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Uma boa notícia para quem sofre de hepatite

Novos medicamentos para o tipo C da doença estarão disponíveis no SUS até o final do mês. Eles prometem aumentar as chances de cura e diminuir o tempo de tratamento

Júlia Arbex Publicado em 03/12/2015, às 14h00 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h44

995 - shutterstock
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A rede pública de saúde contará muito em breve com dois novos remédios para hepatite C – o sofosbuvir e o daclatasvir. Estima-se que a doença seja responsável por até 700 mil mortes ao ano em todo o mundo, sendo 3 mil delas somente no Brasil. “Atualmente, o tratamento é eficiente somente para metade dos pacientes contaminados. Além de diminuir o tempo de tratamento, essa nova geração de medicamentos abre perspectivas de cura para quase todo mundo, utilizando apenas remédios por via oral (sem injeções), com pouco ou nenhum efeito colateral”, explica Marta Deguti, hepatologista do Centro de Gastroenterologia do Hospital 9 de Julho, em São Paulo. Hoje, a chance de cura é de até 47%. Com o novo remédio, ela pode chegar a 90%. Aproveitamos essa ótima notícia para levar a você mais informações sobre a doença, ainda repleta de mitos, e as principais diferenças entre as hepatites A, B e C.

Hepatite A

Transmissão: Pela ingestão de água ou alimentos contaminados. Atenção a sucos e gelo consumidos na rua, pois podem ter sido feitos com água não tratada. Evite dividir copos, latinhas e talheres, pois esse tipo de vírus é transmitido, também, pelo contato pessoal.

Sintomas: Na maioria dos casos, a pessoa contrai e elimina o vírus sem sinais. Mas, na forma clássica, os sintomas são mal-estar,
febre, cansaço, náuseas, perda do apetite, diarreia, urina escura, olhos e pele amarelados e desconforto abdominal.

Diagnóstico: O médico vai perguntar se o paciente teve contato com água ou alimento contaminado ou com alguém que teve hepatite nas últimas seis semanas. Além disso, há exame físico e testes laboratoriais.

Tratamento: Não há tratamento específico nesse caso. Normalmente, o próprio sistema imunológico do paciente se encarrega
de eliminar o vírus, sem deixar sequelas no fígado. Para isso, basta observar repouso, e ter uma dieta balanceada, evitando alimentos muito gordurosos. O doente não deve compartilhar talheres ou louças. Na verdade, elas devem ser lavadas separadamente e fervidas. E, ao evacuar, jogue um pouco de água sanitária nas fezes e deixe por 15 minutos antes de dar descarga.

Prevenção: Eficaz para a maioria das pessoas, a vacina é aplicada quando a criança completa 1 ano. Quem não tem certeza
se tomou na infância, deve fazer reforço. Para adultos, a imunização está disponível apenas em clínicas particulares e a dose custa cerca de R$ 200. Mas a melhor forma de prevenir o problema é beber apenas água potável e ter bons hábitos de higiene, como lavar as mãos após usar o banheiro e antes de cozinhar e se alimentar.

Hepatites B e C

Transmissão: Por transfusão e compartilhamento de materiais com indivíduos contaminados. Além disso, existe a transmissão neonatal, quando a mãe é portadora do vírus e o passa para o bebê no momento do parto. Relações sexuais sem preservativo
também são fonte de transmissão.

Sintomas: Se o paciente manifestar a forma aguda, o quadro pode ser parecido com o da hepatite A. Às vezes, mesmo se os sintomas forem tratados, a doença pode evoluir para um quadro crônico e então para uma cirrose ou até câncer de fígado. No caso
da hepatite C, em 80% dos casos ela se torna crônica. Por isso é tão importante tratar esse mal.

Diagnóstico: Por meio de exames de sangue.

Tratamento: Recomendam-se as mesmas orientações do caso da hepatite A, ou seja, repouso e alimentação leve. Já quando a doença torna-se crônica, é possível tratar com remédios antivirais. Em alguns casos, o vírus vai embora após um tratamento
prolongado. Em outros, não há possibilidade de cura. Nestas situações, a única coisa a fazer é controlar a doença. No caso da hepatite C, os novos medicamentos vão beneficiar pacientes que não podiam receber os tratamentos oferecidos anteriormente – entre eles, pessoas com HIV, cirrose descompensada, em situações de pré e póstransplante e aqueles com má resposta à terapia com o medicamento interferon.

Prevenção: A vacina para a hepatite B faz parte do calendário oficial de vacinação e a criança toma logo ao nascer. Já no caso do tipo C, ainda não existe imunização. De qualquer forma, não se deve compartilhar alicates de unha, lâminas de barbear, escovas de dente e outros materiais. Ter relações sexuais com camisinha também é fundamental para afastar o risco de contaminação. As
pessoas que fazem tatuagem, piercing ou acupuntura devem verificar se o material é descartável.
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