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Síndrome de Meniere: Entenda a doença que afeta o Padre Fábio de Melo

Saiba mais da doença que afeta o Padre Fábio de Melo, a Síndrome de Meniere

*Dra. Maura Neves, colunista de AnaMaria Digital Publicado em 28/06/2022, às 08h00

Instagram/@kleber_alepereira
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O Padre Fabio de Melo revelou ser portador da Síndrome de Meniere, uma doença relativamente rara que afeta entre 50 a 200 a cada 100 mil adultos. Como ela ganhou destaque, explico um pouco desta condição no artigo de hoje.

A Doença de Meniere consiste em sintomas de redução de audição, tontura, zumbido e sensação de ouvido cheio ou tampado que podem ocorrer simultaneamente ou não. Para facilitar, vamos por partes!

QUAIS SÃO AS CAUSAS?

A mais aceita é um aumento da quantidade de líquido que preenche a orelha interna, que compreende cóclea (audição) e labirinto (equilíbrio). Esse aumento  é chamado de hidprosia endolinfatica e pode decorrer de aumento na produção de líquido, diminuição da absorção dele ou alterações na composição do mesmo, levando ao seu acúmulo.

Entre as hipóteses desse aumento do líquido temos infecções virais, excesso de sal alimentar, doenças autoimunes, doenças vasculares e alergias.

SERÁ QUE TENHO MENIERE?

Os critérios diagnósticos são basicamente a presença de sintomas clínicos:

  • Ataques recorrentes de tontura com duração entre 2 a 24 horas
  • Ouvido tampado
  • Perda auditiva
  • Zumbido

Os sintomas podem ser variáveis caso a caso, mas a presença de tontura rotatória é imprescindível para o diagnóstico. Alguns pacientes descrevem a vertigem como desequilíbrio, sensação de cabeça vazia. Tipicamente a tontura ocorre em "crises", pode ser severa e associada a náuseas e vômitos.

Além dos sintomas, são necessários alguns exames para a comprovação diagnóstica. A audiometria, por exemplo, comprova a perda auditiva associada a tontura. Esta perda pode ser flutuante no início da doença e permanente em estágios mais avançados. Na maioria das vezes, o problema ocorre em apenas uma orelha.

Importante entender que é necessário distinguir o Meniere de outras doenças que geram sintomas muito semelhantes. Doenças autoimunes da orelha interna, enxaqueca vestibular (que já falei nesta coluna), tumores, labirintite aguda e até sífilis no ouvido podem dar os mesmos sintomas.  Assim, é importante uma investigação minuciosa do quadro para fazer o diagnóstico correto.

Outro ponto importante é a relação entre a enxaqueca vestibular e Meniere, que podem ocorrer ao mesmo tempo em cerca de 35% dos casos. Nestes casos, muitas vezes não ocorre a perda de audição associada ao Meniere e há dor de cabeça.

COMO FUNCIONA O TRATAMENTO?

O objetivo do tratamento é reduzir a frequência e intensidade das crises de tontura, preservar a audição, reduzir a sensação de ouvido tampado e o zumbido e com isso, e assim melhorar a qualidade de vida.

Como a doença se apresenta em crises, muitas vezes isso é de difícil controle. Desta forma o tratamento se divide em controlar as crises que ocorrem e evitá-las. Cada fase com medicações especificas possíveis.

Além dos medicamentos a prevenção baseia-se em modificação de estilo de vida e evitar os desencadeantes das crises. Entre eles:

  • Reduzir sal na alimentação
  • Cafeína
  • Álcool
  • Controle do estresse
  • Tratamento de alergias
  • Evitar jejum prolongado

Outra possibilidade de tratamento são aplicações de medicamento dentro do ouvido e até cirurgia. Estas opções devem ser discutidas caso a caso, pois dependem da intensidade dos sintomas e da resposta aos medicamentos.

SERÁ QUE TEM CURA?

O desenlace da doença é imprevisível. Estudos sugerem, porém, que a frequência das crises está entre 6 a 11 ao ano, que elas podem aumentar durante anos e depois reduzir gradualmente.

Os períodos de intervalos das crises podem ser de meses a anos. Um estudo com 108 pacientes com Meniere mostrou que, após nove anos, 54% não tinham tontura e outros 30% a tontura havia diminuído de intensidade o que corrobora um possível curso autolimitando do Meniere.

Portanto, existe uma luz no fim do túnel. O importante é ter o diagnóstico correto e fazer um tratamento adequado.

*DRA. MAURA NEVES é formada na Medicina pela Faculdade de Medicina da USP. Residência em Otorrinolaringologia pelo HC- FMUSP. Fellow em Cirurgia Endoscópica pelo HC- FMUSP. Doutorado pela Faculdade de Medicina da USP. Médica Assistente do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo -SP. Aqui na Revista AnaMaria, trará quinzenalmente um conteúdo novo sobre a saúde do ouvido, nariz e garganta. Instagram: @dra.mauraneves