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Enem 2021: passo a passo para ir bem no Exame Nacional do Ensino Médio

Dicas para revisar todas as matérias com professores das disciplinas que caem nas provas do Enem

*Priscila Correia, do Aventuras Maternas, colunista de AnaMaria Publicado em 12/11/2021, às 08h00

Se tiver bom desempenho, comemore. Não teve? Não faça disso uma derrota - Eliott Reyna/Unsplash
Se tiver bom desempenho, comemore. Não teve? Não faça disso uma derrota - Eliott Reyna/Unsplash

O Enem 2021 acontece nos dias 21 e 28 de novembro. Trata-se de um novo passo na vida. Uma prova que marca a conclusão de uma fase de esforços mútuos, tanto dos pais quanto dos filhos. Sim, as questões da prova do Enem são respondidas pelos jovens, mas do outro lado do portão estão mães e pais roendo as unhas e pensando positivamente. Antes do dia da prova, noites sem dormir, resumos, orações, refeições quentinhas, sucos, lanches, professores particulares, cursos extras e um preparo digno de atleta em prol dos melhores resultados, que abrirão portas para o futuro pós vida escolar.

E para ajudar pais e filhos neste momento tão importante na vida dos jovens, na coluna de hoje vamos falar sobre o lado B do Exame Nacional do Ensino Médio, abordando o lado emocional, a cabeça dos pais, as atividades que podem ajudar no preparo, o que fazer na manhã antes da prova e muito mais. E, é claro, dicas para revisar todas as matérias com professores das disciplinas que caem nas provas.

MUITOS ALÉM DOS EXAMES

Isabel sempre gostou do mundo das artes. (Crédito: arquivo pessoal)

Quando os nossos filhos atingem certa idade, não é raro ouvir deles o que querem ser quando crescerem. Alguns esboçam esta vontade já bem pequenos, outros quando estão mais velhos. Maria Elisa Alves, mãe de Isabel, que escolheu Design, conta que a filha sempre quis seguir pelo mundo das Artes – inclusive, antes da pandemia começar, ela já fazia aulas particulares das matérias de Exatas, que tem maior dificuldade, e há poucas semanas chegou a prestar vestibular para uma universidade particular, indo muito bem em Humanas, Biologia e Matemática. Apesar de tudo, ela está bastante ansiosa e, quando fala das provas, o tom é de insegurança. "Nestes momentos, procuro acalmá-la, lembro dos bons resultados em Humanas, reforço que ela é boa em muitas matérias e que as que não domina vão dar certo também, que pode não tirar uma boa nota, mas que, ao fim, tudo dará certo. É meio good vibes, mas, neste momento, às vésperas do Enem, o que fazer? Creio que não adianta pressionar muito, afinal, o que não foi estudado durante quase um ano, dificilmente vai ser resolvido em 15 dias”, conta a mãe.

Para ajudar a menina, Maria Elisa organizou um cronograma de revisão de Física e Química e ela está começando a assistir aulas no YouTube. Além dos estudos, Isabel fará uma prova inteira usando máscara, para treinar como é se concentrar com a proteção no rosto. Mas, mesmo ajudando e torcendo para o sucesso de Isabel, a mãe tem a consciência que estes dois últimos anos foram totalmente atípicos e que os parâmetros para cobrança do Enem não podem ser os mesmos de anos anteriores. “Se tiver bom desempenho, comemore. Não teve? Não faça disso uma derrota. A saúde mental dos nossos adolescentes deve vir em primeiro lugar e sabemos, por meio de várias pesquisas e exemplos do dia a dia, que os jovens estão com crises de ansiedade, mais depressão etc. O Enem é apenas um exame, não uma validação de quem seu filho é”, afirma.

Outra mãe que está vivendo intensamente esse período pré Enem é Fernanda Duarte, mãe de Bruno, que busca uma vaga em Medicina. Ela conta que, apesar dos estudos em tempo integral, do curso focado nessa carreira e dos simulados todo final de semana, o filho não está ansioso. “Ele mesmo dita o ritmo de estudos e acredita que vai passar. Sabemos que é um curso concorrido, mas percebemos nele um grande senso de responsabilidade. Como pais, claro, estamos na torcida pra que ele passe, mas não estamos pressionando em nada, só mesmo apoiando e ajudando no que ele precisa, como organizando um plano de estudos”, comenta.


Fernanda Duarte, mãe de Bruno. (Crédito: arquivo pessoal)

A psicóloga Ana Lídia Fonseca Zerbinatti, que é consultora educacional da Escola da Inteligência, explica que é importante que a família seja uma rede de apoio e incentivo, mas sempre tendo em mente que incentivar não significa, necessariamente, cobrar resultados (que pode fazer com que o jovem se sinta ainda mais pressionado). “Para que isso seja genuíno, a própria família precisa ressignificar o que pensa e se perguntar o que espera dos filhos para não acabar projetando cobranças inalcançáveis. Além disso, nessa reta final, também devem incentivar que os filhos tenham uma rotina saudável, boa alimentação, sono e momentos de lazer e, se possível, participar ativamente desses momentos”, diz. Se a aprovação não chegar como desejam, porém, é preciso lembrar que isso não representa um fracasso na vida acadêmica dos filhos, uma vez que sempre existe a chance de recomeçar. “Portanto, caso aconteça, a postura deve ser de acolhimento e compreensão. Geralmente, o próprio jovem já se cobra bastante e se sente frustrado com a não aprovação, e apontar isso para ele só vai reforçar a crença do fracasso e a insegurança. Um caminho possível é perguntar a ele como se sente em relação a isso e o que acredita que poderia ter sido diferente. Ou seja, é mais importante que a família esteja aberta a ouvir em vez de apontar as falhas e cobrar soluções”, complementa.

Mas o que fazer para tornar os dias que antecedem os exames mais leves? “Primeiramente, lembrar que o que precisava ser estudado já foi estudado. O momento deve ser para revisar, mas, principalmente, cuidar da saúde física e mental. Portanto, ter uma rotina saudável que envolva horas de sono suficientes, uma boa alimentação, práticas de exercícios e momentos de lazer ajudam a deixar o momento mais leve. Se organizar previamente com a documentação e materiais necessários, local da prova e horários também é importante para que não tenham imprevistos no dia da avaliação. Praticar exercícios de gestão das emoções, técnicas de relaxamento e meditação também são muito eficazes para os dias anteriores e também no momento da prova”, complementa a psicóloga.

ENSINAMENTO ALÉM DOS LIVROS
Enquanto pais e psicólogos auxiliam os jovens a estudarem em casa e a terem mais segurança e controle da ansiedade, as instituições de ensino ajudam os estudantes dentro das salas de aula (ou por meio das telas para quem contínua no sistema híbrido) a enfrentar esse momento, seja por meio das aulas em si ou até mesmo com dicas e conselhos para se aprimorarem fora do ambiente escolar. Assim como cada escola tem uma metodologia de ensino diferente, a maneira de lidar com o estresse dos alunos nesse momento também pode ser diferenciada. Lucas Seco, diretor do Colégio Anglo Chácara Santo Antônio, conta que em sua instituição há profissionais formados em Psicologia que estão lá para realizar atendimentos e conversas, coletivas e individuais, na tentativa de diminuir o estresse. “Aqui também criamos momentos de descontração para ajudar com esta questão. Além disso, nos dias que antecedem os exames, o corpo docente procura estimular os estudantes a procurarem descansar e dormir bem, pois o sono pode diminuir a concentração", conta.

Já para Yan Navarro, diretor acadêmico da rede de colégios Luminova, nos últimos dias antes do ENEM, as escolas devem focar na resolução de exercícios (com diferentes níveis de dificuldade) das provas anteriores, pois isso ajuda muito no desenvolvimento da confiança dos estudantes e na diminuição da ansiedade. Além disso, ele sugere aos estudantes que busquem certo equilíbrio em suas atividades. “Um pouco de resolução de questões, um pouco de filmes, e um pouco de exercícios físicos que não devem ser desprezados e ajudam muito a desanuviar a mente”, pontua. Mas é preciso lembrar que mesmo tentando seguir os conselhos dos profissionais de educação, a ansiedade e o nervosismo são normais antes das provas.

Por isso, para ajudar a controlar esse estresse, a psicopedagoga Sueli Bravi Conte, diretora e mantenedora do Colégio Renovação, sugere aos alunos algumas dicas, como:

  • acordar um pouco mais cedo;
  • praticar alguns exercícios suaves (como ioga);
  • ouvir uma música com o volume baixo e relaxante;
  • fechar os olhos e tentar controlar a respiração com as batidas do coração;
  • fazer flexões e caminhar levemente (poucos passos), que podem ser interessantes para controlar a tensão.

“São exercícios simples e que ajudam a tirar um pouco a ansiedade. A alimentação também merece atenção nessas ocasiões e ter a primeira refeição do dia leve e saudável pode ajudar muito. Além disso, o ideal é evitar café, refrigerantes e outros estimulantes presente nos alimentos, além de cigarros”, esclarece. Sueli alerta, ainda, sobre uma prática comum nesse período de provas, que é passar a noite que antecede o exame estudando. “Esta prática faz com que eles cheguem ao momento da prova exaustos. É comprovado cientificamente que o cérebro cansa e que necessitamos de ambiente tranquilo e aconchegante para repousar antes de qualquer grande desafio. A prova do Enem, sem dúvida, é um dos principais desafios que os jovens enfrentam. Recomendo, portanto, que estudem o máximo, mas tirem um tempo para repousar, descansar, dormir ou até mesmo para o lazer. O mais importante é não fixar o pensamento na prova na véspera. O estudante verá que, no momento certo, uma mente descansada consegue extrair os conteúdos do subconsciente”, complementa.

Thiago Zola, professor da Mind Lab, uma empresa de tecnologias e soluções educacionais, concorda e explica que à medida em que as provas se aproximam, o indicado é, gradativamente, diminuir o ritmo de estudo dos conteúdos na mesma proporção em que os cuidados com o corpo e a mente aumentam. “Muitas escolas e preparatórios investem em mentorias com psicólogos, sessões de relaxamento e meditação. Mas o que deve acontecer em todas as etapas de estudo, por mais simples que possa parecer, é uma busca constante por equilíbrio. Os cuidados com o corpo e a mente devem existir sempre respeitando os próprios limites. Atividades lúdicas eventuais, pausas laborais em meio a longas jornadas de estudo são excelentes estratégias pra aliviar a tensão. Outro recurso que algumas escolas têm investido é no desenvolvimento de habilidades socioemocionais com foco no controle da ansiedade e na autorregulação. Os resultados têm sido muito bons”, diz. No entanto, é preciso ter em mente que o processo de preparação para testes de conhecimento é sempre difícil e estressante, e não poderia ser diferente. Afinal, estudar, decorar conteúdos, se manter focado por horas a fio, sobretudo num mundo repleto de distrações e numa fase tão ativa da vida, não é fácil. Mas não há segredo nem fórmula mágica. Desde sempre o fator determinante para o sucesso ou fracasso em exames e concursos é o mesmo: estudar.

Mas atenção: se seu filho não conseguiu pensar com segurança sobre a carreira que vai seguir, tudo bem. Este é um dilema que sempre existiu e que, com a pandemia, se agravou, já que o estresse, a ansiedade e as incertezas também aumentaram. “Esta fase da vida sempre foi difícil. E se considerarmos a volatilidade do mundo atual, em que profissões surgem e desaparecem a todo tempo, tudo se torna mais complexo. A habilidade de fazer escolhas deve ser trabalhada ao longo da vida escolar para que os estudantes façam escolhas mais conscientes e que estejam alinhadas com seus projetos de vida, seus propósitos. Porém, quando não há segurança para essa opção, o que sempre digo é para buscarem um curso que os apeteça, que faça sentido no momento e tente, experimente. Sempre há a possibilidade de forjar essa identificação não prática. Não acontecendo, tente novamente depois. Isso é muito melhor do que optar por um curso sem qualquer aptidão, se formar e eventualmente não querer exercer a profissão. Essa perspectiva de que a escolha é importante, mas não precisa ser definitiva, alivia a tensão e ajuda o estudante a manter suas perspectivas com mais leveza, conclui Zola.

MENOS DISTRAÇÃO, MAIS ATENÇÃO
Manter a concentração e o controle da ansiedade neste período é tarefa difícil para todos e pode ser mais complicado para jovens com TDAH. Para estes estudantes, os pais devem ter em mente que manter uma rotina é muito importante para que o jovem se organize no tempo. “Crie um cronograma de estudos e cumpra todos os dias no mesmo horário, pela mesma quantidade de horas e no mesmo local. Uma boa dica é observar os horários em que está mais atento, disponível e tranquilo e delimitar como blocos de atividades e revisões. Intercale as horas de estudo, com pausas para descanso e faça um lanche ou converse com amigos, como estratégia para eliminar o tédio. É importante também escolher locais com poucos distratores, como janelas e portas e dar preferências a ambientes iluminados, tranquilos e sem ruídos ou falatórios”, explica a neuropsicóloga Bárbara Calmeto, diretora do Autonomia Instituto.

Além disso, lembra ela, ficar muito tempo parado pode ser uma tortura para quem tem o transtorno. “Portanto, uma boa forma de superar obstáculos durante o aprendizado é incluir processos dinâmicos na rotina. Escreva ou desenhe para deixar mais visual, abuse de recursos como gráficos, imagens, listas, cores diferentes (marca textos), vídeos educativos, atividades práticas etc. Com essas estratégias, será possível associar o conteúdo teórico com a experiência prática vivenciada. Vale também fazer anotações nos cadernos com post-its ou instalar aplicativos no celular com metas para cada horário de estudo. O importante é manter esta prática diariamente, refletindo sobre o que precisa ser feito e anotando cada detalhe no local que funcionar melhor. A prática permanente funciona como um estímulo extra para o cérebro, permitindo que as tarefas e os compromissos fiquem sempre frescos na mente”, complementa.

Yan Navarro faz, ainda, um alerta importante: cada estudante possui sua especificidade e a família deve estar atenta ao longo do processo sobre como ele aprende melhor, o que o acalma, o que o deixa nervoso e, principalmente, deixar claro para o examinador as necessidades desse estudante. “Muitas vezes, por problemas de comunicação entre a família e a banca examinadora, o aluno não recebe a atenção adequada de que necessita”, diz.

AQUELA AJUDA EXTRA

Além de mães, psicólogos e demais profissionais da Educação, conversamos também com professores de diferentes cadeiras e instituições para que dessem algumas dicas para os estudantes que farão as provas nos próximos dias 21 e 28 desse mês. Boa sorte!

MATEMÁTICA: “O aluno que vai fazer o ENEM esse ano precisa se certificar de que já fez todas as provas antigas. Só de matemática são mais de 20, com 45 questões cada. É um ótimo estudo. Basta o aluno fazer em ordem decrescente dos anos do Enem. As provas de hoje são um pouco diferentes das provas de 2009, por exemplo, que foi o primeiro ano. Mas é muito importante que o aluno consiga ver todas essas provas porque o modelo de questão que caia em 2009, cai hoje em dia também. A única diferença é que antes as provas eram mais de habilidade, com análises gráficas. Hoje em dia isso aparece nas provas também, mas de uma forma com mais conteúdo, em que os alunos identificam mais o uso de algumas poucas fórmulas e precisam usar o conhecimento teórico da matemática do Ensino Médio. Uma curiosidade: a prova do Enem de 2020, que foi realizada no início desse ano, não teve nenhuma novidade, ou seja, todas as questões que estavam na prova em relação a conteúdo e habilidades, já foram cobradas em outras provas. Claro, os enunciados mudavam, as perguntas também, mas eram as mesmas coisas do outro ano”, Thiago Galrão, Professor de Matemática do Colégio e Curso AZ.

Dicas extras:

- Leitura - quando o aluno for ler uma questão, é importante que ele leia primeiro a pergunta, que é o último parágrafo antes das alternativas. Dessa forma, ele já sabe o que a questão quer. Depois ele vai ler o texto inteiro, sem pular etapas, incluindo as perguntas. E antes dele começar a resolver, precisa ler as alternativas, porque quando lemos as alternativas, nós já temos uma expectativa de qual vai ser a resposta. Nesse momento, é muito comum que a gente já elimine algumas alternativas que pareçam absurdas, ou que o aluno perceba que a resposta está no próprio texto, ou até mesmo que veja que não precisa fazer a questão tradicionalmente usando as técnicas, que basta fazer testes de acordo com as informações do contexto.

- Tem que ler tudo - Às vezes o aluno nem leu a questão toda, mas olhou por cima e achou que ali precisava usar algo que não é do seu domínio. Com isso, já descarta e passa para a próxima. Mas isso não é o certo. Ele precisa ler tudo e só depois decidir qual questão vai fazer ou vai pular. Se souber fazer, o ideal é que faça logo. Já se souber fazer, mas achar que vai demorar, precisa fazer uma estimativa para entender qual é o melhor momento para fazer.

- Usar a prova real como método de resolução – Ou seja, pegar as alternativas e usar a seu favor. Por exemplo, a questão fala sobre proporção e lá no final ele mostra a área. Então, é só pegar as medidas do texto, substituir e ver qual das alternativas da essa área que ele falou. Eu não preciso fazer todas para depois verificar, posso usar a eliminação. Vou testando para saber qual está certa.

PORTUGUÊS: “A prova de Linguagens do Enem não é difícil. Porém, a carga de leitura é muito grande. Além disso, é preciso ter em mente que as provas são cansativas é será preciso lidar com o cansaço durante a prova”, Fernanda Fonseca, Professora de Língua Portuguesa do Colégio Mary Ward.

Dicas extras:

- Antes de ler o texto de uma questão, leia o enunciado, assim, quando for para o texto, seu olhar já estará direcionado para aquilo que o enunciado está pedindo. Dessa forma, você ganha tempo e responde com mais eficiência. Além disso, ao ler os enunciados, tenha muita cautela e atenção. Acredite: muito do que você precisará saber, em termos de conteúdo, para responder a uma questão já estará no enunciado. Fique atento!

- Quase sempre uma questão trará duas alternativas praticamente iguais e, por isso, você ficará em dúvida entre essas duas. O que fará a diferença será o detalhe. Assim sendo, leia muito atentamente cada texto, cada enunciado e cada alternativa.

- Por fim, se você tiver que analisar uma obra de arte, um quadro, por exemplo, não se esqueça de atentar ao autor do quadro e ao ano de sua produção. Isso o ajudará a estabelecer relações com o momento histórico e com o movimento artístico em que o quadro se situa.

LITERATURA: “Falando em Literatura e dada a proximidade da prova, o principal conselho seria que o candidato revisitasse as últimas provas (pelo menos as últimas cinco versões) para se apropriar do estilo de questão com a qual ele irá se deparar no dia do exame. Ao falarmos o contato com o texto literário no ENEM, não há uma lista de leituras específicas e nem um bloco fechado de conteúdos a serem estudados, portanto, o candidato deve se preparar para uma amplitude de autores e obras, principalmente autores e textos modernos e contemporâneos, em especial aqueles que se dedicam às temáticas sociais e que buscam uma visão crítica do candidato em relação à sociedade em que vivemos”, Eduardo Perioli Jr., Professor de Língua Portuguesa/Literatura do Colégio Humboldt.

O professor Jorge Júnior, do Intellectus, destaca ainda que quem estuda para o Enem há algum tempo, já deve ter percebido que a prova tem uma veia cultural bem incisiva. "Quero dizer que é comum a banca cobrar dos candidatos habilidades que envolvam seus conhecimentos em aspectos da cultura brasileira, sejam eles no âmbito da produção cultural ou da análise. A Literatura – nesse sentido – é uma ferramenta bastante usada ao longo da nossa história; seja como forma de protesto, identificação de grupos específicos e filosóficos; além disso, também foi usada como ferramenta de afirmação ou ainda de construção da nossa identidade nacional. Assim, faz-se muito importante que o candidato veja a Literatura não meramente como uma produção artística, mas também como ferramenta de crítica de afirmação e de formação cultural”, completa.

Dicas extras:

- Leia os textos com muita atenção, pois o texto literário tem especificidades que o diferenciam do texto não-literário, a exemplo da linguagem, do estilo, da necessidade de conhecer o contexto histórico e tudo isso deve ser reconhecido a partir de uma leitura atenciosa e detalhada;

- Busque sempre uma análise crítica dos textos, uma vez que os textos literários possuem camadas interpretativas que vão além de uma leitura superficial. É necessário entender como o autor constrói a ideia central a partir de elementos que não aparecem claramente na superfície do texto;

- Procure sempre estabelecer relações entre o texto e elementos extra-texto, como por exemplo, o contexto histórico, a vida do autor, uma imagem dada na mesma questão ou até mesmo elementos do enunciado, pois a prova do ENEM sempre busca a intertextualidade. As questões de literatura estabelecem relações com outras produções, estando sempre contextualizadas. Um olhar atencioso em todos esses elementos pode ajudar bastante na resolução da questão.

- Movimentos específicos como Romantismo e Modernismo devem ser priorizados na hora em que o aluno for se preparar para a prova, pois trazem o ideário nacional, ou seja, procuram construir a ideia nacionalidade brasileira - O Romantismo de forma mais idealizada e o Modernismo de forma mais crítica. Além disso, o movimento realista também deve estar na sua lista de estudos. Afinal de contas, Machado de Assis com sua inovação literária é considerado até hoje um dos maiores autores do Brasil e do mundo.

REDAÇÃO: “O aluno não deve confundir qualidade com quantidade a essa altura do ano. Muitas vezes, ele acredita que fazendo o máximo de redação possível, vai conseguir compensar o atraso que teve ao longo do ano e, assim, garantirá uma nota alta. Isso não é verdade. O que se espera do aluno agora é que ele consiga se concentrar naquilo que está errando. Para isso, é fundamental que ele faça uma redação, tenha essa redação corrigida, identifique os erros e estabeleça um período entre cada feitura para concentrar as suas energias e atenção no que está errando. Produzir uma quantidade enorme de textos sem que haja reflexão sobre a correção não é uma estratégia sábia”, David Gonçalves, Coordenador de Redação do Colégio e Curso AZ.

Dicas extras:

- Sabe-se que a coesão é um critério importante. No entanto, muitos aplicam em seus textos conectivos de modo artificial. Promover coesão não significa simplesmente empregar um conectivo no início de cada período de maneira indiscriminada. Isso criará um efeito negativo ao texto. O ideal é que o aluno utilize elementos coesivos (conectivos ou não) de modo responsável, respeitando os limites do gênero textual e atentando aos processos de sequenciamento e referenciação.

- O aluno deve empregar na argumentação palavras/expressões que demonstrem juízos de valor, isto é, termos que orientem a leitura, no sentido de fazerem o leitor perceber quais são as avaliações feitas pelo aluno a respeito do que é tratado.

- Embora não seja obrigatória a apresentação da proposta de intervenção na conclusão, optar por essa estratégia é uma decisão acertada. Além disso, o aluno deve, obrigatoriamente, apresentar uma proposta completa que apresente cinco partes: agente, ação, modo, meio, finalidade e detalhamento de uma dessas etapas.

“Nesses últimos dias que antecedem a prova, os candidatos podem revisar a estrutura da redação do Enem, além dos repertórios socioculturais, ou seja, os seus conhecimentos externos. Mas o que são esses conhecimentos externos? São as informações adquiridas e interiorizadas pelos alunos por meio de filmes, livros, séries e pesquisas. Esse é um conhecimento que ajuda o candidato a se posicionar sobre variados temas e a defender o seu ponto de vista. Recomendo a eles que organizem esses repertórios por eixo temático, por exemplo, saúde, educação, segurança, entre outros, para que tenham um embasamento sobre variados assuntos”, Carla Amanda Oliveira dos Reis, Professora de Redação do Colégio Physics.

Dicas extras:

- revise a estrutura do texto dissertativo-argumentativo;

- faça um levantamento de todos os temas que produziu ao longo do ano e observe qual eixo temático não foi contemplado ou foi produzido em menor quantidade. Assim, ele pode pesquisar sobre esse assunto e estudá-lo um pouco mais;

- lembre de fazer um bom projeto de texto, ou seja, que planeje de forma organizada o que vai ser argumentado, de modo que a leitura flua com clareza e com coerência.

CIÊNCIAS HUMANAS: "A prova de ciências humanas se encaixa muito bem na proposta do Enem, cujo objetivo é identificar as habilidades desenvolvidas pelos estudantes ao longo de sua formação básica. Sendo assim, não há porque temer esta parte do exame. Todo o conhecimento adquirido ao longo do ensino médio poderá ser usado para alcançar o que a questão espera. Tal conhecimento somado a uma boa interpretação de textos vai garantir um bom número de acertos.

Outra informação importante é em relação à Teoria de Resposta ao Item (TRI), que procura identificar uma coerência pedagógica ao longo da realização do exame. Ou seja, acertar as fáceis e errar as difíceis é o esperado pelo "sistema de correção". Desta forma, os candidatos, ao se depararem com uma questão mais complexa, devem passar para a seguinte e voltar nesta caso sobre tempo ao final do exame”, diz Renato Pellizzari, professor de História do Colégio e Curso Intellectus.

Dicas extras:

- Não decore, entenda o contexto. Entenda as relações de causalidade. Sempre existe a sequência: antecedentes, fato histórico e consequências (sociais, políticas, econômicas.

- Cronologia ajuda muito. Fica mais fácil estudar pela ordem dos acontecimentos. Assim identificamos mais facilmente a relação de causalidade. As datas não são importantes, não são mais cobradas. Mas ter uma ideia dos séculos nos quais os grandes fenômenos ocorreram é fundamental.

- Fique atento aos diferentes tipos de linguagem utilizados no exame: textos, charges, tirinhas e mapas. É fundamental conseguir interpretar todos eles. Identificar os contextos temporal e espacial, o tom e ponto de discussão.

SOCIOLOGIA: “Leia com atenção: os textos de apoio, as imagens, os gráficos e mapas, charges e as obras de arte – todo texto precisa ser lido”, Bárbara Lima, Professora de Sociologia do Colégio e Curso AZ.

Dicas extras:

- Autoria: É preciso reconhecer que autores diferentes vão produzir interpretações distintas sobre uma mesma realidade.

- Conceito: Fiquei atento no significado e nas implicações de cada conceito

- Processo: Foque nos processos que constituem as relações sociais – não é a natureza, mas construção social.

QUÍMICA: “Nesta reta final, meu conselho vai mais no sentido de entender o funcionamento da prova do ENEM do que estudar ou revisar conteúdos. O Enem calcula a nota dos alunos a partir de um sistema denominado TRI (teoria de resposta ao item), em que são levados em consideração não apenas a quantidade de acertos que o candidato teve, mas também quais questões acertou. Alunos que acertam uma maior quantidade de questões mais fáceis têm maior pontuação na prova. Assim, sugiro que os alunos baixem as provas de anos anteriores e façam uma leitura dinâmica das questões, classificando-as em fáceis, médias e difíceis. A ideia é tentar treinar essa identificação para que, no dia da prova, os alunos consigam priorizar a resolução de questões fáceis e médias, sem perder tempo demasiado com a resolução de questões difíceis”, Vinicius Freaza, professor de Química e Sócio-Diretor de Inovação Pedagógica da Evolucional.

Dicas extras:

- Em muitas questões são fornecidas equações químicas como exemplo nos enunciados. O entendimento desses exemplos poderá ajudar o candidato a aplicar o mesmo conceito em outras situações semelhantes propostas na pergunta;

- Algumas questões trazem gráficos e/ou tabelas, cuja simples leitura e extração de dados já pode levar a resposta correta;

- As questões que envolvem cálculos estequiométricos podem demandar vários passos para a resolução, o que geralmente confunde os candidatos. A organização desses passos na área destinada para "rascunho" da prova é essencial para se chegar à resposta certa com clareza.

BIOLOGIA: “Nas semanas anteriores, invista em dormir bem e estar preparado emocionalmente e fisicamente. Faça as revisões priorizando os temas recorrentes em cada área do conhecimento e também refazendo as questões erradas dos simulados, e treine a estratégia de prova de forma que você possa pular as questões mais longas e mais difíceis e priorizar as questões mais fáceis, menores e mais simples. É importante ressaltar que a TRI, metodologia de avaliação usada pelo ENEM, valoriza mais as questões fáceis e por isso é importante essa estratégia e priorização no momento da prova”, Sabrina Oliveira, professora de biologia e estrategista de aprovação do Vem Med, curso preparatório para Medicina.

Dicas extras:

- desenvolver agilidade para a resolução das questões;

- ter uma estratégia de prova que a TRI valorize (geralmente fazer a prova na ordem é uma péssima estratégia);

- alternar entre um número de questões de Ciências da Natureza e de matemática. Essa é uma forma de conseguir dedicar às duas provas sem deixar uma prova inteira para o final e ser prejudicado pelo cansaço

FÍSICA: “As provas do ENEM buscam avaliar o conhecimento geral do aluno. Aqueles que acham que "basta decorar as fórmulas" para irem bem, não obterão sucesso. A avaliação de física é muito bem elaborada e exige do aluno um repertório vasto de observações do cotidiano e interpretações físicas de cada situação. Para tal, o aluno deve ter estudado bastante ao longo do ano para que, quando confrontado com algo novo, possa ter segurança em resolver a questão. Basicamente, a prova de física do ENEM trabalha muito a linguagem gráfica, interpretação do texto, mudanças de unidades de medida e resoluções de problemas reais. Em uma breve análise, podemos dizer que as matérias têm sido apresentadas da seguinte forma: Leis de Newton e Conservação de energia 23%, Ondulatória 19%, Óptica 14%, Termofísica 14%, Eletricidade 12%, Cinemática 5%, Eletromagnetismo 5%, Física Moderna 4%, Estática 2% e Mecânica dos Fluidos 2%”, Armando Moucachen de Sant'Anna, Professor de Física do Colégio Domus Sapientiae.

Dicas extras:

- Leia a questão de maneira geral, buscar entender o que se pede para que depois releia as partes importantes as quais os dados relevantes à resolução estejam claros;

- Busque resolver a questão e só depois comparar sua resposta com as alternativas apresentadas;

- Se alguma questão der muito problema, pule de questão. Não perca tempo demais tentando resolver algo que, naquele momento, não sabe. Caso dê tempo, volte nela ao final.

ESPANHOL: “Mantenha a calma, a prova de espanhol traz texto em espanhol e enunciado e respostas em português. Então, você conseguirá entender bem o tema e a pergunta feita no enunciado. Confie no seu potencial e sucesso na resposta”, Rodolfo Badilla, Professor de Espanhol do Colégio Cândido Portinari.

Dicas extras:

- Lembre-se que a prova do Enem é uma prova de habilidades, e que você deve sempre começar a questão lendo o enunciado (comando) da questão;

- Geralmente, o comando traz uma informação ou resumo sobre o próprio texto e daí ele faz uma pergunta específica sobre o texto de modo geral, sobre a intencionalidade do autor ou para que você verifique alguma informação do texto. Preste atenção ao que está sendo perguntado para não responder algo que tenha lógica, mas que não seja a resposta da pergunta do enunciado;

- Existem habilidades que têm baixo nível de dificuldade. Por isso, as vezes, certas perguntas parecem óbvias, não tenha medo de responder.

INGLÊS: “Familiarizar-se com o formato da prova é essencial. Saber o que esperar faz com que você se sinta mais confiante e seguro. Resolva as provas dos anos anteriores e caso surja alguma dúvida quanto à resolução de alguma questão converse com o seu professor de inglês. Lembre-se que a prova tem 5 questões de inglês, que variam entre fácil, média e difícil. Mas mesmo a considerada mais difícil, normalmente é tranquila se você fizer com atenção. Apesar de a prova de inglês ser interpretativa, é importante que você tenha noções básicas de gramática da língua inglesa. Saber qual o espaço temporal, identificar a pessoa a qual o pronome se refere ou se a frase expressa uma ideia adversativa ou conclusiva faz diferença na resolução da questão”, Jackie Welsh, Professora de Língua Inglesa do Colégio Marista Anjo da Guarda.

Dicas extras:

- Mantenha-se atualizado. É comum que as questões sejam pautadas em assuntos atuais, tanto do Brasil quanto do mundo. Leia notícias em inglês sempre que puder;

- Familiarize-se com diferentes tipos de textos em inglês. Em provas anteriores foram utilizados poemas, artigos de revista/jornal, artigos de opinião, artigos sobre filmes, letras de músicas, anúncios, cartuns, trechos de livros famosos etc;

- Leia primeiro a pergunta e as opções de resposta. Antes de começar a leitura do texto, confira o enunciado do exercício e compreenda as alternativas da resposta. Isso certamente facilitará a resolução da questão e algumas vezes a resposta estará no título do texto.

FILOSOFIA: “Leia primeiro o enunciado e depois o texto. Ao ler o enunciado, você irá entender o que está perguntando na questão, assim terá uma leitura direcionada, uma chave-de-leitura e elementos para analisar e compreender o texto. Leia o texto, grifando as palavras-chave que tratam o enunciado, fazendo uma leitura direcionada, porque essas palavras-chave aparecem direta ou indiretamente nas respostas. Ora, as questões de Filosofia do ENEM exigem um exercício interpretativo e a prova é bem extensa, portanto, é necessário investir em estratégias para responder as questões no tempo proposto. Ler primeiro o enunciado e só depois o texto (ou a charge, a imagem, o poema, o trecho da obra do filósofo ou de um comentarista) é uma estratégia para ganhar tempo e investir mais tempo para resolver questões mais difíceis”, Leonardo Vasconcelos, Professor de Filosofia no Colégio Magnum Agostiniano da Inspira Rede de Educadores.

Dicas extras:

- Estude fazendo uma linha do tempo, identificando os principais Períodos da História da Filosofia e seus respectivos pensadores:

- Estude por Eixos Temáticos, os temas mais recorrentes são Ética, Política e Teoria do Conhecimento:

- Aponte o autor, a pergunta da questão, o período e o tema do texto. O Enem é uma prova que exige a leitura crítica de textos através da capacidade lógica, racional, contudo saber o conteúdo filosófico é fundamental para interpretação de textos. Se for possível leia duas ou três vezes o texto base da questão, identificando o autor ou pensador, a pergunta da questão, período histórico da Filosofia e o eixo temático que está sendo tratado no texto. Seguindo essas dicas você tem uma grande probabilidade de gabaritar todas as questões de Filosofia.

DICA EXTRA - TECNOLOGIA: “A tecnologia não é uma especialidade dentro da prova do ENEM, mas pode se apresentar de forma mais direta em temas de redação como por exemplo: Metaverso, FakeNews, Inteligência Artificial, liberdade de expressão nas redes sociais, desenvolvimento tecnológico nas diversas áreas de conhecimento, exploração do espaço, novas tecnologias e meio ambiente enfim, é necessário estar antenado nas notícias e ser curioso para acompanhar e compreender o tamanho que a tecnologia ocupa em tudo o que cerca a sociedade atual”, Ricardo Maia de Toledo, Professor de Tecnologias e Espaço Maker do Centro Educacional Primeiro Mundo.

Em tempo: “ Hoje, com as redes sociais, é fácil encontrar grupos de cada curso e cada universidade em que se pode trocar essas experiências e ter mais segurança na escolha. De todo modo, estamos em constante evolução, assim como o mercado de trabalho. Por isso, o jovem precisa também ter em mente que é normal recalcular a rota caso não se identifique com a área escolhida ou até mesmo se especializar em outras áreas de interesse após a graduação”, conclui Ana Lídia Fonseca Zerbinatti.