Mal de Parkinson: tudo o que você precisa saber a respeito da doença

Especialista explica sobre os sintomas e tratamentos deste problema degenerativo

Da Redação Publicado terça 15 junho, 2021

Especialista explica sobre os sintomas e tratamentos deste problema degenerativo
O Parkinson afeta diretamente o dia a dia de quem desenvolve a enfermidade - Unsplash

O crescimento da população idosa no mundo já é percebido há muitas décadas. No Brasil, esse envelhecimento aumentou cerca de 16% nos últimos cinco anos, segundo dados do IBGE. Junto à maior expectativa de vida, vem também novos casos de transtornos neurológicos como o Mal de Parkinson, uma doença que leva à incapacitações importantes e afeta diretamente o dia a dia de quem desenvolveu a  enfermidade. 

Caracterizada por interferir diretamente nos movimentos do indivíduo, causando rigidez, tremor e bradicinesia - movimentos lentificados -, é preciso ficar atento aos sintomas iniciais para que o tratamento comece rapidamente, diminuindo, desta forma, a evolução mais rápida da doença.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Mal de Parkinson acomete 1% da população mundial com mais de 65 anos. Já no Brasil, estima-se que existam cerca de 200 mil pessoas com a doença. Para entender melhor sobre o assunto, AnaMaria Digital conversou com o geriatra Davis Taublib, do Lar Bem Estar, que contou tudo sobre a doença. Confira! 

CAUSAS
Segundo o especialista, existe muita pesquisa em torno disso. Há o fator genético, as intoxicações por contato com substâncias químicas -como os medicamentos, por exemplo-, que prejudicam o organismo e podem provocar a destruição de áreas específicas do cérebro e ocasionar a doença. 

Além disso, os traumas de repetição, como na Síndrome do Pugilista, que é uma doença neurodegenerativa progressiva causada por repetidos golpes na cabeça, também está entre as causas. 

Quando se identifica que a doença ocorre por uso de algumas medicações, pode ser reversível. Mas a maioria dos casos aparece de causas indeterminadas, caindo no grupo das doenças neurodegenerativas (em que ocorre a destruição progressiva e irreversível dos neurônios).

O geriatra alerta que é preciso se atentar às causas reversíveis: "Infelizmente, porém, ainda não temos nada comprovado para a maioria dos casos que possamos prevenir".

É POSSÍVEL MANTER AS ATIVIDADES DIÁRIAS COM O MAL DE PARKINSON?
A doença possui vários estágios. Nos níveis iniciais e moderados, as funções motora e mental possibilitam manter as atividades, mas à medida que avança, há um comprometimento progressivo.

A DOENÇA SE AGRAVA RAPIDAMENTE? 
A velocidade de progressão varia muito. O tratamento pode influenciar, assim como os recursos terapêuticos não medicamentosos, como, por exemplo, a fisioterapia.

PRINCIPAIS SINTOMAS 
O médico explica que varia a cada pessoa. Para uma senhora que socialmente joga cartas frequentemente, por exemplo, o tremor, por menor que seja, vai prejudicá-la. Não será apenas o tipo de manifestação que vai mudar a vida das pessoas, mas os hábitos do indivíduo. São eles que vão definir o impacto na qualidade de vida. 

A rigidez e a lentidão nos movimentos podem impactar na capacidade física e desportiva, tanto nas tarefas domésticas como na vida social. Pode, ainda, ocorrer declínio mental e demência, causando grave impacto no dia a dia da pessoa e da família, e ainda distúrbios de deglutição podem surgir levando a pneumonias de repetição e desnutrição.

PODE SER CONFUNDIDO COM OUTRAS DOENÇAS?
Sim! Várias doenças cursam com sintomas parkinsonianos, porém não se trata de Doença de Parkinson. O maior exemplo é o parkinsonismo medicamentoso, no caso de doenças psiquiátricas e também para distúrbios labirínticos.

TEM CURA? E TRATAMENTO?
Infelizmente, ele não tem cura. A não ser que seja causada por medicamento ou confundida com outra doença. Segundo o geriatra, existem medicações clássicas, como a levodopa associada a benserazida, por exemplo. Mas o mais antigo e efetivo continua sendo a levodopa. 

Há, ainda, indicações específicas para cirurgia, mas apenas em casos mais graves em que já não há resposta terapêutica ou quando as medicações apresentam graves flutuações de resposta com impacto na qualidade de vida ou com graves efeitos colaterais.

QUALIDADE DE VIDA 
É comum a alteração de expectativa de vida para os portadores da doença. À medida que o Mal de Parkinson avança, a qualidade vida diminui, assim como aumenta o índice de óbitos em decorrência do problema.

DIAGNÓSTICO
O diagnóstico é clínico. Ainda não existe nenhum exame complementar para a confirmação da doença. O ideal seria que, na prática da medicina de família, a doença fosse detectada e o paciente, dependendo do estágio e da demanda de decisões terapêuticas, fosse encaminhado para serviços específicos, como neurologia, geriatria e psiquiatria.

CUIDADOS 
É preciso sempre estar atento às demandas individuais de cada pessoa, e isso vai depender do estágio da doença. Por exemplo, uma pessoa que toca um instrumento musical e perde essa capacidade, necessita de suporte psicológico para lidar com a situação. É preciso observar também se há instabilidade postural e risco de queda, problemas com a deglutição. Mas o cuidado precisa ser sempre individualizado.

OBTENHA INFORMAÇÕES SOBRE A DOENÇA 
Saber lidar com a doença é, acima de tudo, obter informações para aprender a conviver com a evolução do Mal de Parkinson, reconhecendo e respeitando as mudanças físicas, emocionais e psíquicas que a mesma vai gerar no doente. 

"Obviamente que, quanto maior e melhor acesso do doente e da família a equipes multi e interdisciplinares, melhor será o tratamento", garante o médico, que conclui: "Quanto mais esclarecida a sociedade, menor o preconceito. E isso vale para qualquer preconceito".

Último acesso: 25 Jul 2021 - 23:08:43 (1146136).