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Como falar sobre a morte com as crianças

Ao educarmos a criança sobre a morte, permitimos que ela aprenda a gerenciar sua dor

Nataly Martinelly* Publicado em 31/08/2022, às 13h23

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Ao educarmos a criança sobre a morte, permitimos que ela aprenda a gerenciar sua dor - Pixabay/Anemone123
Ao educarmos a criança sobre a morte, permitimos que ela aprenda a gerenciar sua dor - Pixabay/Anemone123

É importante salientar que a morte precisa ser discutida entre pessoas de qualquer idade, porque, quanto mais aprendemos a pensar e falar a respeito, menos assustador o assunto parece. E, se isso ocorre já na infância, a criança cresce desenvolvendo subsídios para enfrentar a situação. 

Ao precisar explicar a morte para uma criança, busque o mesmo que você gostaria de receber: a verdade. Muitas pessoas se equivocam ao inventar mentiras, histórias, usar eufemismos ou metáforas, como ‘virou uma estrelinha’. Mas, lembre-se: a mente da criança é fértil e inocente, e, portanto, ela acreditará de forma literal naquilo que você disser, causando confusões em sua mente. 

O ideal é ensiná-la que a vida segue um ciclo, se possível, utilizando exemplos: a formiguinha que morre no jardim, uma fruta que acaba apodrecendo e assim por diante. Demonstre que a morte faz parte da vida e que, por isso, podemos, sim, ficar tristes diante de uma perda. Seja sincera sobre a morte em todas as circunstâncias, até mesmo com os animais domésticos. 

É preciso explicar para os pequenos que seu peixe ou qualquer outro animal morreu, e não colocar outro no lugar ou mentir. Ao educarmos a criança sobre a morte, permitimos que ela aprenda a gerenciar sua dor e entenda de forma mais facilitada porque perdemos pessoas que amamos. Muitas pessoas me perguntam se devem ou não levar crianças ao funeral. A resposta está muito relacionada à compreensão que a criança tem e o quanto ela já foi preparada para isso. De qualquer forma, deixe claro o que acontece no local, evitando surpresas ou até traumas. Se possível, após explicar a situação, permita que a própria criança expresse se tem interesse em ir. Nesse caso, explicar e ouvir são palavras-chaves.

EXPERIMENTE A INVERSÃO

Exatamente isso: experimente a inversão. Deixe que a criança fale, com suas próprias palavras, todas as percepções que ela tem sobre a morte. Você pode se surpreender com o que ela aprendeu com outras pessoas, TV etc. Depois, busque ajudá-la em suas dúvidas e seja clara ao explicar a verdade.

EXPLICAÇÃO LÚDICA

Escolha uma fruta e permita que a criança acompanhe, passo a passo, como ela perde as cores e a ‘vida’. Durante suas explicações, aproveite para deixar claro a importância de aproveitarmos a vida e valorizarmos nossa saúde, capacidade e tempo.

*NATALY MARTINELLI (@nataly_martinelli). Psicóloga clínica especialista nos transtornos de ansiedade. Autora do livro Fobia: enfrentando com coragem e idealizadora do VHMIND, software de meditação com experiência de mindfulness. Site: www. natalymartinelli.com.br