Saiba tudo sobre o Parkinson, o distúrbio que surge pela morte dos neurônios

Levar uma vida saudável vai proteger você da condição

Júlia Arbex Publicado domingo 19 maio, 2019

Levar uma vida saudável vai proteger você da condição
O diagnóstico e tratamento precoce são peças fundamentais para evitar o agravamento dos sintomas - Banco de Imagem/Getty Images

O Parkinson é um distúrbio neurológico crônico e progressivo que atinge o sistema nervoso central e compromete a mobilidade do indivíduo. 

“A doença surge pela morte dos neurônios da região que são responsáveis pela produção de um neurotransmissor chamado dopamina, cuja função é, principalmente, regular os movimentos. A causa da morte dos neurônios é desconhecida e os sintomas mais frequentes são tremor e rigidez do corpo”, esclarece Luiz Fernando Haikel Junior, neurocirurgião do Hospital Dom Alvarenga (SP). 

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que cerca de 1% da população mundial com mais de 65 anos tem a doença. No Brasil, estima-se que aproximadamente 200 mil pessoas sofram com o problema. 

Como a cura ainda não foi descoberta, o diagnóstico e tratamento precoce são peças fundamentais para evitar o agravamento dos sintomas e trazer mais qualidade de vida para as pessoas.

QUEM PODE TER?
A doença pode se manifestar a partir dos 55 anos, mas a sua maior incidência é entre os 70 e 75 anos. Ou seja, o risco aumenta com a idade. Apesar de acometer homens e mulheres de todas as etnias, os homens estão mais propensos a desenvolvê-la. 

“Fatores ambientais, como exposição a agrotóxicos, metais pesados e contato com determinados vírus e bactérias ao longo da vida, e genéticos (quando a pessoa tem parente próximo com a doença) também podem facilitar para que o indivíduo tenha Parkinson”, afirma Luiza Gonzaga Piovesana, neurologista do Residencial Senior Terça da Serra (SP).

OS SINTOMAS
Variam de um paciente para o outro. Geralmente, no início, eles se apresentam de maneira lenta e o paciente tem dificuldade de saber a época em que apareceram pela primeira vez. São eles:

  • Tremores de repouso nas mãos;
  • Rigidez muscular;
  • Lentidão dos movimentos;
  • Face sem expressão;
  • Tontura;
  • Diminuição do tamanho das letras ao escrever;
  • Nas fases mais avançadas, outros sinais podem aparecer, como dificuldade de deglutição, distúrbios de fala e sono, e depressão.

DESCOBRINDO A DOENÇA
O diagnóstico baseia-se nos relatos dos pacientes, dos familiares e pela avaliação clínica feita pelo neurologista no consultório. 

“Geralmente, a ressonância magnética e a tomografia são realizadas com o intuito de descartar outras doenças. Exames para avaliar a função dos neurônios produtores de dopamina também costumam ser feitos”, diz Haikel.

OS TIPOS DE TRATAMENTO
O tratamento é feito com medicação para melhorar o equilíbrio entre os neurotransmissores, especialmente para repor a dopamina. 

“É essencial praticar atividades físicas e fazer fisioterapia, fono (para melhorar a voz e a fala) e psicoterapia para quem tem depressão associada. Já a cirurgia está restrita aos pacientes que param de responder aos medicamentos e àqueles que sofrem devido aos efeitos colaterais e complicações”, explica Mateus Dal Fabbro, neurocirurgião do Hospital São Francisco de Mogi Guaçu (SP). 

Existe também o implante de marca-passo, mas não é útil para todos os pacientes. O médico precisa ser consultado.

MEIOS DE PREVENÇÃO
Como ainda não é possível afirmar a causa da morte dos neurônios responsáveis pelo diagnóstico do Parkinson, não há prevenção certa para essa doença. Para os especialistas, o ideal é levar a vida de forma mais saudável possível.

CONVIVENDO COM AS LIMITAÇÕES 

  • Busque fontes de informação de qualidade e grupos de apoio, como a Associação Brasil com Parkinson e o grupo Vibrar com Parkinson. Entendendo a doença, você fica menos angustiada e ansiosa; 
  • Procure apoio psicológico. Isso vai fazer com que você não deixe o distúrbio controlar sua vida;
  • Pratique exercícios físicos, pois ajuda a preservar a qualidade dos movimentos, tome os medicamentos corretamente e tenha uma rotina de alimentação regrada;
  • Mantenha a atividade intelectual: leia e acompanhe o noticiário;
  • Participe das tarefas domésticas e mantenha a vida social ativa; 
  • Nos casos mais avançados, a casa do paciente deve ser adaptada com corrimão, luz de sinalização, ajuste da altura dos assentos e na cama.
     

Último acesso: 19 Sep 2021 - 05:00:04 (1062612).