Sangramento pós-parto: entenda as causas do sintoma relatado por Simone Mendes

Fenômeno fisiológico chamado de loquiação faz parte da recuperação do corpo da mulher

Beatriz Cresciulo com supervisão de Vivian Ortiz Publicado sexta 16 abril, 2021

Fenômeno fisiológico chamado de loquiação faz parte da recuperação do corpo da mulher
Sangramento pós-parto: entenda as causas do sintoma relatado por Simone Mendes - Divulgação/Instagram

A cantora sertaneja Simone Mendes preocupou os fãs ao revelar que estava tendo sangramentos desde fevereiro passado, quando aconteceu o nascimento da filha caçula, Zaya. 

Na última quarta-feira (14), a famosa contou que procurou um médico após permanecer 50 dias com o sintoma. Na ocasião, a vocalista explicou que recebeu um remédio que prometia reduzir o fluxo, o que iria propiciar a volta das atividades sexuais com o maridão, Kaká Diniz. 

De acordo com o ginecologista e obstetra do Hospital Sírio Libanês, Alexandre Pupo, o sangramento ocorre a partir do momento em que a contração separa a placenta da parede do útero. Depois que esse processo, denominado de dequitação, acontece, forma-se uma espécie de ferida que purga sangue. 

O médico explica que, nos primeiros dias do pós-parto, o sangramento é maior, porém vai sendo reduzido gradativamente. 

“Essa loquiação é um evento natural que pode perdurar por cerca de 40 dias, sendo considerado normal em quantidades não muito volumosas”, ressalta. 

O QUE REDUZ O SANGRAMENTO?

Os efeitos da loquiação são inibidos por uma série de fatores, como o próprio sistema de coagulação sanguínea, que irá formar coágulos na ponta dos vasos, interrompendo o sangramento. 

Além disso, a amamentação também é bastante importante para acabar com o sangramento. Isso porque, quando o bebê suga o peito da mãe, ele estimula a produção de um hormônio chamado ocitocina, que promove a contração dos dutos de leite, fazendo com que ele seja jogado para a sua boca. Nesse processo, a ocitocina também promove a contração do útero, expelindo o sangue que se acumulou dentro dele. 

“É muito frequente no pós-parto, principalmente nos primeiros dias, as mães relatarem uma cólica mais forte e um sangramento aumentado quando dão de mamar”, relata o obstetra. 

Conforme os dias vão se passando, o sangramento passa a ocorrer de uma maneira bem semelhante ao fim da menstruação. Reduzindo em quantidade e se tornando amarronzado, amarelado, esbranquiçado e, por fim, desaparecendo.

“A cicatriz vai se tornando menor e vai tendo essa mudança, como se fosse um grande ralado na pele. Primeiro sangra, depois começa a formar aquele líquido amareladinho e uma casquinha”, ressalta o médico

Apesar das semelhanças, vale ressaltar que a loquiação não tem nenhum tipo de relação com o ciclo menstrual. 

“A menstruação é um ato fisiológico que ocorre quando a gravidez não acontece e a camada interna do útero descama e começa o processo para se preparar novamente para uma gravidez. Então são situações totalmente diversas”, relembra o médico.

O SANGRAMENTO PODE CAUSAR PROBLEMAS DE SAÚDE?
O especialista assegura que, por se tratar de um evento natural, as gestantes já apresentam um volume de sangue maior e mais diluído, para que não corra o risco de perder nutrientes importantes. 

Ainda assim, o ginecologista conta que no pós-parto é indicado permanecer fazendo o uso das vitaminas receitadas durante a gravidez, uma vez que elas incluem uma quantidade de ferro razoável para reposição.

DEVEMOS USAR MEDICAÇÃO? 

Diferentemente do caso de Simone Mendes, Pupo garante que não existe necessidade de fazer um tratamento medicamentoso para a loquiação que está ocorrendo dentro da normalidade. 

Após o período de 40 dias, os especialistas analisam os prováveis causadores do sangramento, que podem variar entre resíduos da placenta que permaneceram dentro do útero, alterações no sistema de coagulação da mulher ou lesões criadas durante o parto. 

“No caso de uma cesariana, que não teve a dilatação do colo e nem a passagem do bebê pela vagina e vulva, você pode ter sangramento decorrente do corte do útero para retirada do bebê. Ele pode persistir eventualmente, existindo ainda questões diversas que fazem com que a mulher permaneça sangrando, mesmo durante a amamentação”, avalia.

ISSO IMPEDE A RELAÇÃO SEXUAL? 

De modo geral, o médico afirma que as relações sexuais não devem ser realizadas durante o período do puerpério, que vai do momento em que o bebê nasce até 40 dias após o parto. 

Acontece que nesta fase, a mulher retorna das suas alterações gravídicas para o estado pré-gravídico, apresentando uma série de questões como a própria loquiação, colo entreaberto, lesões causadas pelo parto, entre outras. 

Sendo assim, depois que o puerpério acabar, deve-se ir ao ginecologista para que, por meio de exames, o profissional observe em que etapa de recuperação a região genital está, indicando se já é seguro, ou não, o retorno da atividade sexual.

Último acesso: 22 Sep 2021 - 01:40:49 (1143802).