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Veja 5 fake news sobre alcoolismo que prejudicam a busca por ajuda

É importante esclarecer os mitos sobre alcoolismo, para ajudar a mudar essa realidade

Da Redação Publicado em 22/02/2022, às 08h20

A dependência de álcool, conhecida popularmente como alcoolismo, é uma doença crônica. - Louis Hanse/Unsplash
A dependência de álcool, conhecida popularmente como alcoolismo, é uma doença crônica. - Louis Hanse/Unsplash

O Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo foi celebrado na última sexta-feira (18) e AnaMaria Digital foi conversar com o pessoal do CISA (Centro de Informações sobre Saúde e Álcool), atrás dos principais mitos que persistem sobre a dependência de álcool. Eles, além de contribuírem para a manutenção dos estigmas sociais, prejudicam a busca por ajuda.

Arthur Guerra, presidente executivo do CISA, explica que ainda temos um forte estigma social envolvendo o alcoolismo e problemas com o consumo de álcool em geral. "Falar mais sobre o assunto, esclarecendo as fake news e ampliando o diálogo e a conscientização da população a respeito do tema, é uma medida importante para começar a mudar essa realidade”, alerta ele, que também é psiquiatra.

Veja quais são os principais mitos sobre o assunto!

1. ALCOOLISMO NÃO É DOENÇA

A dependência de álcool, conhecida popularmente como alcoolismo, é uma doença crônica (ou seja, de longa duração) e multifatorial, pois diversos fatores contribuem para o seu desenvolvimento, incluindo a quantidade e frequência de uso do álcool, a condição de saúde do indivíduo, fatores genéticos, psicossociais e ambientais; mas tem tratamento.

2. POSSO PARAR DE BEBER QUANDO EU QUISER

Quem sofre de dependência não costuma reconhecer a doença e acredita que pode parar de beber sozinho, o que pode gerar frustação. A família e amigos têm um papel importante na identificação dos problemas do uso de bebidas alcoólicas, podendo motivar o início e a permanência no tratamento. Buscar a ajuda de um profissional da área da saúde é o mais adequado.

3. SÓ NÃO LARGA O VÍCIO QUEM NÃO TEM FORÇA DE VONTADE

Equivocadamente, é associado aos alcoolistas a falsa percepção de que tais pessoas têm uma falha de caráter e falta a elas força de vontade para cessar o consumo de bebidas. Tudo isso leva a um sentimento de culpa e vergonha, o que dificulta tanto o falar abertamente quanto a busca por tratamento adequado.

4. UMA VEZ ALCOÓLATRA, SEMPRE ALCOÓLATRA

Antes de mais nada, é importante esclarecer que não se deve mais usar o termo “alcoólatra”, por ser pejorativo. O mais indicado é dependente de álcool ou alcoolista. Posto isso, vale reforçar que a dependência de álcool tem tratamento, como farmacológico (medicamentos que diminuem a fissura pelo álcool), psicoterapia, grupos de ajuda-mútua (Alcoólicos Anônimos, por exemplo) e até hospitalização (para casos mais graves).

Para alguns pacientes, é recomendável o engajamento em atividades físicas e outras práticas que são antagônicas ao uso de álcool. O importante é que este tratamento seja individualizado e humanizado, pois os resultados são melhores e mais consistentes.

5. A RECAÍDA É UMA PROVA DE QUE O ALCOOLISMO NÃO TEM SOLUÇÃO

Recaída é uma prova que o alcoolismo não tem solução: é preciso compreender que a recaída é contemplada pelo tratamento e quando ela acontece, o paciente não deve se sentir envergonhado ou fracassado. Ela deve ser vista como uma oportunidade para aprender sobre as dificuldades do indivíduo, perceber os fatores estressores e gatilhos que levaram a ela e reavaliar as estratégias terapêuticas, mas nunca como razão para desistir do tratamento.

Vale lembrar que, ao reconhecer que o consumo de álcool está interferindo negativamente na saúde física, na rotina ou nas relações pessoais, é hora de buscar ajuda com profissionais de saúde, como um clínico geral ou psiquiatra, que farão um diagnóstico detalhado e irão propor o tratamento mais adequado.

Não buscar ajuda pode agravar os problemas de saúde e há opções de apoio e tratamentos gratuitos no Brasil, como os Centros de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (CAPS-AD) e a irmandade Alcoólicos Anônimos (A.A.).