AnaMaria
Coronavírus / Começo do fim

Infectologista diz que situação da pandemia deve ser mais favorável ainda em 2022

Pesquisador e membro do comitê de saúde da gestão Mandetta comentou como deve ser o cenário da covid-19 no Brasil neste ano

Da redação Publicado em 23/02/2022, às 11h49

Julio Croda, infectologista e pesquisador da Fiocruz - Twitter
Julio Croda, infectologista e pesquisador da Fiocruz - Twitter

Julio Croda, infectologista e pesquisador da Fiocruz que atuou no Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde na gestão de Henrique Mandetta, disse que a situação da pandemia de covid deve se mostrar mais favorável no Brasil ainda no primeiro semestre de 2022

Em entrevista ao jornal O Globo, ele afirmou que a covid-19 deve se assemelhar a situação de gripe e dengue no país. "Eu diria que estamos caminhando para o fim da pandemia e vamos entrar numa fase endêmica, com períodos sazonais epidêmicos, como já acontece com a gripe e a dengue, por exemplo", explicou. 

No entanto, ele deixou claro que sair da categoria de pandemia para endemia não significa que não haverá impactos quanto às hospitalizações e óbitos. "Significa que esse impacto vai ser menor a ponto de não ser necessário medidas restritivas tão radicais e eventualmente até a liberação do uso de máscaras, que é uma medida protetiva individual".

Croda ressaltou ainda que os avanços tem uma explicação: a vacinação em nível global. "Foi a grande mudança de paradigma, que reduziu a letalidade da covid-19 de um número 20 vezes maior que o da influenza para duas vezes maior, nesse momento", disse.

Além disso, o infectologista explicou que o chamado 'fim da pandemia' é definido pela letalidade da doença. Ele afirmou que atualmente as pessoas que morrem por coronavírus são: não vacinados, pessoas com muitas comorbidades e idosos muito extremos, ainda que estejam vacinados. 

AINDA EM 2022

Júlio se mostrou positivo ao ser questionado se a pandemia poderia melhorar ainda em 2022. "Com certeza", afirmou. Entretanto, o cenário deve variar em cada região do país por causa de três fatores: cobertura vacinal, letalidade e dinâmica de transmissão.

"Acredito que ainda nesse primeiro semestre a gente tenha uma situação mais favorável, que seja possível de alguma forma, declarar que não estamos mais em emergência de saúde pública, por exemplo. O número de hospitalizações e óbitos é que vai determinar o impacto sobre o serviço de saúde", acrescentou.