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Comportamento / Educação

Professor viraliza ao mostrar rotina com alunos: ‘’Quero que sejamos vistos’’

Gean Sampaio ganhou mais de 100 mil seguidores ao compartilhar vídeos com os estudantes da educação infanti

Ana Mota, repórter da AnaMaria Digital Publicado em 15/02/2022, às 08h00

Gean Sampaio, professor de educação física, com os alunos da educação infantil. - Instagram/@geansampaiio
Gean Sampaio, professor de educação física, com os alunos da educação infantil. - Instagram/@geansampaiio

“Hoje você não vê uma criança falar que quer ser professora. Ela fala que quer ser médico, que ser advogado, artista, mas nenhuma quer ser professora. A gente tem que mostrar que são os professores que formam todas as outras profissões”. É dessa forma que Gean Sampaio, professor de educação física de 26 anos, defende a educação.

Conhecido como Tio Gean, o rapaz conquistou as redes sociais, assim como já tinha feito com seus diversos alunos infantis. Isso porque através de vídeos curtos, ele resolveu mostrar sua rotina com as crianças das três escolas em que trabalha em Londrina (PR). 

E não demorou para o sucesso aparecer e viralizar a nível internacional, com mais de 50 milhões de visualizações em um único vídeo, que foi compartilhado inúmeras vezes. Trata-se da publicação em que Gean aparece pulando corda com Heitor Oliveira, uma criança de seis anos que tem paralisia cerebral, no colo.  

“Com a internet, tudo tomou uma proporção muito grande e eu tô amando, porque quero não apenas ser visto, mas que meus alunos, principalmente o Heitor, sejam vistos, que a educação seja vista. Por que não olhar para a educação, para os professores, que são apagados? Tem vários outros professores novos que estão tentando mostrar uma educação diferente, mostrar que nós merecemos”, reflete.

MÉTODO ‘TIO GEAN’

Gean dá aulas para crianças que vão de seis meses a dez anos. Foi em meados de setembro do ano passado que um de seus alunos pediu para que ele gravasse um vídeo para publicar no TikTok. A publicação repercutir e o professor resolveu mostrar sua rotina com os estudantes pequenos. 

Foi em janeiro deste ano, porém, que tudo repercutiu de forma muito rápida. “Quando comecei a falar da escola, ganhei 26 mil seguidores e fiquei travado nisso. No dia 25, uma página pediu pra compartilhar um vídeo meu com o Heitor. Eu deixei e aí foi repercutindo e os números aumentando”, conta. Hoje, o professor já acumula 150 mil seguidores somente no Instagram. 

Para o educador físico, seus vídeos com Heitor são ainda mais importantes, afinal, trata-se de uma maneira de falar de inclusão. Tanto que, outras escolas têm adotado o método ‘Tio Gean’, como ele mesmo conta. “Várias escolas já estão se adequando, pedindo autorização aos pais para que as crianças possam aparecer nas redes sociais. Eu acho isso lindo”, diz. 

“Quero que o Heitor seja visto, seja ajudado, que as pessoas tenham um olhar diferente pra inclusão e, principalmente, para as crianças, que necessitam de professores que façam a diferença”, ressalta.

CADA DIA É UMA PÉROLA

O menino, no entanto, não é o único destaque de Gean. Nas redes, ele aparece com vários outros alunos e garante que todos os dias são engraçados. “Eles dançam, fazem bagunça, então cada dia tem uma pérola diferente. Criança é mais fácil de lidar porque, longe dos pais, elas são outras, então você consegue lidar com elas”, afirma.

A dificuldade fica apenas nas semanas iniciais de adaptação dos novos alunos. “É o momento em que a criança não é acostumada comigo, porque não me vê frequentemente. Até ela me aceitar é um pouco difícil, porque não consigo chegar nela. Tem que ter toda uma calma, um cuidado, um amor com aquela criança que está em um processo para aceitar o Tio Gean”, explica. 

ENSINO À DISTÂNCIA

Só que nem tudo são flores. Gean começou a trabalhar em 2021 e teve que lidar com um impasse: a pandemia de covid-19. Desta forma, suas aulas eram presenciais e também à distância. Por isso, ele definiu o momento como “uma loucura”, pois precisou se desdobrar para conseguir estar em contato com os pequenos. 

“Tive vários surtos porque é coisa de louco. Não é tudo que você pode trabalhar com eles, não é toda atividade que você pode fazer. Então eu dançava, fazia circuito motor, gravava vídeo, corria, mandava chutar bola fora de casa [pra não quebrar os vidros] e todas as crianças faziam, participavam”, relembra. 

No entanto, a pandemia afetou mais do que o modo de ensino. “Eu não recebo bem”, revela. “Na pandemia teve todo esse surto de diminuir aula, pais tirando aluno... e aí as diretoras sempre sentaram comigo e explicaram a situação. Sempre tive certeza de que, quando a pandemia acabasse, os pais iam colocar os filhos de volta na escola. Hoje, as crianças estão voltando e eu tenho certeza que logo, logo vou pegando mais aulas e vai indo”, diz.