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Dor de ouvido: 10 principais causas e o que fazer em cada situação

A dor de ouvido é uma das principais queixas aos otorrinos e tem diferentes soluções

*Dra. Maura Neves, colunista de AnaMaria Publicado em 11/01/2022, às 08h00

Maura Neves é formada em Medicina pela Universidade de São Paulo (USP) - Freepik/wayhomestudio
Maura Neves é formada em Medicina pela Universidade de São Paulo (USP) - Freepik/wayhomestudio

Olá! Começo o ano falando sobre uma queixa muito frequente nos consultórios dos otorrinos: dor de ouvido! Pensando nisso, listei as 10 causas mais frequentes de dor no ouvido e o que fazer diante de cada uma delas. Confira!

INFECÇÕES

As infecções são geradas por bactérias ou vírus e podem causar, além da dor de ouvido, febre, redução da audição e presença de secreção ou acúmulo de líquido no ouvido.

O que fazer: o uso de antibióticos pode ser necessário para o tratamento dos agentes infecciosos que causam o problema. Já para o alívio dos sintomas são usados medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios. Compressas de calor no também podem ajudar no alívio das dores sintoma. Por outro lado, não é recomendado pingar nada dentro do ouvido.

CERÚMEN

O acúmulo de cerúmen, ou cera, como é mais conhecida, também pode causar dor. Isso ocorre quando há formação de uma ‘rolha de cera’ que oclui todo o canal auditivo ou quando a cera está muito próxima ao tímpano. Além da dor, é capaz de provocar a redução da audição.

O que fazer: o cerúmen deve ser removido por um médico otorrinolaringologista. Podem ser utilizados instrumentos específicos para a remoção da cera ou lavagem das orelhas. Vale ressaltar que, nesse caso, o uso de cotonetes ou outros objetos na tentativa de resolver o problema em casa pode causar mais dor ao empurrar a cera para o fundo do ouvido.

ÁGUA NO OUVIDO

A dor de ouvido causada pela entrada de água é muito comum em pessoas que praticam natação, porém também pode acontecer durante o banho, uso de piscinas ou banho de mar - situações muito frequentes durante o verão. Normalmente, a dor é acompanhada por redução de audição.

O que fazer:algumas manobras simples e conhecidas, como virar a cabeça de lado e mobilizar a orelha, podem resolver o problema e ajudar a saída da água. Caso não se resolva, podem ser utilizadas algumas gotas de álcool 70% para ajudar a secar o canal auditivo. Não devem ser introduzidas cotonetes ou quaisquer outros objetos para tentar secar o canal, pois podem causar traumas.

TRAUMA

O trauma no ouvido, provocado por qualquer objeto, desde hastes flexíveis, grampos até tampas de caneta, pode gerar bastante dor. Nestes casos, pode ocorrer sangramento do ouvido e até lesão no tímpano.

O que fazer: é indicado o uso de analgésicos para alívio da dor. Um médico otorrino deve ser consultado assim que possível para determinar a extensão da lesão e o tratamento mais adequado.

DOR DE GARGANTA

A dor de garganta, especialmente as amigdalites, podem causar dor irradiada nos ouvidos. Isso ocorre devido à proximidade entre a garganta e o ouvido.

O que fazer: é aconselhado consultar o médico para iniciar o tratamento com analgésicos ou anti-inflamatórios. No caso de amigdalites, pode ser necessário recorrer ao uso de antibióticos, como a amoxicilina, já que o problema é causado por bactérias.

ALTERAÇÕES ARTICULARES

As alterações na articulação temporo-mandibular (ATM), responsável pela abertura e fechamento da mandíbula, também causam dor de ouvido por proximidade. Dessa forma, mastigar, bocejar e/ou abrir a boca podem causar dor na região da articulação ou no próprio ouvido. A ATM pode inflamar devido ao bruxismo, uso de aparelhos ortodônticos, mascar chicletes em excesso, entre outras causas.

O que fazer:devido à dor irradiar para o ouvido, muitas vezes os pacientes procuram um médico otorrino. Entretanto, o ouvido não apresenta alterações nessas. Na verdade, o tratamento deve ser direcionado à causa do problema.

DENTE DO SISO

A erupção do siso pode provocar inflamação e/ou infecção no local, que fica próximo à articulação da mandíbula, irradiando a dor aos ouvidos. Além disso, outras inflamações, como cáries, gengivite ou estomatite, também podem provocar incômodos na região.

O que fazer:  no caso do siso, não há necessidade de um tratamento específico para a dor no ouvido, já que ela deve melhorar com o tratamento dos dentes. Compressas quentes no ouvido ajudam no alívio da dor.

MUDANÇAS DE PRESSÃO

A variação de pressão que ocorre em pousos ou decolagens de aviões ou quando viajamos por uma serra, por exemplo, pode causar dor de ouvido. Essa dor é gerada pela mudança brusca de pressão atmosférica sem que ocorra uma equalização dentro do ouvido. O incômodo por ser acompanhado pela sensação de ‘ouvido tampado’ e melhorar espontaneamente.

O que fazer: opções para aliviar o desconforto e evitar a dor de ouvido é mascar chiclete ou bocejar nesses momentos. No caso de bebês, as recomendações são amamentar, dar uma mamadeira de água ou chupeta. Caso a sensação de ouvido tampado permaneça, um otorrino deve ser procurado para avaliação.

FRIO

O frio causa dor ao facilitar a contração dos músculos que envolvem o canal do ouvido. Além disso, as baixas temperaturas aumentam a percepção de dor na pele. Como a sensação não está relacionada à infecção, não há alteração na audição ou febre.

O que fazer:aquecer a região ou proteger do frio.

ROMPIMENTO DO TÍMPANO

O rompimento do tímpano ocorre em otites (inflamações), introdução de objetos no canal auditivo, sons muito altos (fogos de artifício, rojões etc) ou pular/mergulhar em piscinas. Além da dor, pode ocorrer sangramento e redução da audição.

O que fazer: procure ajuda médica para o tratamento mais adequado.

QUANDO IR AO MÉDICO?

Além dos casos já citados, é recomendado consultar o médico ao apresentar:

  • Dor de ouvido por mais de 3 dias;
  • Piora da dor de ouvido nas primeiras 48 horas;
  • Febre acima de 37.8ºC;
  • Tonturas;
  • Saída de secreção ou sangue do ouvido;
  • Inchaço no ouvido.

É válido ressaltar a importância de nunca, jamais, pingar nada no ouvido para alívio da dor!

*DRA. MAURA NEVES é formada na Medicina pela Faculdade de Medicina da USP. Residência em Otorrinolaringologia pelo HC- FMUSP. Fellow em Cirurgia Endoscópica pelo HC- FMUSP. Doutorado pela Faculdade de Medicina da USP. Médica Assistente do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo -SP. Aqui na Revista AnaMaria, trará quinzenalmente um conteúdo novo sobre a saúde do ouvido, nariz e garganta. Instagram: @dra.mauraneves