AnaMaria
Busca
Facebook AnaMariaTwitter AnaMariaInstagram AnaMariaYoutube AnaMariaTiktok AnaMariaSpotify AnaMaria

Meu filho tem que tomar antibiótico. E agora?

Um guia com dúvidas e informações importantes para pais e mães

*Priscila Correia, do Aventuras Maternas, colunista de AnaMaria Digital Publicado em 15/09/2023, às 08h53

WhatsAppFacebookTwitterFlipboardGmail
Coluna Aventuras Maternas apresenta um guia com dúvidas e informações importantes para pais e mães - Unsplash/Omar Lopez
Coluna Aventuras Maternas apresenta um guia com dúvidas e informações importantes para pais e mães - Unsplash/Omar Lopez

Quando se trata da saúde das nossas crianças, o uso de antibióticos é uma questão que frequentemente surge. Exatamente porque muitos pais enfrentam o dilema sobre quando é apropriado ou necessário recorrer a esses medicamentos para seus filhos pequenos. “Os antibióticos são indicados para tratamento e prevenção de infecções causadas por bactérias. As principais, em crianças, são as infecções de vias aéreas superiores (como otites e amigdalites), pneumonias e infecções urinárias”, explica o pediatra e imunologista Luiz Carlos Gondar Arcanjo, que também é alergista na Alergia Clinica Magalhães Rios.

A pediatra Tatiana Cicerelli Marchini, neonatologista da Clínica Parto com Amor, pontua, ainda, que embora boa parte das infecções pediátricas ocorram por conta de vírus, como resfriados, sinusite e problemas gastrointestinais (casos em que a prescrição de antibióticos não se aplica), quando a origem é bacteriana, não há outro caminho que não seja o antibiótico. “Em doenças como amigdalite, faringite, infecções do trato urinário que podem envolver problemas na bexiga ou nos rins, alguns tipos de conjuntivite, infecções por estreptococos, determinados casos de varicela, casos de infecções fúngicas da pele, entre outras situações, têm que entrar com o antibiótico mais indicado para cada caso”, comenta.

E para ajudar a elucidar algumas questões que habitualmente passam por nossas cabeças, na coluna de hoje vamos falar sobre o equilíbrio entre o uso responsável desse tipo de medicamento em crianças, as situações em que talvez não sejam realmente necessários e os mitos mais comuns sobre interações durante o tratamento com antibióticos.

DIRETO AO PONTO

Quando somos pegos de surpresa com a indicação de um tratamento com antibióticos para nossos pequenos, ficamos esboçando perguntas que, muitas vezes, não temos a oportunidade de conseguir explicações mais detalhadas com o médico responsável. Por isso, separamos as questões mais comuns (e que mais afligem) mães, pais e responsáveis, para que esse material possa ficar guardado para sempre que uma dúvida surgir.

AVENTURAS MATERNAS - Há alternativas de tratamento, ainda que mais longos, em que outros remédios possam ser administrados no lugar do antibiótico?

Luiz Carlos Gondar Arcanjo: Se realmente for uma infecção bacteriana, não existe outra alternativa que não seja a administração de antibiótico.

Tatiana Cicerelli Marchini: Sim, em alguns casos, existem alternativas de tratamento que não envolvem antibióticos ou que possam ser utilizadas em conjunto com antibióticos

AVENTURAS MATERNAS - Antibióticos para crianças baixam a imunidade? Se sim, por que isso acontece e em quanto tempo o organismo da criança volta “ao normal”?

Luiz Carlos Gondar Arcanjo: Diretamente não. Um exemplo, quando se toma um antibiótico para tratar uma otite e o paciente evolui com uma candidíase, que é uma complicação frequente, esperada, sempre que se usa um antibiótico. Existem no nosso corpo diferentes microorganismos vivendo em equilíbrio. Quando se usa um antibiótico, este irá matar todas as bactérias sensíveis a ele e, com isso, irá "sobrar "mais nutrientes para que outros microorganismos se devolvam e proliferam, gerando outra infecção (oportunista). Existem ainda os bactérias que são importantes na absorção de nutrientes que irão melhorar a resposta contra outros germes, entre outras funções. Quanto ao tempo que irá levar para se recuperar, vai depender de alguns aspectos, como por exemplo, tempo de uso do antibiótico, severidade da infecção, estado nutricional, sendo que alguns estudam falam em 6 meses a dois anos para recuperação total

Tatiana Cicerelli Marchini: Os antibióticos não têm um efeito direto de baixar a imunidade, mas podem afetar o equilíbrio da microbiota intestinal (conjunto de bactérias no intestino) da criança. Isso ocorre porque os antibióticos não são seletivos e matam tanto as bactérias patogênicas (causadoras de doenças) quanto as bactérias benéficas no trato gastrointestinal. A microbiota intestinal desempenha um papel importante na função do sistema imunológico, ajudando a regular a resposta imunológica e proteger contra infecções. A perturbação da microbiota intestinal devido ao uso de antibióticos pode temporariamente afetar a resposta imunológica da criança, tornando-a potencialmente mais suscetível a infecções. Isso ocorre porque as bactérias benéficas no intestino desempenham um papel na promoção da imunidade.

Em quanto tempo o organismo da criança volta "ao normal" depende de vários fatores, incluindo o tipo de antibiótico, a duração do tratamento, a saúde geral da criança e a dieta. Geralmente, a microbiota intestinal pode se recuperar após algumas semanas a alguns meses após o término do tratamento com antibióticos. Durante esse período de recuperação, é importante garantir que a criança mantenha uma dieta equilibrada e saudável, que pode ajudar a promover o crescimento de bactérias benéficas no intestino. No entanto, vale a pena notar que a microbiota intestinal pode não voltar exatamente ao estado anterior, e pode haver mudanças a longo prazo após o uso de antibióticos. É por isso que é essencial usar antibióticos apenas quando prescritos por um médico e seguir rigorosamente as orientações para minimizar os impactos na microbiota intestinal e no sistema imunológico da criança.

Dependendo da natureza da infecção e das recomendações do médico, algumas alternativas incluem antivirais (em vez de antibióticos, infecções virais, como gripe ou herpes, podem ser tratadas com antivirais específicos), terapias de suporte (em algumas infecções virais, o tratamento se concentra em aliviar os sintomas e apoiar o sistema imunológico do paciente, como descanso, hidratação e medicamentos para aliviar a febre e a dor), antifúngicos (infecções fúngicas podem ser tratadas com medicamentos antifúngicos, como miconazol ou fluconazol), imunoglobulinas (em certos distúrbios do sistema imunológico, como a imunodeficiência primária, a administração de imunoglobulinas pode ser necessária para fortalecer a resposta imunológica), probióticos (em algumas infecções gastrointestinais, como diarreia associada a antibióticos, probióticos podem ser usados para restaurar o equilíbrio das bactérias no intestino), tratamento sintomático (em infecções virais leves, o tratamento pode se concentrar na gestão dos sintomas, como tosse, congestão e dor de garganta, com medicamentos de venda livre). É importante ressaltar que o tratamento de infecções deve ser determinado pelo médico com base no tipo e na gravidade da infecção, bem como na história médica do paciente. A automedicação ou a substituição de antibióticos sem orientação médica podem não ser seguras e eficazes. Sempre consulte um profissional de saúde para orientação adequada.

AVENTURAS MATERNAS - Antibiótico realmente estraga os dentes? 

Luiz Carlos Gondar Arcanjo: Os antibióticos modernos não estragam os dentes, não causam cáries, não alteram a erupção dentária, nem deixam os dentes mais fracos. A exceção é a tetraciclina, um antibiótico muito utilizado no passado, que era capaz de causar um escurecimento dos dentes por sua capacidade de deposição no cálcio dentário.

Tatiana Cicerelli Marchini: Os antibióticos em si não causam danos diretos aos dentes. No entanto, alguns tipos podem ter efeitos secundários que afetam a saúde bucal, principalmente em crianças em fase de desenvolvimento dos dentes. Isso ocorre devido a duas razões principais: manchas nos dentes (antibióticos da classe das tetraciclinas, como a tetraciclina e a doxiciclina, podem causar manchas nos dentes permanentes em crianças com menos de 8 anos de idade, cujos dentes ainda estão em desenvolvimento. Isso ocorre quando esses antibióticos são administrados durante a gravidez ou durante a infância.

As manchas nos dentes podem variar de leves a graves e afetar a aparência dos dentes permanentes) e candidíase oral (alguns antibióticos podem alterar o equilíbrio das bactérias na boca, permitindo que fungos, como a Candida albicans, cresçam em excesso, causando uma infecção chamada candidíase oral. Isso pode levar a sintomas como manchas brancas na língua e nas mucosas da boca). É importante observar que nem todos os antibióticos têm esses efeitos colaterais, e os benefícios do tratamento geralmente superam os riscos potenciais. No entanto, é fundamental que os médicos considerem cuidadosamente a escolha de antibióticos em pacientes jovens e grávidas, levando em conta os potenciais efeitos colaterais nos dentes e na saúde bucal. Além disso, é fundamental manter uma boa higiene bucal, independentemente do uso de antibióticos, para prevenir problemas dentários e bucais. Consultar um dentista regularmente e seguir as orientações médicas é a melhor maneira de garantir a saúde bucal ao usar antibióticos.

AVENTURAS MATERNAS - Quais efeitos colaterais que os antibióticos causam nas crianças? Dentre esses, algum é irreversível?

Luiz Carlos Gondar Arcanjo: Facilitar infecções oportunistas, diarréia e/ou dor abdominal, ototoxicidade, insuficiência renal, hepatite medicamentosa, entre outras. A insuficiência renal e a hepatite medicamentosa são as que oferecem maior risco de sequelas, por vezes, irreversíveis.

Tatiana Cicerelli Marchini: Os antibióticos podem causar vários efeitos colaterais em crianças, e a gravidade e a reversibilidade desses efeitos podem variar. Alguns desses efeitos comuns incluem Distúrbios gastrointestinais (náuseas, vômitos, diarreia e desconforto abdominal são efeitos colaterais comuns dos antibióticos. Eles geralmente desaparecem após a conclusão do tratamento), reações alérgicas (algumas crianças podem desenvolver alergias aos antibióticos, o que pode variar de uma erupção cutânea leve a reações alérgicas graves, como anafilaxia. As reações alérgicas geralmente não são irreversíveis, mas podem exigir tratamento médico imediato), disbiose intestinal (os antibióticos podem alterar o equilíbrio das bactérias intestinais benéficas, levando a problemas como diarreia associada a antibióticos (DAA).

Normalmente, a flora intestinal se recupera após a interrupção do antibiótico. Também podem surgir manchas nos dentes, candidíase oral ( uso prolongado de antibióticos pode permitir o crescimento excessivo de fungos na boca, causando candidíase oral. Isso é tratável e geralmente reversível com medicamentos antifúngicos) e problemas musculares e articulares (alguns antibióticos, como a ciprofloxacina, podem afetar os músculos e tendões, mas isso é raro em crianças). É importante notar que a maioria dos efeitos colaterais dos antibióticos é temporária e reversível após a conclusão do tratamento. No entanto, é essencial seguir as orientações do médico quanto ao uso adequado de antibióticos, a duração do tratamento e qualquer acompanhamento necessário para garantir a segurança e a saúde da criança. Se você estiver preocupado com os efeitos colaterais de um antibiótico específico, é fundamental discutir essas preocupações com um médico ou pediatra.

AVENTURAS MATERNAS - Há alguma condição preexistente que impeça o uso de antibióticos?

Luiz Carlos Gondar Arcanjo: Reação adversa anterior importante, como as alergias e as lesões de órgãos, como rim e fígado. pacientes com Deficiência de glicose 6 fosfato desidrogenase (G6PD) não podem usar antibióticos contendo sulfa.

Tatiana Cicerelli Marchini: Sim, existem algumas condições preexistentes em que o uso de antibióticos pode ser limitado ou requerer cuidados especiais, como alergias a antibióticos (se uma pessoa tiver alergia conhecida a um antibiótico específico, é importante evitar esse medicamento e informar o médico sobre a alergia para evitar reações adversas graves), problemas renais ou hepáticos (em casos de disfunção renal ou hepática significativa, pode ser necessário ajustar a dosagem de antibióticos, pois esses órgãos desempenham um papel na eliminação do medicamento do corpo), gravidez (durante a gravidez, alguns antibióticos podem ser seguros, enquanto outros podem representar riscos para o feto.

O médico deve escolher antibióticos apropriados com base no risco-benefício), problemas cardíacos (em casos de doenças cardíacas, certos antibióticos podem afetar o ritmo cardíaco ou interagir com outros medicamentos cardíacos, exigindo monitoramento cuidadoso), histórico de problemas gastrointestinais (pessoas com histórico de colite ou outros problemas gastrointestinais podem ser mais suscetíveis a complicações com antibióticos, como diarreia associada a antibióticos), distúrbios sanguíneos (alguns antibióticos podem afetar a contagem de células sanguíneas, o que pode ser um problema em pessoas com distúrbios sanguíneos preexistentes), interações medicamentosas (pessoas que tomam outros medicamentos podem estar em risco de interações medicamentosas adversas com antibióticos.

É essencial informar o médico sobre todos os medicamentos que você está tomando, resistência a antibióticos (em casos em que a pessoa tem uma infecção resistente a muitos tipos de antibióticos, a escolha do tratamento pode ser limitada, e a situação requer uma avaliação cuidadosa). É fundamental que qualquer pessoa que tenha uma condição médica preexistente informe o médico sobre ela antes de iniciar o tratamento com antibióticos. O médico poderá considerar essas condições ao escolher o antibiótico apropriado e determinar a dosagem adequada para garantir a segurança e a eficácia do tratamento

AVENTURAS MATERNAS - O uso de antibióticos de forma constante pode levar as bactérias a se tornarem mais resistentes?

Luiz Carlos Gondar Arcanjo: Sim, quando se usa um antibiótico, este irá matar as bactérias que são sensíveis a ele, sobrando bactérias que toleram aquele antibiótico. Então, se o paciente fizer uso, logo em seguida de outro antibiótico que pegue outros tipos de bactérias, Irão sobrar bactérias resistentes agora a dois tipos de antibióticos diferentes e, por aí vai, aumentando a resistência diferentes antibióticos e levando ao desenvolvimento de superbactérias multirresistentes.

Tatiana Cicerelli Marchini: Sim, o uso constante e inadequado de antibióticos pode levar ao desenvolvimento de resistência bacteriana. A resistência bacteriana ocorre quando as bactérias sofrem mutações genéticas que as tornam menos sensíveis ou totalmente resistentes aos efeitos dos antibióticos. Isso pode ser um problema significativo, pois pode tornar as infecções mais difíceis de tratar. A resistência bacteriana é promovida por vários fatores, incluindo uso indevido de antibióticos (isso inclui não completar um ciclo de antibióticos prescrito, usar antibióticos para infecções virais - que não respondem a antibióticos - e tomar antibióticos sem a orientação de um médico), uso excessivo de antibióticos (o uso excessivo e desnecessário de antibióticos em pacientes, na agricultura e em animais de criação contribui para a seleção de bactérias resistentes) e transmissão de bactérias resistentes (bactérias resistentes podem se espalhar de pessoa para pessoa ou de animais para humanos, contribuindo para a disseminação da resistência).

Trata-se de um problema global de saúde pública, pois limita as opções de tratamento para infecções comuns e pode levar a infecções mais graves e potencialmente fatais. Para combater a resistência bacteriana, é fundamental que os antibióticos sejam usados de maneira responsável, prescritos apenas quando necessário e completados conforme as orientações médicas. Além disso, as práticas de higiene, como lavagem adequada das mãos, são importantes para prevenir infecções e reduzir a necessidade de antibióticos.

AVENTURAS MATERNAS - Em linhas gerais, quais os pros e contras de usar antibióticos em crianças?

Luiz Carlos Gondar Arcanjo: Erradicação de uma infecção que pode levar a sequelas e até a morte; sempre que se tem uma infecção pode haver um retardo da velocidade de crescimento da criança; risco de contaminação/proliferação da infecção; efeitos colaterais como diarréia, zumbido, agitação psicomotora, entre outras.

Tatiana Cicerelli Marchini: O uso de antibióticos em crianças pode ter benefícios quando necessário, mas também apresenta desvantagens. Entre os principais prós, estão tratamento eficaz (os antibióticos são eficazes no tratamento de infecções bacterianas e podem curar ou aliviar os sintomas rapidamente), prevenção de complicações (o uso adequado de antibióticos pode prevenir complicações graves que podem resultar de infecções não tratadas), melhoria rápida dos sintomas (as crianças geralmente se sentem melhor em poucos dias após o início do tratamento com antibióticos), prevenção da disseminação (em certos casos, como infecções contagiosas, os antibióticos podem ajudar a prevenir a propagação da infecção para outras pessoas).

Já entre os contras estão resistência bacteriana (o uso inadequado de antibióticos pode levar ao desenvolvimento de bactérias resistentes, tornando infecções futuras mais difíceis de tratar), efeitos colaterais (antibióticos podem causar efeitos colaterais, como distúrbios gastrointestinais, alergias, erupções cutâneas e diarreia), desequilíbrio da flora intestinal (os antibióticos podem afetar as bactérias benéficas no intestino, levando a problemas digestivos, como diarreia associada a antibióticos (DAA)), alergias (algumas crianças podem ser alérgicas a antibióticos específicos, o que pode resultar em reações alérgicas graves), custos e desperdício (o uso excessivo ou desnecessário de antibióticos aumenta os custos de cuidados de saúde e contribui para o desperdício de recursos médicos), promoção de infecções resistentes (o uso impróprio de antibióticos em crianças pode contribuir para a disseminação de bactérias resistentes, afetando a saúde pública em geral).

Em resumo, os antibióticos são ferramentas valiosas no tratamento de infecções bacterianas em crianças, mas devem ser usados com responsabilidade. O benefício de seu uso deve ser cuidadosamente avaliado em relação aos riscos potenciais, e os antibióticos devem ser prescritos e administrados de acordo com as diretrizes médicas para garantir tratamento eficaz e minimizar efeitos adversos.

AVENTURAS MATERNAS - O que fazer caso o médico da emergência prescreva antibiótico, mas os pais não acreditem na real necessidade (por acharem que se trata de uma virose)?

Luiz Carlos Gondar Arcanjo: Os serviços de emergência não apresentam, em sua grande maioria, exames que permitam identificar se aquela infecção que a criança está apresentando é uma virose (mais comuns) ou uma infecção bacteriana. Dependendo da severidade do caso que a criança apresente, o colega da emergência deve tratar o que tem potencial de ser mais grave. O melhor sempre é ser atendido pelo seu pediatra, ou pelo menos, que o caso seja discutido com o pediatra da criança

Tatiana Cicerelli Marchini: Se os pais não concordam com a prescrição de antibióticos por um médico de emergência, mas o médico considera que o antibiótico é necessário, é importante que haja uma comunicação aberta e eficaz entre os pais e o médico para entenderem os motivos por trás da recomendação. Aqui estão algumas etapas a serem consideradas: perguntas e esclarecimentos (os pais devem fazer perguntas ao médico para entender por que ele ou ela acredita que o antibiótico é necessário. Isso pode incluir informações sobre o diagnóstico, a gravidade da infecção, os riscos de não tratar com antibióticos e os benefícios esperados do tratamento); pedir uma segunda opinião (se os pais ainda têm dúvidas após a explicação do médico, podem considerar buscar uma segunda opinião médica de outro profissional de saúde.

No entanto, em casos de emergência, essa opção pode não ser imediatamente viável); riscos da não administração (os pais devem entender os riscos potenciais de não seguir a prescrição médica, especialmente em uma situação de emergência. O não tratamento adequado de uma infecção bacteriana pode levar a complicações graves); discussão conjunta (é fundamental que os pais e o médico cheguem a um consenso sobre o plano de tratamento. Se os pais ainda não concordarem com o uso de antibióticos, eles devem discutir suas preocupações com o médico e avaliar as opções disponíveis); registro da decisão (independentemente da decisão final, é importante que a discussão e a decisão sejam registradas no prontuário médico da criança para documentar o processo e garantir que todas as partes estejam cientes).

É importante ressaltar que a decisão de usar ou não antibióticos deve ser baseada em evidências médicas e clínicas. Os pais devem confiar na experiência e no julgamento do médico, especialmente em situações de emergência, onde a rapidez no tratamento é fundamental para a saúde da criança. No entanto, eles também têm o direito de buscar esclarecimentos e considerar as informações fornecidas pelo médico antes de tomar uma decisão informada sobre o tratamento.

AVENTURAS MATERNAS - Secreção verde é sinônimo de bactéria?

Luiz Carlos Gondar Arcanjo: não, a primeira secreção da manhã, tende a ser mais escura, amarelada ou esverdeada e não necessariamente é secundária a uma infecção bacteriana

Tatiana Cicerelli Marchini: Não necessariamente. A presença de secreção verde pode indicar uma infecção bacteriana em algumas situações, mas não é um indicador definitivo por si só. Secreções de várias cores podem estar associadas a diferentes tipos de infecções ou condições médicas, como, por exemplo, infecção bacteriana (secreções verdes podem ocorrer em infecções bacterianas, como sinusite ou infecções do trato respiratório. As bactérias podem produzir pigmentos que conferem uma cor verde à secreção), infecção viral, (infecções virais, como resfriados e gripes, podem causar secreção nasal ou tosse com várias cores, incluindo verde, devido ao aumento da produção de muco), outras condições (a cor da secreção também pode ser influenciada por outros fatores, como a presença de sangue, uso de certos medicamentos ou poluição ambiental). Portanto, a cor da secreção não é um indicador definitivo do tipo de infecção ou condição. Se alguém estiver preocupado com uma secreção verde ou outros sintomas, é aconselhável procurar um profissional de saúde para avaliação e diagnóstico adequados. O médico poderá realizar exames e testes adicionais para determinar a causa subjacente.

AVENTURAS MATERNAS - Muitas vezes os antibióticos prescritos pelo médico não são encontrados nas farmácias. O que fazer nesses casos?

Luiz Carlos Gondar Arcanjo: Voltar no médico que prescreveu e explicar a situação para que este seja trocado

Tatiana Cicerelli Marchini: Se o antibiótico prescrito pelo médico não estiver disponível na farmácia, você pode considerar as seguintes opções: perguntar ao farmacêutico (primeiramente, consulte o farmacêutico da farmácia. Eles podem verificar se o medicamento está temporariamente em falta ou se há alguma alternativa disponível. Às vezes, um medicamento com um nome diferente, mas com o mesmo princípio ativo, pode ser recomendado), contatar o médico (entre em contato com o médico que prescreveu o antibiótico. Eles podem sugerir uma alternativa apropriada com base na disponibilidade local de medicamentos ou ajustar a prescrição), procurar em outras farmácias (se possível, tente verificar em outras farmácias próximas, pois a disponibilidade de medicamentos pode variar de uma para outra), considerar genéricos (pergunte ao farmacêutico se há versões genéricas do medicamento prescrito disponíveis.

Os genéricos muitas vezes são mais acessíveis e podem ser uma alternativa eficaz), conferir com o plano de saúde (se você possui um plano de saúde, entre em contato com a operadora para verificar se eles podem ajudar a encontrar o medicamento ou oferecer alternativas cobertas pelo plano). Lembre-se de que a escolha de um antibiótico alternativo deve ser feita em consulta com um profissional de saúde, como seu médico. Nem todos os antibióticos são intercambiáveis, e a seleção adequada depende do tipo de infecção, da sensibilidade bacteriana e de outros fatores clínicos. É importante seguir as orientações médicas e garantir que qualquer mudança na medicação seja apropriada e segura. Nunca substitua ou interrompa um medicamento por conta própria sem orientação médica.

AVENTURAS MATERNAS - Ao tomar antibiótico é preciso proteger o estômago? E o uso de probioticos é mesmo necessário? Por quê?

Luiz Carlos Gondar Arcanjo: Não é necessário proteção gástrica, a não ser que o paciente já tenha apresentado sintomas gastrointestinais quando usou antibióticos. Em relação ao uso de probióticos, estes ajudariam na recomposição da microbiota intestinal, que foi alterada com o uso dos antibióticos. Contudo, ainda não existe um consenso sobre qual seria o indicado, o momento em que deve ser administrado, assim como a concentração e a dose.

Tatiana Cicerelli Marchini: O uso de antibióticos pode afetar o equilíbrio natural das bactérias no trato gastrointestinal, o que pode levar a efeitos colaterais gastrointestinais, como náuseas, vômitos, diarreia e desconforto abdominal. Portanto, proteger o estômago durante o uso de antibióticos e considerar o uso de probióticos pode ser uma consideração importante. Além disso, tomar antibióticos com uma refeição pode ajudar a reduzir a irritação estomacal; alimentos picantes, ácidos ou muito gordurosos podem aumentar a irritação gástrica e, portanto, evitá-los ou consumi-los com moderação pode ser útil; em alguns casos, o médico pode recomendar o uso de antiácidos ou medicamentos para reduzir a acidez estomacal, especialmente se o antibiótico causar desconforto significativo. No caso dos probióticos, especificamente, eles são suplementos de bactérias benéficas que podem ajudar a restaurar o equilíbrio da flora intestinal após o uso de antibióticos - os antibióticos não apenas matam as bactérias nocivas, mas também podem afetar as bactérias benéficas no trato gastrointestinal. Além disso, pesquisas sugerem que o uso de probióticos pode reduzir o risco de diarreia associada a antibióticos (DAA) e ajudar a restaurar a flora intestinal saudável mais rapidamente após o tratamento com antibióticos.

No entanto, é importante escolher um probiótico de qualidade com cepas específicas que tenham sido estudadas em relação à eficácia em situações de uso de antibióticos. É importante, antes de iniciar qualquer suplementação de probióticos, consultar um profissional de saúde, como um médico ou um farmacêutico, para orientação adequada e recomendações específicas. Lembre-se de que a necessidade de proteger o estômago e o uso de probióticos podem variar dependendo do tipo de antibiótico, da duração do tratamento e da resposta individual de cada pessoa. Portanto, é fundamental discutir qualquer preocupação ou necessidade específica com um profissional de saúde que possa fornecer orientações personalizadas com base na situação clínica.

AVENTURAS MATERNAS - Como dever ser a alimentação ao tomar antibióticos? Tomar leite junto ainda é indicado como antigamente? É interessante comer ou beber algo junto? O que seria?

Luiz Carlos Gondar Arcanjo: A alimentação deve ser a habitual do paciente, mas deve ser levado em conta que alguns antibióticos não devem ser administrados junto às refeições, pois podem interferir na sua absorção e/ou metabolização.

Tatiana Cicerelli Marchini: A alimentação durante o uso de antibióticos pode variar dependendo do tipo de antibiótico e das orientações médicas específicas. Aqui estão algumas considerações gerais:

1. **Alimentos e medicamentos:** Em geral, muitos antibióticos podem ser tomados com ou sem alimentos, dependendo das instruções do médico ou das orientações da embalagem do medicamento. Algumas diretrizes gerais incluem:

- **Comer com o estômago cheio:** Se o antibiótico causar desconforto gástrico, tomar com alimentos pode ajudar a reduzir a irritação estomacal. No entanto, isso pode não ser necessário para todos os antibióticos.

- **Tomar com água:** Independentemente de tomar com ou sem alimentos, sempre tome o antibiótico com um copo cheio de água para ajudar na absorção adequada.

2. **Evitar interações alimentares:** Alguns antibióticos podem interagir com alimentos específicos, reduzindo sua eficácia ou causando efeitos colaterais. Portanto, é importante seguir as orientações do médico e verificar se há instruções específicas na bula do medicamento.

3. **Evitar laticínios:** Tradicionalmente, era recomendado evitar laticínios, como leite, quando se tomavam antibióticos. Isso era devido à preocupação de que o cálcio dos laticínios pudesse ligar-se ao antibiótico e afetar sua absorção. No entanto, essa recomendação é mais relevante para antibióticos da classe das tetraciclinas e pode não ser aplicável a todos os antibióticos. Consulte o médico ou leia a bula para saber se essa restrição se aplica ao seu antibiótico específico.

4. **Refeições leves:** Em geral, optar por refeições leves e de fácil digestão enquanto toma antibióticos pode ser uma boa ideia para minimizar o desconforto gástrico.

5. **Consulte o médico ou farmacêutico:** Se você estiver incerto sobre como tomar seu antibiótico em relação à alimentação, é sempre aconselhável consultar o médico ou um farmacêutico. Eles podem fornecer orientações específicas com base no antibiótico prescrito e na sua situação de saúde.

Lembrando que a orientação do médico e a leitura cuidadosa da bula do medicamento são essenciais para garantir que o antibiótico seja tomado da maneira adequada para obter o melhor resultado no tratamento e minimizar os efeitos colaterais.

Receba o melhor do nosso conteúdo em seu e-mail

Cadastre-se, é grátis!