pode transbordar na hora errada e de maneira desproporcional à situação”, diz Ana Maria Rossi, psicóloga especialista em estresse.
Compartilhar um fardo ajuda a ver a questão por outro ângulo – o da observação –, o que nos permite entender melhor o episódio. Ao falar, refletimos sobre o sentimento, trazendo à luz os fatos e, assim, diminuímos o risco de injustiças. Desabafar melhora a autoestima e favorece o autocontrole. “Ao viver sem guardar tudo para si, você desenvolve o equilíbrio emocional e uma relação saudável consigo mesma”, garante Ana Maria.

Solte o verbo

O desabafo é uma arma eficaz contra os males da alma, como a depressão. Veja maneiras de se libertar de suas angústias

1) Vá aos poucos: quem tem muita dificuldade de se abrir deve fazer isso devagar, como num treino. Observe como agem as pessoas que conseguem extravasar com equilíbrio e tente imitá-las. Mas vá com calma: comece compartilhando situações menos tensas, que não exijam de você tanto autocontrole. Depois que estiver mais segura de si mesma, vá enfrentado problemas mais difíceis.

2) Espante o medo de sentir medo: o maior empecilho de conseguir se abrir para o outro é o receio de ser rejeitado ou mal interpretado. Quando o medo é exagerado, geralmente a pessoa tem baixa autoestima. A solução? Desabafar com quem você confia e sabe que não vai fazer nenhum juízo de valor sobre os seus comentários. 

3) Tenha calma, sempre: quando o assunto é delicado, a forma como você vai comunicá-lo é importante. Nesse caso, desenvolva técnicas para falar com calma e educação. Se tem pavio curto, escolha bem o momento para se abrir.

4) Aprenda com os fatos: se da última vez que você desabafou com alguém houve um mal-entendido, reflita sobre o que deixou o diálogo incômodo. O desconforto normalmente surge quando você não consegue se expressar claramente e, na tentativa de encontrar maneiras para se explicar, a conversa toma um rumo desagradável. Tente imaginar qual teria sido a melhor forma de fazer o desabafo.

Desabafar faz bem pra   tudo na vida

Com a família: Crianças e adolescentes às vezes parecem pouco envolvidos com os sentimentos dos pais, mas eles percebem, sim, quando algo não está bem. É normal eles tentarem adivinhar os motivos da situação, o que pode levá-los a fazer interpretações erradas. Por isso é importante reunir a família e falar sobre o que a tem angustiado, sempre de maneira leve.

No relacionamento: A psicóloga Dorli Kamkhagi, de São Paulo, defende que, ao desabafarem sobre alguma mágoa, a mulher ou o marido estabelecem uma relação de cumplicidade, que abre caminhos para uma troca saudável. “Ao expor seus sentimentos, a mulher, por exemplo, encoraja o marido a fazer o mesmo e isso fortalece o relacionamento”, diz Dorli.

No trabalho: Nas relações profissionais é mais delicado desabafar sobre algo, pois no ambiente de trabalho qualquer comentário facilmente se transforma numa fofoca daquelas. Como todo cuidado é pouco, a regra número um é saber com quem conversar, depois é só escolher uma boa hora e um bom lugar para isso. Outra opção é se abrir com alguém que não seja da sua empresa. 
“O importante é colocar os sentimentos para fora e não deixar que os impasses do dia a dia no serviço virem um tormento. 
As pessoas que não extravasam podem acabar reagindo com vingança, boicotando os colegas, retendo informações importantes... Isso é sempre prejudicial porque uma hora volta para ela”, explica Ana Maria Rossi.