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Será que estou tendo um AVC? Veja causas e possíveis sintomas do problema

‘Dia de Combate ao Acidente Vascular Cerebral’ é nesta quinta-feira (29)

Gabriela Catan Publicado em 29/10/2020, às 08h00

Saiba quais os sintomas e as possíveis causas de um AVC - Pixabay
Saiba quais os sintomas e as possíveis causas de um AVC - Pixabay

“Morava sozinha e estava seguindo a minha rotina normal até começar a me sentir estranha, mas de um jeito que nunca havia acontecido. Quando tentei conversar com a minha gatinha, percebi que tentava falar uma palavra e saía outra. Foi o primeiro indício de que algo estava muito errado”, conta Angélica Carceles, que sofreu um AIT (Acidente Isquêmico Transitório) aos 27 anos, em 2018.

Assim como o Acidente Vascular Cerebral (AVC), o AIT também é uma alteração na função cerebral com os mesmos sintomas e causas, mas de efeito temporário. Ela diz que a situação continuou se repetindo várias vezes até conseguiu pedir socorro para um familiar e ir até um hospital. No caminho, os sintomas iniciais foram passando até que o lado direito de seu rosto ficou paralisado e sua visão turva. Como geralmente acontece nos casos de AIT, até que ela fosse atendida, seu corpo já havia voltado quase 100 % ao normal. 

Foto:Angélica Carceles

“A tomografia não apontou nada, assim como os exames de sangue, mas, mesmo assim, a médica disse que iriam me internar na UTI”, conta, ressaltando que sempre teve uma vida saudável e não fazia parte de nenhum grupo de risco que poderia gerar algum tipo de acidente vascular cerebral. Esse, inclusive, foi um dos principais motivos para deixarem ela em observação. Isso porque, nos casos de AIT, é muito comum que a pessoa possa sofrer um AVC nas próximas 72 horas, por isso a importância de procurar ajuda médica.

MAS, AFINAL, O QUE É UM ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL?

O neurologista Fabio Porto, do Hospital das Clínicas de São Paulo (HC-FMUSP) explica que o nome técnico mais correto é isquemia, ou seja, a interrupção do fluxo sanguíneo para alguma região do cérebro ou encéfalo. “Existem também os casos de hemorragia, que é o rompimento de um vaso sanguíneo e o extravasamento de sangue para fora do vaso”, completa.

De acordo com o especialista, são basicamente dois tipos de AVC: o Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVCI) e o Acidente Vascular Hemorrágico (AVCH). O primeiro, mais comum, é causado pela falta de sangue em determinada área do cérebro, por conta da obstrução de uma artéria. Já o segundo acontece devido a um sangramento causado pelo rompimento de um vaso sanguíneo.

Ainda há uma terceira condição, chamada "Ataque Isquêmico Transitório" (AIT ou TIA, do Inglês), justamente o que acometeu Angélica, que consiste na interrupção temporária do fluxo sanguíneo, causando sinais e sintomas iguais ao AVC. No entanto, reverte-se espontaneamente em um curto período de tempo. O ataque isquêmico transitório deve ser encarado como um aviso de que algo está errado. Sua causa precisa ser descoberta e tratada, antes que o AVC ocorra.

EXPLICAÇÃO PARA O SUSTO

Após ficar internada por três dias, os médicos acabaram encontrando o que causou a AIT em Angélica. “Eu tinha uma condição no coração que se chama FOP( Forame Oval Patente), que é um espaço no coração onde divide o sangue arterial do sangue venoso (as passagens) e havia um buraquinho nessa passagem. Como não estava completamente fechado, o coágulo passou por ele e foi para minha cabeça”, conta.

Existiu, porém, um segundo fator que contribui para que ela tivesse o AIT: a pílula anticoncepcional. Tanto que o médico pediu que ela parasse de tomar no mesmo momento. “Enquanto estava internada, vi uma menina da mesma faixa etária que a minha que havia tido um AVC e estava em estado vegetativo, totalmente sem consciência”, conta. 

“É algo que acontece muito e não é informado e nem comunicado, inclusive a minha própria ginecologista nunca havia me falado sobre isso, nunca me alertou sobre os riscos de tomar o anticoncepcional”, ressalta.

Por fim, ela precisou colocar uma prótese no coração para fechar o FOP e hoje, dois anos depois, voltou a ter uma vida normal. “Consegui voltar a fazer tudo o que eu fazia, não tive nenhuma sequela, mas nunca mais voltei a tomar pílula, nem nada que tenha hormônio, porque foi algo que realmente me assustou e não estou preparada e nem disposta a assumir esse risco novamente”, pontua. 

SERÁ QUE ESTOU TENDO UM AVC?

Fabio Porto explica que o tempo de um Acidente Vascular Cerebral pode variar dependendo da parte do cérebro do paciente que está sendo afetada. No entanto, é preciso ficar atento, pois o sintomas podem progredir uma vez que se manifestam no corpo.

“Exatamente por isso, é importante procurar o serviço de saúde o mais rápido possível. “Existe uma frase que diz ‘tempo é cérebro’, quanto mais tempo passa, maior a lesão”, aponta. 

AnaMaria Digital separou os principais sinais do problema:

  • Sintoma neurológico negativo agudo 

A perda da função neurológica pode acontecer em questão de minutos. Isso significa que a pessoa vai ter uma perda da força de um lado do corpo, que pode ficar fraco, paralisado ou perder a sensibilidade.

  • Alteração na fala

O paciente não acha palavras ou fica com a fala enrolada, como se estivesse bêbado.

  • Paralisia na face

Quando um lado do rosto não mexe. Sempre que a pessoa tem um sintoma deficitário, ou seja, a ausência de alguma função e isso acontece de forma rápida, na maioria das vezes é sinal de um acidente vascular encefálico, ressalta o médico. 

FATORES DE RISCO PARA UM AVC

  • Pressão alta;
  • Diabetes;
  • Colesterol alto;
  • Obesidade;
  • Sedentarismo;
  • Tabagismo;
  • Histórico familiar.