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Ela fundou a primeira marca de moda com custos abertos no Brasil

Celina Hissa abraçou o artesanato e o fazer manual, tornando os saberes ancestrais sua vida e negócio

*Projeto Retrato Social Publicado em 09/07/2021, às 10h40

Celina Hissa fundou a Catarina Mina em 2005. - Jamile Queiroz
Celina Hissa fundou a Catarina Mina em 2005. - Jamile Queiroz

A cearense Celina Hissa é designer, mestre em comunicação social pela Universidade Federal do Ceará e filha de arquitetos. Iniciou sua carreira em agências de publicidade de sua cidade, mas logo depois entendeu que sua paixão estava em aproximar o design e o artesanato, olhando com cuidado e respeito para a arte do fazer manual dos artesãos de sua região.

“Meus pais, que são arquitetos, me aproximaram dessa vontade de trabalhar com criação, de ser designer. E o artesanato entrou desde cedo na minha vida. Quando criança, já mexia com linhas e agulhas e fazia ‘ponto cruz’, um tipo de bordado. Depois, quando comecei a criar objetos, o design e o desenho me fizeram entrar em contato novamente com o artesanato e com a vontade de reinventá-lo, conta.

A partir dessas inquietações, pesquisas e olhares, Celina fundou em 2005 a Catarina Mina, uma marca de bolsas artesanais que estabelece uma nova relação entre design e artesanato, pois trabalha unindo diversas tipologias presentes das tradições de seu estado, como o crochê, bordado, renda e artesanato em palha e madeira.

Mas a ideia da Catarina Mina era ir além. Após os primeiros anos de atuação da marca, Celina sentiu a necessidade de repensar os laços entre mercado, artesãos, designers e consumidores, buscando valorizar ainda mais o fazer artesanal de uma rede de muitas mulheres que produziam, com todo o seu carinho na agulha e na linha, as bolsas comercializadas pela marca.

“O artesanato passa de geração em geração, mas hoje a continuidade dele depende de um olhar atento para valorizar o tempo dedicado pelas artesãs ao ato de fazer. Essa valorização precisa ser não só do produto final, mas precisa nos convidar a olhar para quem faz: um olhar para o artesão e uma valorização financeira do seu tempo”, explica Celina.

A partir desse desafio, a Catarina Mina decidiu, em 2015, ser a primeira marca brasileira a abrir seus custos de produção, promovendo ainda mais a transparência e o consumo consciente por meio de seu projeto #UmaConversaSincera.

“Hoje, nosso consumidor pode acessar nosso site e ver quanto custam os materiais empregados na confecção das nossas bolsas, os impostos e, principalmente, o valor dedicado ao trabalho de cada artesã. Um jeito de chamar atenção não só para as nossas prioridades, mas de questionar o que muitas vezes está posto na feitura de um produto de moda”, explica Celina.

A partir da transparência e de um modelo de negócio que olha para a economia local, as crocheteiras têm a segurança da renda mensal e trabalham em suas casas, no seu tempo e no seu ritmo próprio. Uma moda sustentável para o meio ambiente e para as pessoas - e que desperta aprendizados importantes, tanto para a cadeia quanto para o consumidor final.

ENTRELAÇANDO HISTÓRIAS
Ponto a ponto, em todos esses anos de trabalho, a empreendedora construiu uma rede que encoraja e movimenta mulheres por meio do artesanato. Hoje, já soma mais de 300 mulheres diretamente impactadas. Isso tudo só foi possível com a colaboração de artesãs como Aldenice Félix, que há 30 anos tem o crochê como sua renda e ofício. Atualmente ela lidera um dos pólos de produção da Catarina Mina, localizado em Itaitinga, a 40 km da capital Fortaleza - o grupo parceiro mais antigo da marca, e também o mais numeroso.

“Nossos produtos estão hoje no Reino Unido, Estados Unidos, França. Já estivemos em Feiras em Berlim, Paris, Nova York, nos espalhando cada vez mais, algo que nos enche de orgulho”, conta a matriarca Aldenice.

Do nordeste para o mundo, essa ‘conversa sincera’ foi se espalhando. Em 2015 a marca foi o projeto vencedor do Prêmio ECOERA, da Vogue Brasil, e em 2016 do Prêmio Brasil Criativo, promovido pela 3M. Além disso, nasceram dentro da Catarina Mina outros projetos espalhados por todo o Ceará, como o Projeto Olê Rendeiras, com as rendeiras de bilro do município de Trairí e a FIA Oficina de Artesãs, em Sobral, no norte do estado.

RESPEITO E COLETIVIDADE
(Crédito: Jamile Guimarães)

A relação de coletividade e respeito que as crocheteiras têm é fruto da dedicação de dona Aldenice, de Celina e de tantas outras mulheres e profissionais que integram a Catarina Mina.

“Acreditamos em uma moda diferente: focada em quem produz, e que concentra seus esforços em questionar e tomar decisões levando em consideração um coletivo. Uma moda que deseja um futuro de colaboração, muito mais que de disputa”, finaliza Celina.

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*O RETRATO SOCIAL é um projeto idealizado pela empreendedora social Regina Moraes, realizando curadoria, produção e comunicação de causas sociais e histórias potentes de pessoas extraordinárias que transformam a realidade onde vivem. A ideia é sair da vitimização e trazer protagonismo, deslocando-se dos problemas para as soluções de questões sociais. Ao conectar pessoas e comunidades a causas e projetos sociais, cria-se a esperança de um mundo possível e melhor. Saiba mais no Instagram @RetratoSocial ou no Youtube Retrato Social.

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