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Mãos ressecadas por conta do álcool gel? Dá para resolver de forma simples

Especialista explica como prevenir o ressecamento das mãos por excesso de álcool gel

Juliana Ribeiro Publicado em 14/04/2020, às 16h20

Saiba como deixar as mãos lindas e hidratadas. - Harry Fichtner/Pixabay
Saiba como deixar as mãos lindas e hidratadas. - Harry Fichtner/Pixabay

A preocupação com a higiene está ainda mais em alta em tempos de pandemia do novo Coronavírus. Isso inclui  lavar as mãos várias vezes ao dia e usar o álcool gel com frequência maior que o habitual. O que muita gente não sabe é que o exagero nessa medida pode causar alguns danos à pele, como o ressecamento, por exemplo. 

De acordo com a farmacêutica Heloisa Olivan, que também é bioquímica e cosmetóloga, o álcool, seja gel ou líquido, tem uma ação germicida poderosa, além da capacidade para desestabilizar os vírus e as bactérias. "Para essa finalidade, o grau alcoólico recomendado é a versão 70%, que propicia a consequente destruição dos microrganismos", afirma.

Apesar deste aspecto positivo, a especialista explica que, neste processo, o álcool também remove parte do ‘manto hidrolipídico’ presente na pele. E trata-se justamente da película que desempenha uma função de barreira de proteção.

"Ela, além de evitar a perda de água excessiva, garante a proteção da pele contra diversos danos, como a entrada de microrganismos (vírus, bactérias e fungos), de substâncias tóxicas e de poluição", diz. 

O QUE FAZER, ENTÃO?

Usar, sim, mas com parcimônia. Heloísa explica que o excesso - tanto o álcool gel quanto sabão e outras substâncias químicas - pode tornar a pele das mãos frágil e sensível. 

Com isso, ela pode ficar esbranquiçada, com pele descamando, além de perder sua flexibilidade e ficar mais vulnerável às agressões do meio ambiente. 

ÁGUA E SABÃO X ÁLCOOL GEL

Já não é mais segredo para ninguém que a maneira mais eficaz de combater o novo coronavírus, além de muitos outros microrganismos, é higienizar as mãos com água e sabão de maneira correta. 

E o tempo de ensaboamento correto, de acordo com a especialista, é de 20 segundos. "É o tempo de o sabão quebrar o “escudo” protetor do coronavírus e destruir suas proteínas. Isso o torna inativo", garante. 

Já o álcool gel ou líquido só devem representar uma opção quando água e sabão não estiverem disponíveis -e desde que as mãos não estejam visivelmente sujas. Uma melhor opção ainda é a tríade: água + sabão + álcool 70%. 

“O creme hidratante deve ser aplicado após a higienização das mãos com água e sabão ou álcool gel e estarem completamente secas. Assim, é possível manter mãos macias e sedosas e estar segura do Coronavírus ao mesmo tempo", explica. 

Inclusive, Heloísa garante que a higienização correta das mãos, seguida da hidratação ideal da região constituem uma dupla implacável no combate ao covid-19.

MICROBIOMA CUTÂNEO... O QUE É ISSO?

Olivan explica que outro ponto chave para manter a função 'barreira de proteção' que a pele deve desempenhar é o equilíbrio do microbioma cutâneo, que nada mais é que um conjunto de microrganismos (principalmente bactérias e fungos) que habita algumas áreas do nosso corpo, inclusive a pele. 

"Eles convivem de forma amigável e em equilíbrio, proporcionando diversos benefícios à saúde, mantendo a pele saudável e protegida da sensibilidade, de reações, ressecamento e doenças", explica a especialista.

O álcool gel, bem como outros agentes de limpeza, acabam agredindo esse microbioma cutâneo, causando um desequilíbrio que também culmina em perda da função de barreira de proteção da pele, levando a maior perda de água e, consequentemente, a sensibilização da região exposta a essas substâncias.

TEM QUE HIDRATAR!

Se o álcool gel, o sabonete e demais agentes de limpeza resolvem de um lado e de outro causam consequências, o que fazer? A resposta da farmacêutica é simples: muita hidratação!

Ela reforça que hidratar as mãos com frequência, neste caso, é até mais importante do que a pele do rosto.

"A pele das mãos absorve grande parte das agressões do dia a dia, sendo afetada diariamente pelo vento, ar-condicionado, contato com detergentes e uso frequente da água e radiação solar. Hidratar a pele implica em restabelecer o equilíbrio frente a tantas agressões externas, mantendo assim a integridade da pele e função de barreira de proteção", afirma. 

Ou seja: já que pecar na higiene das mãos não é uma opção, principalmente nesse momento de pandemia, é preciso contar com uma boa hidratação para aliviar as peculiaridades que limpá-las com frequência pode trazer.

PROBLEMAS COM O RESSECAMENTO

Segundo Heloísa, além de desconfortável, o ressecamento das mãos pode vir acompanhado de fissuras ao redor das articulações dos dedos, devido à falta de elasticidade da pele, que acaba se rompendo facilmente quando as movimentamos. 

"Como resultado de um processo crônico de desidratação, as mãos podem ficar suscetíveis à formação de eczemas, dermatites e predisposição ao envelhecimento precoce. Sendo assim, hidratar as mãos envolve muito mais do que a busca por um resultado estético e de conforto temporário", garante.

Além de ser um procedimento fácil e simples, cujo objetivo é criar e restabelecer a barreira protetora da pele, a hidratação forma um filme delicado que protege contra a entrada de diversos agentes nocivos do ambiente externo, incluindo o Coronavírus, afirma a farmacêutica. 

O ÁLCOOL GEL RESSECA MAIS A PELE QUE ÁGUA E SABÃO?

A única certeza, segundo a farmacêutica, é de que é preciso higienizar as mãos com muito mais frequência que antes. Porém, um desses produtos pode, sim, ressecar mais que o outro.

"Os sabonetes tendem a ser os menos agressivos e, portanto causam menos dano à cútis, sem perder a ação germicida. Isso se dá principalmente ao processo de produção e obtenção dos sabonetes, que inclui etapas que tornam a química desse produto mais leve, pouco cáustico e portanto, destinado ao uso de higiene pessoal", explica. 

Já o álcool etílico, que é o nome da matéria prima utilizada nas formulações de álcool gel, possui alto poder de penetração na pele, acelerando o quadro de ressecamento.

Ela ainda explica que a frequência de uso vai variar de acordo com a rotina da rotina de cada um. 

"Mas no geral, é fundamental higienizar as mãos antes e depois das refeições, antes da ingestão de líquidos, antes e depois de ir ao banheiro, após tocar pessoas e superfícies que podem estar contaminadas, ao chegar em casa e depois de usar o transporte público", destaca.