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Meu filho não come nada! O que posso fazer em casos assim?

O mais comum é que crianças entre 2 e 6 anos, apresentem seletividade na alimentação

Dra. Renata Aniceto, colunista de AnaMaria Publicado em 28/05/2021, às 09h00

Meu filho não come nada! O que posso fazer em casos assim? - Pixabay
Meu filho não come nada! O que posso fazer em casos assim? - Pixabay

Quantos de nós já não presenciamos uma criança recusando alimentos ou mesmo pulando refeições? Quais os motivos por detrás das recusas alimentares em cada fase da infância? Será possível prevenir ou driblar este assunto que tanto preocupa as famílias?

Dados coletados pela Unicef em 2019, através do estudo “Situação Mundial da Infância”, mostraram que 59% das crianças entre 6 e 23 meses no mundo não estão sendo alimentadas com os nutrientes necessários de origem animal e 44% não recebem frutas e hortaliças. O que do aspecto nutricional preocupa e eleva a ocorrência da deficiência de micronutrientes (a mais famosa é a anemia) e comprometimento do crescimento e desenvolvimento saudável geral.

Mas se é um quadro tão comum, quando devo me preocupar? A resposta é: sempre!

Quando temos uma criança em condição de alguma restrição alimentar, está orientada a avaliação médica para que se classifique o tipo de restrição e os possíveis riscos nutricionais.

SELETIVIDADE ALIMENTAR DOS PEQUENOS
O mais comum é que crianças entre 2 e 6 anos, apresentem seletividade na alimentação. O organismo passa por uma redução do apetite porque, nesta fase, há a desaceleração do ganho de peso e crescimento. Deixam de aceitar alguns alimentos específicos e raramente terão impacto na saúde.

DIFICULDADE ALIMENTAR
Na dificuldade, crianças em qualquer faixa etária apresentam exclusão de vários grupos alimentares, restringindo a aceitação a poucos itens e este fato pode impactar de maneira significativa o seu desenvolvimento.

As principais causas da dificuldade alimentar podem estar nas vivências ou diagnósticos em paralelo que a criança traz em sua história. Por exemplo:

  1. Orgânicos: refluxo gastroesofágico, gastrites, flatulências.
  2. Motor orofacial: que alteraram a força muscular impactando na mastigação.
  3. Comportamental: falta da criação de hábitos e regras na alimentação.
  4. Sensorial: transtorno de processamento dos sentidos (visão, audição, paladar, tato, olfato e propriocepção) que levam a sensações distorcidas atrapalhando o processo alimentar.


COMO PREVENIR OU DRIBLAR?
Basicamente, cuidar da alimentação da gestante e lactante. A variedade de sabores do que as mães consomem passa pelo líquido amniótico e pelo leite materno, preparando o paladar  dos bebês para a alimentação futura. Existem outras ideias, também:

  1. Promover o aleitamento materno.
  2. Realizar a introdução alimentar na idade correta e quando o bebê estiver preparado, em geral aos 6 meses de vida. Reconhecer a importância da variedade dos grupos alimentares no prato e saber escolher a consistência ideal. Não há método certo, há o método certo para o seu bebê.
  3. Evitar iniciar o processo alimentar com papas líquidas ou muito pastosas
  4. Ter calma, paciência e evitar totalmente as distrações neste momento.
  5. Realizar as refeições em família e com mesa posta para estimular os sentidos de maneira adequada


Devemos lembrar que o hábito alimentar é uma construção que inicia na gestação e perdura por todos os anos da infância. Não é nato, é investimento!

Faz parte as mães criarem estratégias para garantir que os pequenos consumam todos os alimentos necessários e a Liga da Cozinha Afetiva traz uma receita saborosa, divertida e nutritiva para vocês exercitarem em família:

LASANHA DE ESPINAFRE

(Crédito: Pixabay)

Ingrediente:

  • 1 maço pequeno de espinafre cozido e espremido
  • 1/2 xícara (chá) de creme de ricota
  • 1 1/2 xícara (chá) de leite desnatado
  • 2 colheres (sopa) de farinha de trigo
  • 1 colher (sopa) de azeite de oliva
  • 2 colheres (sopa) de cebola ralada
  • 1 colher (chá) de sal
  • 1 pitada de noz moscada
  • 400 gramas de massa de lasanha (integral) pré cozida
  • 200 gramas de queijo branco fatiado (bem fino)
  • 4 colheres (sopa) de queijo mussarela light ralado (no ralador grosso)


Modo de preparo:

Higienizar o espinafre. No liquidificador, bater o espinafre, o creme de ricota, o leite e a farinha. Em uma panela, aquecer o azeite e dourar a cebola. Despejar a mistura batida no liquidificador. Temperar com o sal e a noz-moscada e mexer até engrossar. Reservar. Em um refratário, colocar um pouco desta mistura de espinafre, cobrir com a massa e o queijo branco.
Alternar as camadas, até finalizar com o creme de espinafre. Salpicar com o queijo mussarela. Levar ao forno médio (180ºC) por cerca de 30 minuto. Retirar e servir em seguida.

Atenção: São 3 camadas da mistura de espinafre.

*DRA. RENATA ANICETO (CRM 88006) é médica formada pela Faculdade de Medicina do ABC, pediatria e hematologista pela FMUSP/SP. Aqui em AnaMaria Digital escreve sobre medicina culinária, nutrição afetiva e estilo de vida na Infância. Instagram: @ligadacozinhaafetiva https://www.instagram.com/ligadacozinhaafetiva/