AnaMaria
Coluna Aventuras Maternas / QUENTINHOS E ACONCHEGADOS

Inverno: dicas de saúde e pratos saborosos para aquecer as crianças no frio

Apesar de nossa obsessão por casacos, será mesmo necessário tudo isso para quem vive no Brasil?

*Priscila Correia, do Aventuras Maternas, colunista de AnaMaria Publicado em 25/06/2021, às 08h20

Louise e os filhos de pijama - Arquivo pessoal
Louise e os filhos de pijama - Arquivo pessoal

Não importa de qual geração você é, mas existe uma coisa que nunca muda: uma mãe adora ver seus filhos bem agasalhados. Aquela imagem do bebê com luva, meia, gorro e roupa quentinha é tão natural, que fazemos questão de garantir o casaquinho de lã, mesmo para bebês que nascem em pleno verão de 40 ºC do Rio de Janeiro (RJ).

Confesso para vocês que garanti um enxoval quentinho para meu primeiro filho, que nasceu em um novembro carioca, mas acabei usando poucas peças. O motivo? Ele se remexia até tirar aqueles excessos e precisei entender que eu precisava controlar minha ansiedade de ver um boneco vestido com roupinhas de lã. Afinal, ele tinha um corpinho que já sentia a temperatura real do mundo fora da barriga.

Me lembrei da minha experiência com meus filhos pequenos (com o segundo já evitei boa parte dos agasalhos), porque acabamos de entrar no inverno e é nesta época que a famosa obsessão por casacos, gorros e até um bom cobertor quentinho ganha força no coração materno. Mas será mesmo necessário tudo isso para quem vive no Brasil?

CRIANÇAS VERSUS CASACO
Mãe de Guilherme, Louise Furtado conta que ela e o filho estão em uma constante disputa com os casacos - eles moram na Serra Fluminense, onde as temperaturas costumam ser mais amenas o ano inteiro, mas não o suficiente para que o pequeno, de 3 anos, q ueira se manter aquecido. “Ficamos naquela 'bota casaco, tira casaco' o dia inteiro, fora durante a noite, que ele não aceita ficar coberto e, por isso, utilizo macacões. Assim, conseguimos manter ele quentinho”, conta. Já o filho mais velho, Caio, é friorento como ela e adora um cobertor.

A pneumologista pediátrica Jacqueline Santim explica que, por mais que surjam algumas “regras” para agasalhar as crianças, como a de “uma camada a mais de roupa do que a do adulto”, é preciso sempre observar o conforto dos pequenos. "Existem crianças mais e menos calorentas, assim como adultos. Agasalhar demais causa incômodo e, em recém-nascidos, até mesmo hipertermia que simula febre", ressalta. Ela esclarece ainda que, o frio por si só, não é capaz de adoecer uma criança saudável, sendo necessário o contato com o agente infeccioso, vírus ou bactéria. "Se não fosse assim não haveria civilização nos países nórdicos, todo mundo morreria diante das nevascas."

Ok, nós até entendemos que o frio não é capaz de, sozinho, adoecer nossos filhos. Mas não dá para negar que nosso coração dói só de pensar que o bebê pode sentir frio, sem conseguir verbalizar a sensação. A pediatra Patricia Marañon Terrivel explica que, aos poucos, nos tornamos capazes de reconhecer nossos filhos, sabendo se ele é mais calorento ou mais friorento que nós. E ainda ressalta uma dica importante, especialmente para as mães mais aflitas ou de primeira viagem: recém-nascidos sempre vão estar com as mãos geladinhas. "Coloque a mão dentro do body que você vai saber se está quente. Em crianças mais velhas, aí sim, pode pegar a mão, ver se está gelado, colocar capuz, gorro, para manter a temperatura”.

Outra dúvida bem comum é sobre o melhor material para manter as crianças aquecidas. A lã, por exemplo, pode causar mais quadros alérgicos. Inclusive, a pediatra e alergista Myllena de Andrade Cunha pontua que o uso de roupas de lã e cobertores que ficam muito tempo guardados, faz com que o paciente tenha mais exposição ao ácaro, o que para muitos alérgicos é um fator importantíssimo para o desencadeamento de crises enquanto dormem.

AQUECIDOS ENQUANTO DORMEM

Exemplo de casulo que mantém o bebê quentinho. Crédito: Divulgação/Casulo de Anjo

Se durante o dia já é difícil controlar a vontade de encher nossos pequenos de agasalhos, durante à noite é quase impossível segurar o impulso, pois queremos ter a certeza de que estão bem aquecidos e não vão ficar descobertos ao menor sinal de mexida na cama.

Uma boa dica para os menores ficarem quentinhos são os sacos de dormir. Não, eu não estou falando daqueles de acampar, mas de um modelo específico para os pequenos ficarem protegidos do frio durante a noite e com conforto – os casulos, que a empresária Roberta Pitta Machado, da Casulo de Anjo, trouxe para o Brasil, após conhecê-los em uma viagem em 2014. O objetivo é evitar o risco de sufocamento por excesso de cobertas e garantir um sono sem correntes de frio, até mesmo para aquelas crianças que se mexem muito na cama e acabam ficando descobertas.

Já para os que não se remexem tanto, o famoso pijama de mangas e calças compridas pode ser a melhor solução, especialmente, se forem confeccionados em tecidos leves, como o algodão, linho, ou sintéticos e antialérgicos

Outra dica que costuma ser bastante interessante para dar conforto para as crianças, especialmente na hora de deitar, quando o colchão e os lençóis ainda estão gelados, é colocar um saco de água quente minutos antes de dormir.

CUIDADOS COM A SAÚDE
Roberta Zampieri, mãe de Rodrigo, de 3 anos, conta que, além das blusas de manga comprida e casaquinhos, ela tem alguns cuidados extras com o filho no inverno. “Costumo sempre cuidar da hidratação e da alimentação, espirrar spray nasal com frequência, dar banhos mais rápidos e deixar as vacinas sempre em dia”, comenta.

O menino Rodrigo Zampieri preparado para os dias mais frios. Crédito arquivo pessoal.

O pediatra Clovis Constantino concorda com os cuidados maternos de Roberta. Isso porque, do ponto de vista respiratório, que é um dos fatores que mais merece atenção no inverno, é importante considerar que, em função de haver mais pessoas dentro de ambientes fechados, os vírus respiratórios circulam mais. O influenza, o vírus da gripe, e o vírus sincicial respiratório, causador de bronquiolites em bebês, podem causar infecções mais profundas no aparelho respiratório dos pequenos. 

Oferecer líquidos, mesmo que as crianças não tenham sede, o que é normal no tempo frio, é essencial no equilíbrio orgânico. Além disso, ele faz outros alertas, como garantir a ventilação dos ambientes e, no caso de bebês, se possível, a família deve apostar no aleitamento materno, que é um fator excelente de proteção contra doenças e infecções.

E para deixar a gente mais tranquila, conversei com alguns especialistas sobre os cuidados gerais que devemos ter com as nossas crianças no inverno. 

Quais são as alergias mais comuns do inverno? E por que elas aparecem nesta época do ano?
Myllena de Andrade Cunha, pediatra e alergista - Não há duvidas de que quem mais sofre durante o inverno são os pacientes alérgicos, tanto com alergia respiratória (principalmente asmas, bronquites e rinites) quanto de pele (com destaque para a dermatite atópica).

Em primeiro lugar, muitos vírus sazonais são mais prevalentes nesta época, o que aumenta os quadros de infecções. Devido às baixas temperaturas, estamos habituados a permanecer em ambientes fechados, o que facilita a proliferação destes microorganismos. O frio e o clima seco também servem como fatores irritativos para as vias respiratórias, exacerbando os sintomas de tosse, coriza e obstrução nasal. Quando citamos as alergias de pele, sabemos que os pacientes com dermatite atópica possuem uma pele extremante seca, e essa época do ano piora e muito o ressecamento da pele, exacerbando a coceira e sendo gatilho para as infecções secundárias da pele.

Quais são os cuidados necessários para a pele dos pequenos?
Clóvis Constantino, pediatra, Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria e professor do curso de Medicina da Universidade Santo Amaro - Em relação aos cuidados com a pele, no inverno há uma tendência de as pessoas tomarem banhos mais quentes e fazerem o mesmo com os bebês. A água muito quente, porém, agride a pele das crianças, removendo suas proteções naturais. O uso de sabonete em excesso tem o mesmo efeito. Então, o ideal é fechar as entradas de ar e dar banhos rápidos, com água mais morninha e com pouco sabonete – a não ser em locais onde ele é necessário, como o bumbum.

Como não confundir sintomas alérgicos com os de COVID-19?
Myllena de Andrade Cunha - Alguns dos sintomas mais comuns da Covid-19 podem ser facilmente confundidos em uma análise superficial com os de uma gripe comum ou de doenças alérgicas, como a rinite. No entanto, uma boa história clínica, em geral, é suficiente para essa diferenciação. O resfriado costuma ser mais leve, e as crianças podem apresentar irritação na garganta, coriza, obstrução nasal e dor de cabeça. O quadro em geral costuma melhorar em poucos dias. No caso de rinite alérgica, os sintomas são mais irritativos: coceira no nariz e coriza são os principais sintomas e na grande maioria das vezes há uma história clássica de contato com agentes alérgicos sensibilizantes. 

Vale lembrar que alergias não causarão comprometimento sistêmico, como febre, por exemplo. Na Covid-19 os sintomas mais comuns são febre, tosse seca, cansaço e perda de paladar ou olfato. Também podem estar presentes dores musculares, diarreia, conjuntivite, dor de cabeça e irritações na pele. Em casos mais graves, se observa dificuldade para respirar. As crianças apresentam menor intensidade dos sintomas em relação aos adultos, mas na presença dos sintomas acima, apenas o teste para o coronavírus será capaz de confirmar ou excluir este diagnóstico.

Existe dica para fortalecer a imunidade das crianças?
Jacqueline Santim, pediatra com especialização em pneumologia - Sono adequado em horas e qualidade, alimentação saudável e variada, e rotina de lavagem nasal diária. Todo pai e mãe sabe como, na verdade, tudo isso é bem complexo, e muitos cedem diante da pressão da indústria farmacêutica por vitaminas e “fortificantes de imunidade”.

Como manter os cuidados com o ambiente das crianças e o que fazer ao sinal de problemas de saúde?
Patricia Marañon Terrivel, pediatra - Se colocar aquecedor, os elétricos são melhores, mas se for a gás, umidificar um pouco o ambiente, porque se não fica muito seco. Quem não tem condições de ter um umidificador de ar, quando sair do banho, deixa a toalha molhada no quarto que ajuda a aumentar a umidade, ou uma bacia de água embaixo da cama. Vão ter muito resfriados nessa época, mas é importante segurar a criança em casa por 48 ou 72h antes de levar para o pronto socorro e evitar que ele pegue outras doenças. Lavar bem o nariz, não tomar medicação por conta própria e seguir essa rotina.

COMIDINHA E CONFORTO, MAS SEM EXAGEROS
Uma boa nutrição pode ajudar a manter a imunidade dos pequenos e minimizar os efeitos do frio. Mas não se pode esquecer é que, independentemente da temperatura, durante a infância são formados os hábitos alimentares que serão levados para toda a vida. “Uma alimentação saudável favorece a formação de um intestino saudável e, se os processos de digestão e absorção não estão funcionando adequadamente, é provável que os nutrientes não cheguem à célula, e consequentemente a nutrição estará comprometida”, explica a nutricionista Giselle Cassitas Duarte.

Nessa época do ano, é importante priorizar a alimentação nutritiva e balanceada, com alimentos in natura, frutas e vegetais fontes de vitaminas como a vitamina A, C e complexo B. Além disso, como já dissemos acima, também é essencial priorizar a água como fonte de hidratação. No caso de sucos, preferir os naturais da fruta ou de polpa sem açúcar.

“Uma dieta com pouca variedade de alimentos pode levar à deficiência de algumas vitaminas que podem prejudicar o crescimento, o desenvolvimento e a imunidade do corpo. A grande aposta é trazer pratos com variedade de cores e alimentos que chamem a atenção das crianças, como espinafre, couve, alface e brócolis, cenoura e abóbora. Frutas como laranja, mamão, kiwi, abacaxi e melão também são importantes e devem ser inseridas na alimentação”, afirma a nutricionista. Mas um alerta importante: o frio “chama” comidinhas que dão aquele conforto e, muitas vezes, acabamos apostando em algo pronto, mais prático, que não nos faça ficar cozinhando em uma cozinha gelada. 

Mas é preciso evitar o consumo frequente de alimentos superprocessados, principalmente com altas concentrações de açúcar e gordura vegetal/ hidrogenada/trans. Deve-se, constantemente, garantir o consumo de frutas, vegetais e de vitamina A, encontrada em ovos, fígado, leite, e nos carotenoides, como manga, batata doce, abóbora, cenoura, espinafre e couve. O ideal é consumi-los junto a uma fonte de gordura boa, para aumentar ainda mais a absorção dessa vitamina como, por exemplo, purê de abóbora com azeite de oliva extra-virgem ou um lanchinho de manga com castanha do Pará. “Também é necessário incluir na rotina a vitamina C, encontrada no limão, acerola, morango e abacaxi, e vitamina D, produzida durante a exposição ao Sol e presente em vegetais verde escuro e na gema do ovo que ajudam a fortalecer as defesas do corpo”, exemplifica a nutricionista.

E para ajudar os pais a oferecerem um cardápio saboroso, cheio de nutrientes e com aquele carinho que nossos pequenos merecem, pedimos a três especialistas da área receitas práticas para aconchegar a família.

CALDO DE FRANGO
Por Valéria Goulart, nutróloga, especialista em medicina de qualidade de vida, endocrinologista pediátrica e médica na Rede D’or.


Caldo de frango com legumes. (Crédito: arquivo pessoal)

  • 1 peito de frango médio
  • 1 xícara (chá) de macarrão
  • 1 cenoura pequena
  • 1 tomate médio sem pele e sem sementes
  • 1 batata média
  • 2 folhas de acelga japonesa
  • Meia xícara (chá) de cheiro verde picado
  • Meia xícara (chá) de cebola picada
  • 2 dentes de alho
  • 1 litro e meio de água
  • 1 talo pequeno de salsão
  • sal à gosto

Corte e pique todos os ingredientes e coloque em uma panela menos o macarrão. Quando estiverem cozidos retire o frango, elimine os ossos, a pele, desfie e coloque novamente na panela. Após ferver, coloque o macarrão, mexa e deixe cozinhar por 5 minutos. Retire o salsão. Bata o restante no liquidificador.

SOPA DE INHAME FUNCIONAL
Por Annelise Cavalcanti Frota, nutricionista do dr.consulta no RJ.


Sopa de inhame. Foto: arquivo pessoal.

  • 1 colher (chá) de óleo de abacate 
  • 1 dente de alho picado 
  • 1 cebola média picada 
  • 500 gramas de inhame picado 
  • 1 litro de caldo de legumes caseiro* 
  • 1 maço de alface picado 
  • Salsa a gosto 
  • 1 colher (sopa) de linhaça dourada

* Ingredientes para o caldo de legumes:

  • 1 cebola pequena 
  • 1 dente de alho 
  • 1 cenoura 
  • 2 litros de água 
  • Sal marinho a gosto 
  • 1 raminho de salsão 
  • 2 colheres (sopa) de salsa picada

Em uma panela, aqueça o óleo de abacate e refogue o alho e a cebola. Junte o inhame e refogue por mais três minutos. Acrescente o caldo de legumes caseiro e a alface e cozinhe até o inhame ficar macio. Desligue o fogo e deixe esfriar. Bata as sementes de linhaça no liquidificador e reserve a farinha. Bata a sopa no liquidificador e volte à panela apenas para aquecer. Salpique a salsa e a farofa de linhaça e sirva em seguida.

BOLINHO DE ESPINAFRE

Proposta da atriz Lara Cardoso em seu Canal Helô Heloilda.


Bolinho de espinafre. (Crédito: Arquivo Pessoal).

  • 1 ovo 
  • 1 maço de espinafre 
  • 1/2 xícara de leite 
  • 1 colher de sopa de queijo ralado 
  • 2 colheres de sopa de farinha de trigo 
  • 1 cebola picadinha 
  • 1 colher de chá de fermento em pó Sal, pimenta do reino e cheiro verde a gosto

Refogue a cebola num fio de azeite e coloque o espinafre até murchar um pouco. Reserve. Em outra vasilha, misture com as mãos os outros ingredientes. Acrescente o espinafre cortado bem pequenininho. Coloque nas forminhas e salpique queijo parmesão. Leve ao forno até dourar.

*PRISCILA CORREIA é jornalista, especializada no segmento materno-infantil. Entusiasta do empreendedorismo materno e da parentalidade positiva, é criadora do Aventuras Maternas, com conteúdo sobre educação infantil, responsabilidade social, saúde na infância, entre outros temas. Instagram: @aventurasmaternas