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Onda de calor: como proteger a saúde em meio a temperaturas intensas

Temperaturas próximas a 40ºC,  com sensação térmica superior aos 50ºC, já castigam diversas regiões; veja como se proteger

*Priscila Correia, do Aventuras Maternas, colunista de AnaMaria Digital Publicado em 01/12/2023, às 08h20

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Na onda de calor, proteção não é apenas não tomar sol. - Zaits/Unsplash
Na onda de calor, proteção não é apenas não tomar sol. - Zaits/Unsplash

Com a chegada iminente do verão, o Brasil tem atravessado períodos de onda de calor intensa, com recordes de temperatura e elevando o alerta para um grande perigo, conforme indicado pelo Instituto Nacional de Meteorologia.

Temperaturas próximas a 40ºC,  com sensação térmica superior aos 50ºC, já castigam diversas regiões, algumas ultrapassando essa marca preocupante. Neste contexto, é essencial direcionar uma atenção especial às crianças e idosos, grupos mais vulneráveis aos efeitos adversos do calor extremo.

Em busca de orientações fundamentadas, buscamos dicas de pediatras, dermatologistas e especialistas em saúde infantil para destacar os cuidados a serem adotados nos próximos meses para criar um guia prático para proteger nossos pequenos e garantir a diversão das férias de verão sem preocupação.

PROTEÇÃO NÃO É APENAS NÃO TOMAR SOL

Se proteger no calor vai muito além de evitar a exposição direta, ou usar protetor apenas quando vai à praia ou piscina. O calor excessivo e o sol forte, na realidade, podem trazer consequências graves às crianças e aos bebês que vão muito além de um pele vermelhinha.

Segundo o pediatra Gabriel Farias, do Hospital Icaraí em Niterói, a desidratação e a insolação são quadros que podem aparecer com frequência nos dias mais quentes, dependendo da exposição. “O protetor solar é elemento de uso diário, mesmo que a criança vá permanecer em ambiente fechado, como, por exemplo, na escola”, diz. Ele explica que é preciso, ainda, ficar atento às indicações dos protetores para cada faixa etária. E complementa: “As mudanças bruscas de temperatura não são adequadas, porém nem sempre é possível evitar. O ideal é manter a criança em locais mais frescos, fora da incidência direta dos raios solares, principalmente no período das 10h às 16h”.

Já em relação à alimentação,  é preciso ter atenção com alimentos com potencial de causar alergias e/ou diarreias. “Devem ser sempre evitados, principalmente nos dias de maior temperatura, uma vez que o calor por si só já pode preconizar estado de desidratação. Então, associado a esse tipo de alimentação, o quadro pode ser agravado”, enfatiza. Ele pontua, ainda, sobre oferecer água para a criança de acordo com o seu peso. “Para os bebês de 0 a 6 meses que tomam leite artificial, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda 700 ml de água por dia; para bebês de 7 a 12 meses, 800 ml. Para crianças de 1 a 3 anos, o recomendável é de 1,3 litros. Crianças de 4 a 8 anos; 1,7 litros. Crianças de 9 a 13 anos, 2,4 litros e crianças e jovens de 14 a 18 anos; 3,3 litros. É importante analisar também a estação do ano, se a criança pratica atividade física e a sua alimentação”, exemplifica.

Além dos cuidados com a exposição à radiação solar, devemos lembrar que, nos dias de calor, a frequência das famílias em ambientes como praia, parques, piscinas e clubes também aumenta. “A atenção deve ser, portanto, redobrada, já que nesses ambientes as doenças estão mais suscetíveis à acidentes como afogamento e traumatismos”, alerta.

ALIMENTAÇÃO ESPECIAL

Muitos pensam que o calor intenso exige cuidados apenas com a pele e insolação. Entretanto, o calor excessivo pode sobrecarregar os sistemas do corpo humano e levar a outros problemas, como desidratação, exaustão, confusão mental, tontura, diarreia etc. Segundo a nutricionista Isabela Ribeiro, durante esse período de calor, é crucial que os pais ou responsáveis ​​adotem cuidados específicos para proteger as crianças. Assim, reforçar a hidratação é fundamental, aumentando o consumo de água mineral e água de coco.

"A água de coco, além de contribuir para aliviar náuseas e refrescar, possui propriedades diuréticas, o que aumenta a produção de urina e previne infecções urinárias. Além disso, auxilia no funcionamento do intestino, proporcionando mais conforto para a criança. Oferecer picolés feitos a partir de frutas e sucos naturais é uma alternativa saudável e refrescante. No entanto, é importante evitar o consumo de alimentos ricos em sódio e industrializados, pois podem contribuir para a desidratação e não são ideais para manter a saúde durante os dias quentes”, explica.

E continua: “Além dessas práticas, é crucial estar atento a sinais de superaquecimento, como irritabilidade, sede excessiva e pele quente. Vestir as crianças com roupas leves, manter ambientes bem ventilados e evitar a exposição direta ao sol nos horários mais intensos também são medidas importantes para garantir o bem-estar dos pequenos durante o calor excessivo”. Um problema que acontece bastante nesse período é a desidratação. Afinal, com o calor, elas acabam brincando, transpirando mais e muitas vezes nem percebem que não estão bebendo algo. Por isso, Isabela diz que é essencial estar atento aos sinais de desidratação em crianças, que se manifestam com maior frequência durante períodos de calor intenso.

“Os sinais mais comuns no início da desidratação incluem sede excessiva, boca e pele ressecadas, diminuição da sudorese, produção reduzida de lágrimas, olhos fundos e ressecados. Caso alguns desses sintomas sejam observados, é importante agir rapidamente para reverter o quadro de desidratação. A prevenção desempenha um papel crucial. Garantir uma hidratação adequada, oferecendo regularmente água e outros líquidos saudáveis, como sucos naturais e água de coco, é fundamental. Além disso, evite a exposição prolongada ao sol, especialmente nos horários mais quentes do dia, e vista as crianças com roupas leves para manter o equilíbrio hídrico e prevenir a desidratação. Essas práticas simples, aliadas à observação constante, são essenciais para preservar a saúde das crianças em períodos de calor excessivo”, pontua.

Além da hidratação, ela indica uma alimentação adequada em termos de macro e micronutrientes, que proporcionam muitos benefícios à saúde e uma melhor qualidade de vida. Assim, neste período, é recomendado aumentar o consumo de vegetais e frutas ricas em água, além de garantir uma adequação de carboidratos, proteínas e gorduras saudáveis. "Entre os exemplos de alimentos benéficos, temos frango, peixe, grão de bico, brócolis, cenoura, alface, banana da terra, aipim, abacate, coco seco, kiwi e morango", orienta.

No que diz respeito aos micronutrientes, como vitaminas, como cálcio, ferro e zinco, desempenham um papel fundamental no funcionamento adequado do nosso corpo, logo, garantir uma ingestão adequada desses micronutrientes é essencial para promover a saúde geral das crianças, contribuindo para o desenvolvimento ósseo, transporte de oxigênio e fortalecimento do sistema imunológico. "Portanto, incluir uma variedade de alimentos que forneçam esses nutrientes é crucial para garantir uma dieta equilibrada e saudável para as crianças”, enfatiza. “Durante o calor intenso, há um aumento significativo na transpiração, levando à perda de água e eletrólitos. Portanto, é fundamental oferecer alimentos que contribuam para a hidratação, como frutas com alto teor de água, por exemplo, melancia, melão e morangos. Além disso, é importante incluir opções leves e nutritivas, como saladas coloridas e vegetais frescos, que fornecem vitaminas e minerais essenciais para o bom funcionamento do organismo”, conclui.

CALOR FORA DE CASA

Não há como negar: esse período de fim de ano é preferido das famílias com crianças para viajar, pois, além das férias mais longas que o meio do ano, a estação é um convite à diversão. Porém, com o calor que tem feito e é esperado para o próximo verão, é preciso cautela – para ter uma ideia do que estamos enfrentando, segundo um estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), atualmente, cerca de 550 milhões de crianças e adolescentes estão expostos a ondas de calor frequentes em todo planeta; especialistas ainda alertam que a continuidade do El Nino combinada com os oceanos mais quentes devem provocar altas temperaturas inéditas até março de 2024. 

Por isso, é preciso ficar bastante alerta para que os pequenos não tenham a saúde afetada pelo calorão. No caso dos bebês e crianças menores, especialmente, os cuidados precisam ser ainda mais específicos, respeitando a rotina de cuidados e hábitos dos pequeninos, mesmo quando estão em viagem com a família. Pensando nesse calor e nas férias de verão que estão por vir, o projeto Mais Abraços, das Huggies, reuniu os principais cuidados e preparou uma guia sobre como evitar brotoejas e assaduras para ajudar as famílias.

1 - Aposte na alimentação e hidratação: Uma alimentação balanceada, com comidinhas leves, muita fruta e líquidos, como chás e água é essencial durante o tempo mais quente do ano. A água é muito importante pois, como nós, as crianças suam e podem desidratar, até porque gostam de brincar muito. Brinque com texturas, cores e corte os alimentos em formatos que facilitem a ingestão pelos pequenos. Aposte em bolsas ou garrafas térmicas para manter tudo fresco. Se puder, deixe uma bolsa só para as coisas do bebê ou crianças. Precisa levar mamadeira com leite? Nesse caso, opte por fazer o preparo na hora, em vez de levá-la pronta. Assim, é possível evitar que o líquido estrague e cause algum problema de saúde.  

2 - Pense na escolha das roupinhas e nas fraldas: Na hora de vestir os pequenos, invista em roupas feitas com tecidos leves, mas que não deixem áreas mais expostas da pele sem proteção. Hoje dia, existem, nas lojas infantis e internet, roupinhas especiais com proteção solar. Antecipe-se e compre um conjunto desses, antes do pico da temporada, quando o preço pode aumentar e a demanda por eles crescer. O lado do bom o calor é que os bebês amam água. Quando eles forem nadar, troque a fralda descartável tradicional pela própria para piscina e mar. Essas fraldas especiais não incham e não pesam, deixando as crianças mais confortáveis. 

3 - Priorize os cuidados com a pele: O protetor solar infantil é item obrigatório para bebês a partir de seis meses. E, além disso, devem ser observados os horários de exposição solar, priorizando o período antes das 10 horas da manhã e depois das 16 horas. O sol é refletido pela água da piscina, pedras de pisos e até a areia. Portanto, mesmo embaixo do guarda sol, é ideal respeitar o horário, principalmente com os menores.  De vez em quando, cheque se há areia ou sujeira acumuladas nas roupinhas e fraldas para evitar irritações na pele.  E quando o pequeno sair do mar, é sempre bom dar uma lavada no corpinho com água doce. Outra dica é checar a boca, porque eles adoram comer uma areia ou terra. 

4 - Previna as picadas de insetos: Para prevenir as picadas de insetos, nada melhor que roupinhas de mangas e calças compridas. Além disso, se puder, evite deixar o bebê exposto ao ar livre no horário em que os mosquitos ficam mais ouriçados: o entardecer. O tradicional mosquiteiro é bem-vindo, mas funcionam mais para os bebês que não saem do berço sozinhos.  Já existem repelentes especiais para os pequenos, no entanto, evite passar nas mãozinhas, uma vez que eles podem levá-las à boca. Não adiantou e a picada aconteceu? Além da pomadinha recomendada pelo pediatra, compressa frias podem aliviar a coceira. Agora, se você perceber que a ferida está piorando ou que o bebê teve febre, não hesite em procurar o pediatra. 

5 - Respeite horários de sono e rotina: Mesmo que nas férias as pessoas sintam que não têm a obrigação de terem horários fixos, com um bebê é indicado que, ainda que esteja fora, os horários próximos aos praticados em casa sejam respeitados. Isso porque as alterações de rotina de médio prazo podem virar hábito, e a volta para a normalidade pode ser mais difícil depois, principalmente em férias prolongadas. 

6 - Regule o ar-condicionado:  Muitos têm dúvidas sobre o uso de ar-condicionado, se é bom ou não. Ele pode ser um ponto de conforto, mas não pode estar muito frio, e, sim, na temperatura média entre 21º e 24º graus para evitar resfriados. É importante que o equipamento esteja limpo e com a manutenção em dia para evitar poeira. Como o ar pode deixar o ambiente um pouco seco, um umidificador de ar pode ser bem-vindo. E lembre-se, esses equipamentos precisam ficar na parede oposta à cabeça do bebê.

TODO CUIDADO É POUCO

Além dos cuidados de médicos e nutricionistas para enfrentar o calor e manter a saúde dos pequenos nesse calor, há, ainda uma série de outras medidas que precisam estar na mente de pais e responsáveis.

"As altas temperaturas podem apresentar desafios adicionais para a segurança infantil. É essencial garantir que as crianças estejam adequadamente protegidas, hidratadas e que ambientes perigosos sejam evitados. A prevenção é a chave para assegurar que esse período não represente ameaças à saúde e bem-estar de meninos e meninas, redobrando a atenção aos possíveis riscos”, destaca Erika Tonelli, especialista em Entornos Seguros e Protetores da Aldeias Infantis SOS.

Abaixo, algumas orientações simples que podem garantir que as crianças passem por esse período sem complicações, de maneira segura e saudável.

Atenção no carro - Esteja atento ao seu filho quando estiver no carro, pois a rotina agitada pode levar os pais a esquecerem as crianças dentro do veículo, o que pode ser fatal. Para evitar isso, coloque objetos como mochilas, celulares ou bolsas por perto como lembrete. Em casos de responsabilidade de terceiros, certifique-se sempre de que a criança esteja segura, pedindo uma atualização em tempo real ao cuidador, além de checar se o automóvel está dentro das condições de segurança;

Proteção solar e acessórios - Vista as crianças com acessórios de proteção, como bonés, roupas com proteção solar, chapéus e outros, para garantir a segurança das áreas sensíveis. Além disso, mantenha sempre uma garrafa d’água por perto, além de um protetor solar infantil eficiente;

Supervisão na água - Quando estiverem na água, reforce a atenção às crianças, seja em piscinas, praias ou rios. Assegure-se de que o nível da água esteja abaixo da altura do umbigo e vista-as com coletes salva-vidas. O banho nesses locais deve ser sempre supervisionado por um adulto;

Roupas leves - Opte por roupas feitas de tecidos leves, que não retenham calor, como algodão, seda, tricoline e linho;

Brinquedos e superfícies - Monitore a temperatura dos brinquedos ao ar livre, especialmente superfícies metálicas expostas ao sol, que podem causar queimaduras. Sempre leve uma toalha ou pano para forrar esses locais;

Ventiladores - Tenha cuidado com os ventiladores e evite colocá-los ao alcance das crianças, especialmente com as hélices, que podem causar acidentes.

TIRA DÚVIDAS PARA ENFRENTAR O VERÃO

Apesar da maioria das pessoas saberem que não se deve expor uma criança diretamente ao sol, muitas dúvidas acabam aparecendo sobre os problemas de saúde que podem aparecer em dias de muito calor. Para ajudar pais e responsáveis, a alergista e imunologista Márcia Carvalho Mallozi, membro do Departamento Científico de Dermatite Atópica da ASBAI – Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, responde algumas perguntas sobre o tema.

AVENTURAS MATERNAS: Quais são os sinais de desidratação em crianças e como preveni-los?

Os principais sinais são diminuição da saliva, diminuição do volume de urina e letargia.

AVENTURAS MATERNAS: Qual é a melhor maneira de vestir as crianças durante dias muito quentes?

Sempre com roupas leves de preferência de algodão. Em praia e piscina o uso de roupas com proteção de raios ultravioletas.

AVENTURAS MATERNAS: Existem atividades específicas que devem ser evitadas em dias de calor intenso?

Todas as atividades que sejam extenuantes devem ser evitadas, principalmente das 10 às 16hs. Como a sensação de esforço físico é maior nos dias quentes, as pessoas precisam observar seus limites.

AVENTURAS MATERNAS: Quais são os principais riscos para a pele das crianças durante uma onda de calor?

O principal risco é a queimadura solar. Também devemos lembrar que ao longo da vida, a exposição ao sol excessivo está relacionada ao câncer de pele e envelhecimento precoce.

AVENTURAS MATERNAS: Que tipo de protetor solar é mais adequado para diferentes faixas etárias?

Antes dos 6 meses de idade os protetores solares não devem ser utilizados. Os protetores solares para crianças são mais suaves, com ingredientes que agridem menos a pele e que tentam ser hipoalergênicos. As crianças devem usar protetores solares físicos, por exemplo os que contenham dióxido de titânio e óxido de zinco.

AVENTURAS MATERNAS: Como lidar com queimaduras solares em crianças e quais os melhores métodos de alívio?

Compressas frias ou banhos em banheiras com água fria podem auxiliar. Evitar produtos que contenham vaselina (é derivado do petróleo) e benzocaína (anestésico local). Em caso de dor, utilizar analgésicos. Cremes e loções hidratantes para a pele ressecada.

AVENTURAS MATERNAS: Existem condições dermatológicas específicas a serem consideradas no calor?

Os maiores cuidados são com a hidratação da pele. Situações em que a pessoa já tenha pele seca, pode haver piora desse quadro.

AVENTURAS MATERNAS: Além da hidratação, quais medidas gerais os pais devem tomar para garantir a saúde das crianças no calor?

A hidratação é fundamental. A ingestão de frutas na forma sólida ou em sucos também são recomendados. Não esquecendo que a alimentação deve ser sempre balanceada. Alimentos com excesso de açúcar ou de sal devem ser evitados.

AVENTURAS MATERNAS: Como conciliar a necessidade de brincadeiras ao ar livre com os cuidados necessários?

Respeitando os horários de pico, das 10 às 16hs, e, de preferência na sombra, as brincadeiras ao ar livre devem ser estimuladas.

AVENTURAS MATERNAS: Alguma recomendação específica para o sono das crianças em noites quentes?

As noites de sono devem ser em ambientes bem ventilados., utilizando pouca roupa. Cuidado com ar condicionado, principalmente ao fato de estar em ambiente mais frio e ser conduzida rapidamente para um ambiente mais quente.

AVENTURAS MATERNAS: Mais alguma informação que queira passar?

Sugiro a leitura do Guia de Fotoproteção na Criança e no Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria. 

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