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Outono e suas "ites": como se cuidar em meio a tantas mudanças de tempo?

Outono traz uma combinação de fatores ambientais que favorecem essas doenças

Da Redação Publicado em 19/04/2022, às 08h00

Mudança de temperatura aumenta a incidência de doenças respiratórias. - Unsplash
Mudança de temperatura aumenta a incidência de doenças respiratórias. - Unsplash

Infelizmente não é mito. O Outono é a estação do ano em que as "ïtes" respiratórias ocorrem com mais frequência. Isso porque o período traz uma combinação de fatores ambientais que favorece esse tipo de doença. Durante a estação, a temperatura é mais elástica, com mudanças rápidas em períodos curtos de tempo.

Além disso, existe ainda uma redução da quantidade de chuvas e estiagem, que aumentam progressivamente até o inverno. O ar mais seco favorece a concentração de poluentes, poeira, ácaros e fungos, entre outros irritantes respiratórios. Os vírus aumentam também sua multiplicação e circulação (fenômeno sazonal).

Este combinado eleva a incidência de doenças respiratórias, especialmente as virais, entre elas os resfriados, gripes, faringites, amigdalites, laringites, sinusites, otites, bronquites e bronquiolites. Isso sem falar nas rinites alérgicas e asma!

MAS TODO MUNDO PODE PEGAR?

De forma geral, os extremos de idade - crianças e idosos - são os mais acometidos. Os pequenos, para o desespero dos pais ou responsáveis, podem desenvolver entre 8 a 11 infecções virais ao ano (entre as "ïtes", gripes e resfriados).

Já nos idosos, a pneumonia recebe destaque, muitas vezes desencadeada após uma gripe. Para eles, as chances de complicações de morte aumentam muito. Os adultos não escapam. No entanto, por terem um sistema imunológico mais estabilizado, apresentam em média 2 a 3 episódios ao ano e um índice de complicação menor.

DÁ PARA DIMINUIR A FREQUÊNCIA DAS INFECÇÕES?

Sim, com algumas dicas básicas e bastante recorrentes. Inclusive, toda vez que cito isso me sinto como "a médica chata", que repete a mesma coisa, mas não tem muito para onde fugir: a combinação equilibrada de sono, alimentação e atividades físicas são fundamentais para manter o corpo saudável.

ANOTE OUTRAS DICAS:

  • Lavagem nasal com soluções salinas: são ótimas para prevenção de gripes, resfriados e rinites. O fundamento disso é que mantem o nariz com bom funcionamento, ajudando na saída de secreção nasal e na boa respiração durante sono e alimentação durante as crises. Além disso, remove de maneira mecânica (o soro empurra) os vírus e alérgenos do nariz e tem ação na prevenção. É uma alternativa barata e fácil que pode ser realizada em todas as idades.
  • Lavar as mãos com frequência ou utilizar álcool em gel.
  • Manter o ambiente domiciliar limpo e sem cortinas, carpetes, bichos de pelúcia, entre outros que acumulam poeira. Os alérgicos que mantenham sintomas de rinite sem controle ou que tenham crises tem predisposição a doenças infecciosas.
  • Não fumar nos ambientes em que a criança frequenta. Quando um dos cuidadores fuma a incidência de doenças respiratórias aumenta bastante.

E TOMAR VACINA? RESOLVE?

É claro que tem que tomar! As vacinas são fundamentais para prevenção de doenças virais e bacterianas. No caso das crianças, as gripes pelo vírus influenza são muito sérias (potencial de letalidade) e as infecções bacterianas pelo Haemophilus e pneumococo (que são as mais frequentes) são preveníveis por vacinas também. Para os idosos, a vacina da Pneumonia está incluída no calendário vacinal também. Como mencionado acima, gripes complicam frequentemente para pneumonias nos mais velhos e a chance de morte aumenta.

Vale lembrar ainda que, agora que não usamos mais máscaras, as aglomerações estão liberadas! Com elas, o contágio de doenças respiratórias também.

Quando não há mais uma doença respiratória com índice de letalidade elevado, ou a população está imunizada, este mecanismo de proteção pode ser deixado de lado. No entanto, sugiro bom senso, especialmente nesta época do ano.

Um exemplo: uma criança com sintomas respiratórios, como tosse, dor de garganta e nariz escorrendo, deve ir a escola?

Se não houver outra alternativa, ela deve usar mascara neste momento. Isto reduzira muito a transmissão para os demais colegas de sala. Mas se não for possível, ou se a criança for pequena, ir a escola neste momento poderá contaminar a todos. E isto ficou mais do que claro nos últimos dois anos!

O mesmo se aplica para reuniões ou eventos presenciais. Mas será que aprendemos algo? Fica a reflexão!

*DRA. MAURA NEVES é formada na Medicina pela Faculdade de Medicina da USP. Residência em Otorrinolaringologia pelo HC- FMUSP. Fellow em Cirurgia Endoscópica pelo HC- FMUSP. Doutorado pela Faculdade de Medicina da USP. Médica Assistente do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo -SP. Aqui na Revista AnaMaria, trará quinzenalmente um conteúdo novo sobre a saúde do ouvido, nariz e garganta. Instagram: @dra.mauraneves