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Síndrome da Boca Ardente: entenda melhor as causas e sintomas da doença

Além da ardência na boca, síndrome pode causa alterações de paladar; entenda

*Dra. Maura Neves, colunista de AnaMaria Digital Publicado em 17/05/2022, às 08h00

Clem Onojeghuo/Unsplash
Clem Onojeghuo/Unsplash

Esta semana falo de uma doença mais rara (felizmente!) mas que tenho recebido com certa frequência no consultório. Como todos os pacientes reclamam ser difícil encontrar informações sobre o assunto, resolvi falar sobre ela. Trata-se da Síndrome da Boca Ardente!

Trata-se de uma doença idiopática, ou seja, se manifesta sozinha e não tem relação com outras doenças, na qual há sensação de queimação na cavidade bucal. Na maioria das vezes, essa dor se localiza nos dois terços anteriores da língua, mas pode acometer a boca inteira.

Definimos síndrome da boca ardente ou glossodinia quando a alteração ocorre entre quatro a seis meses, no mínimo. O termo síndrome, neste caso, vem em alusão aos outros sintomas que acompanham a ardência, como boca seca, alteração de função salivar e alterações de percepção de paladar.

MAS QUAL É A CAUSA DO PROBLEMA?

A doença, pelo menos por enquanto, é pouco entendida e ainda não tem as causas determinadas. Existem especulações de que possa ser uma neuropatia, como a Nevralgia do trigêmeo. Muito provavelmente é causada por múltiplos fatores associados, desde físicos a psicológicos. 

O início do quadro pode ser súbito ou lento, normalmente sem fatores que estimulem isso. Algumas vezes, no entanto, algo pode precipitar o sintoma, como um tratamento dentário, doenças associadas ou algum evento estressante.

A frequência aumenta em mulheres na pós-menopausa, mas ela também pode acometer mulheres mais jovens e homens. Aparentemente, surge mais conforme a idade aumenta, em ambos os sexos.

E QUAIS SÃO OS SINTOMAS?

Além da percepção de ardência na boca, podem ocorrer alterações de paladar. Estatísticas de alteração de paladar ou até sensações "fantasma' de gosto ocorrem entre 11% a 69% dos pacientes.

As descrições são normalmente de aumento/intensificação de percepção de sabores azedo e amargo mais intensos e redução do doce, enquanto o salgado pode ser aumentado ou reduzido. Alguns pacientes ainda apresentam gosto metálico.

Outro sintoma é boca seca, chamada de xerostomia. Nestes casos, a função das glândulas salivares está normal, bem como o fluxo salivar.

E COMO RESOLVE ISSO?

Como não sabemos ao certo a causa, é difícil determinar o tratamento. Normalmente, avaliamos o paciente globalmente para quadros de desnutrição e de alterações vitamínicas, alterações psicológicas (presentes em cerca de 85% dos pacientes com boca ardente, como ansiedade, depressão, insônia, hipocondria), doenças endocrinológicas, reumatológicas, uso de medicamentos para outras doenças e até câncer.

O exame físico do médico é fundamental para excluir infecções e outros problemas bucais que possam gerar esse sintoma. Exames como os de imagem podem ser necessários e são determinados caso a caso.

Se alguma alteração for encontrada, procedemos ao tratamento dela, o que determina glossodinia secundária. Quando não identificamos nenhum problema, temos uma glossodinia primária. Mesmo assim, existem algumas medicações que podemos utilizar para o tratamento e também são avaliadas caso a caso, podendo ajudar bastante.

Medidas comportamentais, como evitar irritantes bucais do tipo enxaguantes com álcool, alimentos quentes, picantes ou ácidos ajudam no controle dos sintomas. Além disso, uma rotina de exercícios físicos, dieta balanceada, hidratação e relaxamento também ajuda, já que são frequentes os relatos de piora dos sintomas com fadiga, estresse e alteração de sono.

E O COVID? TEM RELAÇÃO?

Um estudo recente mostrou que a Boca ardente é mais frequente em pessoas que tiveram Covid, sugerindo que seja considerada entre as complicações orais do coronavírus. No entanto, mais estudos são necessários para confirmar esta suspeita.

Importante: Apesar de rodeada de dúvidas e incertezas, existem alternativas de tratamento que podem melhorar a qualidade de vida das pessoas acometidas pela síndrome. Em caso de dúvidas, procure o seu médico!

*DRA. MAURA NEVES é formada na Medicina pela Faculdade de Medicina da USP. Residência em Otorrinolaringologia pelo HC- FMUSP. Fellow em Cirurgia Endoscópica pelo HC- FMUSP. Doutorado pela Faculdade de Medicina da USP. Médica Assistente do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo -SP. Aqui na Revista AnaMaria, trará quinzenalmente um conteúdo novo sobre a saúde do ouvido, nariz e garganta. Instagram: @dra.mauraneves 

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